Para a proclamação do Evangelho e a edificação do Corpo de Cristo
Ano 12 • N° 64 • Outubro - Novembro - Dezembro 2011

A GLÓRIA DO EVANGELHO

A provisão do Evangelho

A provisão do Evangelho é tripla: justificação, santificação e redenção.

Há três coisas mencionadas nos capítulos 1 a 8 de Romanos, que o Evangelho provê para nós. Nos capítulos 3 e 4, e até o versículo 5:12, temos a justificação. Desde 5:13 ao 8:17, a santificação, e de 8:18 a 8:30, encontramos a glorificação. Tal é a provisão de Deus para nós no Evangelho.

 

A justificação

Frequentemente ouvimos as pessoas dizerem que a justificação significa «como se nunca tivéssemos pecado». Nós pecamos, mas agora, sendo justificados, estamos diante de Deus como se nunca tivéssemos pecado. No entanto, na realidade, a justificação é muito mais do que isso. A justificação significa que agora nós somos ‘aceitos’ no Amado.

Mas como somos justificados? Essa é uma pergunta muito antiga, e já se encontra já no livro de Jó. Neste livro, no capítulo 9, Jó faz a seguinte pergunta: «E como o homem se justificará com Deus?». Deus é um Deus justo; então, como pode ele justificar a pessoas injustas? Por outro lado, se Deus simplesmente justificasse as pessoas injustas sem tomar nenhuma outra providência, isso o tornaria injusto, distorceria a sua justiça, e isso ele não permitiria.

Deus ama os pecadores; no entanto, ele aborrece o pecado. Mas, graças a Deus, esse é o problema que o Evangelho vem resolver. O Evangelho diz que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito ao mundo. Seu Filho veio a este mundo como um homem, Jesus, foi aquele que tomou sobre si os nossos pecados e morreu na cruz como nosso substituto. Ele derramou o seu sangue por nossos pecados, e seu sangue satisfez a justiça e a retidão de Deus. Vale dizer, somos justificados, mas não por nós mesmos.

Muitas vezes tratamos de nos justificar a nós mesmos; no entanto, os nossos esforços são inúteis, e não somos justificados desta maneira. É Deus quem tem que nos justificar, e o realiza através do sangue de seu próprio Filho amado. Os pecados são perdoados porque o sangue foi derramado. Dessa forma, Deus pode nos justificar de maneira reta, e a justiça de Deus vêm a nós.

Como nos tornamos justos diante de Deus? Hoje, Deus olha para nós e diz: «Não vejo iniquidade em vocês». Deus não vê pecado algum em nós; ao contrário, ele nos vê como justos. Como é possível isto? 

A expressão «a justiça de Jesus Cristo» se encontra em um só lugar no Novo Testamento, e significa que quando o Senhor Jesus estava sobre a terra, ele era justo em tudo. Agora ele é ‘o Justo’, sentado à mão direita do Pai. Ele é o único justo, porque ele satisfaz ao Pai em todas as coisas. Não há nem um justo, só Jesus Cristo é justo. Essa é a sua justiça.

No entanto, você sabia que a justiça dele não te justifica? Ao contrário, a sua justiça vai te condenar, porque ele é tão justo e você tão injusto. Quanto mais justo ele é, a nossa injustiça se faz mais notória. Portanto, maior é a nossa condenação. 

A justiça de Jesus Cristo não nos justifica, mas o qualifica para ser o nosso substituto, porque ele é sem pecado. Portanto, ele pôde ser feito pecado por nós. Se ele não fosse justo, não poderia ser nosso substituto; teria que morrer por causa do seu próprio pecado. No entanto, graças a Deus, ele é totalmente justo, e pôde ser feito pecado por nós, de modo que a justiça de Deus pudesse vir sobre nós. A sua justiça o qualifica para ser o nosso Salvador, nosso substituto. Mas, a sua justiça não é algo que nos é dado para ser a nossa justiça.

O Evangelho não significa que Cristo, cheio de justiça, toma a sua justiça e a põe sobre ti, e a partir dali te torna justo. Tornamo-nos justos porque Deus deu a seu Filho amado. Cristo Jesus, ele foi feito a nossa justiça (1a Cor.1:30).

