Para a proclamação do Evangelho e a edificação do Corpo de Cristo
Ano 12 • N° 64 • Outubro - Novembro - Dezembro 2011

LEGADO

A vítima da cruz

O único destino da carne é a cruz.

«Sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado juntamente com ele,
para que o corpo do pecado seja destruído, a fim de que não sirvamos mais ao pecado» (Rom. 6:6).

Esta é a vítima da cruz, seja chamado «o corpo do pecado», ou «a carne», ou «a mente carnal», ou «o pecado que habita em mim», ou «o velho homem»; ela possui muitos nomes, ela não tem outro caráter a não ser um, nem outra cura a não ser uma, que é a morte. Ela é uma implacável inimiga de Deus, pois «os intuitos da carne são inimizade contra Deus» (Rom. 8:7). Ela é odiosa a Deus, e não pode achar prazer algum em nenhuma parte desta natureza debaixo de maldição, por mais agradável e atrativa que seja para o homem: «os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus» (V. 8). Ela é improdutiva, incorrigível, incurável. Com cultura, educada e estimada, ou desfavorecida e ameaçada, a sua natureza permanece imutável. «Ela não se sujeita à lei de Deus e tampouco pode» (V. 7). Não existe, então, nenhum remédio a não ser aquele que Deus proveu – condenação, crucificação, morte com Cristo.

As Escrituras falam da semente da carne, da vontade da carne, da mente da carne, da sabedoria da carne, dos intuitos da carne, da confiança da carne, da imundície da carne, das obras da carne, da luta da carne, da glorificação da carne.

Todos os poderes do homem, todos os seus raciocínios, suas emoções e sua vontade, estão, naturalmente, debaixo do poder da carne. Qualquer coisa que a mente carnal possa projetar ou planejar –por mais bela que seja a sua exibição, e por mais que os homens possam gloriar-se nela– não tem valor algum aos olhos de Deus. A carne, com os seus pensamentos, vontades e esforços é, portanto, uma vítima da cruz. Nós vemos a necessidade da libertação das coisas que usualmente são chamadas «pecados da carne», mas quão escassamente nós incluímos entre essas coisas os nossos poderes de raciocínio, de pensar e planejar. Ah! Quão frequentemente confiamos neles e nos desalentamos angustiosamente porque o Espírito não faz prosperar o que a carne planejou!

Existe uma tentação sutil, como no caso de Saul, de destruir o que não possui valor algum e manter vivo o melhor; em outras palavras, destruir o grosseiro e perdoar as refinadas manifestações do mal. Mas quando nós proclamamos haver comprido o mandamento do Senhor, vem a penetrante pergunta, com o mesmo tremendo poder como deve ter vindo sobre o rei desobediente: «Pois que balido de ovelhas e bramido de vacas é este que eu ouço com os meus ouvidos?» (1 Sam. 15:14).

Aquilo que é totalmente destruído não pode balir nem bramar. Isto significa, então, nada menos que a morte de cada coisa condenada. Morte à vaidade, orgulho, cobiça, frieza, falta de misericórdia, ambição, ira, impaciência, temor e dúvida; tudo o que pertence ao velho homem deve ser despojado antes que possamos nos revestir do novo.

Temos consentido com a crucificação desta vítima da cruz?

É através da crucificação com Cristo que a alma entra na comunhão com o seu Salvador ressuscitado, e aprende a viver em Sua vida. Sua santificação não é completa, até que chegue a ser «semelhante a ele em sua morte» (Fil. 3:10). O «velho homem», com todo o seu aprisionamento de «paixões e maus desejos», foi crucificado na cruz do Calvário. A carne não tem nenhum direito de estar no poder, nem sequer por uma hora. Por direito, ela está morta – considerada morta pela fé, e morta deve seguir em todos os que são de Cristo Jesus.

J. Gregory Mantle (1853-1925)

Pregador inglês associado a Keswick.