Isto não significa que a sua justiça nos seja dada, mas que Deus dá a seu Filho, Cristo, e nós somos revestidos com Cristo. É na unidade com Cristo que nos tornamos justos. Hoje, quando estamos diante de Deus, ele não nos vê, mas vê a Cristo, pois nós estamos revestidos de Cristo.

Amados irmãos, esta é a forma na qual somos justificados; desta maneira nos tornamos justos. Nós não mudamos. Ele não nos deu simplesmente alguns dos seus méritos; mas, revestiu-nos de si mesmo. Hoje estamos unidos com Cristo; de tal maneira que quando estamos diante de Deus, ele não vê a ti ou a mim. Deus vê a seu Filho amado e diz: «És justificado como se nunca tivesse cometido pecado; é aceito, tenha paz».

A justificação, ou a justiça, não é um ensino, uma doutrina, um método, uma fórmula ou uma técnica. É uma Pessoa, e esta Pessoa é Jesus Cristo. Quando você tem a Jesus Cristo, é justificado. Se não tiver ao Senhor Jesus Cristo, embora conheça a doutrina da justificação pela fé, não é justificado. É justo diante de Deus porque Jesus Cristo foi feito justiça para ti. Ele é a tua justiça. Isso é o Evangelho.

 

A santificação

O segundo aspecto do Evangelho é a santificação. Esta é uma palavra tremenda, mas significa simplesmente «separado para Deus». Na prática, a santificação significa viver uma vida piedosa e santa, vencendo as tentações e o poder do pecado – viver uma vida vitoriosa. Tal é a santificação.

É verdade, depois que fomos justificados, devemos viver na presença de Deus e andar diante dele em santidade (o que significa ser igual a Deus) e em justiça. Não se espera que um cristão continue pecando, ou caia em tentação. Espera-se que um cristão viva como Cristo viveu nesta terra, vencendo o poder do pecado e vivendo uma vida santa.

«Sede santos, porque eu sou santo». Esta não é apenas uma exortação, é uma ordem. Deus nos manda que sejamos santos. Santo significa ‘pouco comum’. Deve viver de forma pouco comum, diferente ao modo em que o mundo vive. Deve ser diferente, porque tem sido separado para Deus.

Agora, como podemos ser santos? Como podemos viver essa vida vitoriosa? Em Romanos 7, Paulo diz: «Em meu coração, eu sei; em minha mente renovada, eu sei, sei que devo obedecer aos mandamentos de Deus, e desejo fazê-lo. Trato de fazê-lo, mas quanto mais eu tento, mais falho. O querer está em mim, mas não o efetuá-lo. Que homem miserável eu sou! Quem poderá me libertar deste corpo de morte?».

Não é essa a experiência de muitos cristãos de hoje? Estás justificado diante de Deus, é salvo, reconciliado com Deus, e tem a vida de Deus em ti mesmo. No entanto, de alguma forma descobre que não pode vencer o poder do pecado. De alguma maneira descobre que o desejá-lo está presente, mas não a força. Certamente, isso não é o Evangelho.

Irmãos, o Evangelho não é só para os pecadores; é também para os crentes. A parte do Evangelho concernente aos crentes é: «Não sabeis que fostes crucificado com Cristo?». Em outras palavras, para a nossa justificação temos o sangue do Senhor Jesus, e para a nossa santificação, a cruz de nosso Senhor Jesus.

Quando nosso Senhor Jesus foi à cruz, ele carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, e ali morreu por nossos pecados. Da mesma maneira, quando Cristo Jesus foi à cruz, ele levou a ti e a mim. Graças a Deus, ele não só levou os nossos pecados, mas levou a nós mesmos com ele para a cruz, e ali ele morreu como nós; não só por nós, mas como nós.

Quando o Senhor Jesus morreu na cruz, não foi apenas o nosso substituto, para pagar as dívidas por nós, mas foi também o nosso representante. Quando ele morreu, você morreu nele e com ele. Ele foi levantado dentre os mortos, e você também foi levantado junto com ele dentre os mortos. Por essa razão, Paulo diz em Gálatas 2:20: «Já estou crucificado com Cristo, e não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim».

Irmãos, vocês sabem o que significa a santificação? Sim, a santificação requer que vivamos uma vida santa; no entanto, quem pode viver tal vida? Há apenas um homem que pode viver essa vida santa, e esse homem é Jesus Cristo. E você sabe que ele vive em ti? Ele vive em ti. No entanto, você permite que ele viva através de ti? Se estiveres vivendo através do seu próprio esforço, essa é a razão pela qual não podes viver uma vida santa. Se apenas pudesse ficar de lado, e deixar ele viver! Então, não seria problema você viver uma vida piedosa e justa diante de Deus todos os dias da sua vida, porque ele viveu essa vida faz dois mil anos atrás. Ele simplesmente libera essa vida em e através de ti e de mim.

Recorde isto: a santificação não consiste em uma vida transformada, a santificação é uma vida substituída. Você não mudou, mas teve uma troca. Não mais você mesmo, é Cristo quem vive em ti.

A santificação não é uma doutrina, nem uma segunda bênção. Há pessoas hoje que creem em uma segunda bênção. Eles sustentam que a primeira bênção é ser salvo, e a segunda bênção, é ser santificado, tornar-se santificado. Como? Bem, a raiz do pecado é desarraigada, é arrancada. Então você já não pode pecar mais.

 Mas o pecado não é erradicado. O pecado permanecerá em ti enquanto viver; mas, graças a Deus, você é que é erradicado. Não o pecado, mas você. A cruz te eliminou. Tal é a santificação pela fé.

A santificação é Cristo. Ele é a santificação. Em consequência, quando você crê nele, é santificado. É simples. Simplesmente, creia nele, e o tome como sua santificação. A santificação não é uma doutrina, não é alguma coisa que Deus te dá. A santificação é Cristo. Cristo te é dado. Ele é a nossa santificação. Esse é o Evangelho de Deus.

 

A glorificação

Muitos crentes pensam que se fomos justificados não iremos para o inferno, mas para o céu, e que isso é tudo. Há outros crentes que pensam que isso não é tudo. Não é suficientemente bom apenas saber que no futuro não vão para o inferno, mas para o céu. Eles desejam viver uma vida justa e santa na terra, e damos graças a Deus por esses crentes. Não obstante, se você pensar que isso é bom e suficiente, Deus diz que isso não é suficiente para você.

O Evangelho não precisa satisfazer a ti, mas o Evangelho precisa satisfazer a Deus, e ele não se satisfaz apenas em te justificar e te santificar. Deus declara: «Não, eu vou fazer algo mais: vou te glorificar».

Irmãos amados, o que é a glorificação? A glorificação significa simplesmente que Deus vai te transformar de glória em glória, e te conformar à imagem de seu amado Filho (Rom. 8:29-30).

A glorificação não significa que seu homem natural é glorificado, transformado. Não, nós dissemos que você não muda. «O que é nascido da carne é carne. O que é nascido do Espírito, é espírito». Ser transformado significa simplesmente que o Espírito Santo vai operar de tal forma em sua vida, que retirará a ti e vai adicionar a Cristo, até que Cristo seja formado completamente em ti, ou até que você seja conformado a sua imagem. Isso é a glória!

Nós causamos vergonha; só Cristo é glorioso. Então, quando Cristo é formado em ti, há glória. Em outras palavras, glória significa que Deus está sendo visto, Deus está sendo expresso, Deus está sendo conhecido. Sempre que vemos a Deus, vemos glória. Esse é o propósito de Deus. Ele não irá sozinho para te justificar, nem só para te santificar; ele deseja te glorificar. Ele deseja que Cristo seja completamente formado em ti, para que você seja conformado a sua imagem.

No entanto, como ele vai operar isso? O Espírito Santo é responsável por esse lindo trabalho. O Espírito Santo é como um bordador. Ele está usando a agulha, ponto após ponto em sua vida, para tecer a Cristo em ti. E à medida que ele está fazendo isso, você está sendo vestido com um traje bordado. Serás adornado para ser a noiva de Cristo. O que é entretecido em ti, construído em ti, não é nada mais que Cristo.

Cristo é a nossa redenção, e a redenção aponta para a filiação; ou seja, a posição de filho maduro. Vocês agora crescerão e se transformarão em filhos de Deus. Isso é a glorificação, e novamente, isso não é um ensino, nenhuma doutrina. A glorificação é Cristo. Quando vemos a Cristo, há glória; essa é a obra do Espírito Santo.

Stephen Kaung

Adaptado de «Romanos», em Vendo Cristo no Novo Testamento, Vol. II.