Uma revista para todo o Corpo de Cristo · Nº 61

O trabalho atual da igreja

César Albino

Leitura: Hebreus 10:19-22.

Hoje queria ilustrar o trabalho e o chamado que a igreja está tendo neste dia. Queria ilustrá-lo aqui, no Lugar Santíssimo, no Lugar Santo e também no átrio, indo do Lugar Santíssimo para o átrio.

 

Intimidade no Lugar Santíssimo

Todos nós que estamos aqui, creio que já estão no Lugar Santíssimo. Aquele era o lugar onde a presença de Deus se manifestava. Era um lugar muito especial; ali Deus habitava. O único que podia habitar nesse espaço era Deus. Mas sabemos que o Lugar Santíssimo, a morada de Deus, é o próprio Jesus Cristo. Deus habita no Filho. Portanto, a presença do Pai está no Filho. E também diz que nós estamos em Cristo. No fundo, nós também, como disse o Senhor um dia: «...viremos para ele e faremos morada com ele». No fundo, nós estamos ali no Lugar Santíssimo.

Cristo é a presença de Deus, Cristo é a habitação de Deus, Cristo é a morada de Deus, e ali nós estamos. Portanto, o Lugar Santíssimo nos fala da comunhão, do estar com ele, da intimidade com ele. Ali não há atividade, não há trabalho, não há evangelização. Ali habita a presença de Deus; ali está a comum união, a unidade, a intimidade com o Senhor.

Para que possamos desenvolver as atividades do Lugar Santo e do átrio, o mais importante para um cristão renascido é, antes de tudo, permanecer na própria presença do Senhor, tendo comunhão com ele, lhe amando, devocionalmente pelas manhãs, pelas tardes, ao meio dia, a toda hora. Para que possamos ter um serviço frutífero, para que o nosso ânimo não se canse até desmaiar, é muito importante a comunhão que possamos ter com o Amado dos nossos corações.

Que precioso é estar ali! Em sua presença, há plenitude de gozo; ao estar em sua presença se conhecem os planos maravilhosos do Senhor; ao estar em sua presença, o Senhor comunica ao coração o que tem que ser feito, o que tem que dizer; ao estar em sua presença, você e eu, o nosso olhar, as nossas maneiras de falar, de tocar, de caminhar, refletirão a glória do Senhor.

Recordem que quando Moisés estava na presença do Senhor e em seguida descia do monte, não notava que seu rosto brilhava. Assim é todo aquele que permanece na presença do Senhor. De tal maneira que a pessoa que o saúda ou que lhe vê, dirá: ‘Ele tem algo em seu olhar, em seu sorriso, quando dá a mão, quando abençoa fraternalmente. Quando dá uma bênção, não são palavras aprendidas, mas parece que sai algo, como força, poder, vida, carinho em suas palavras, depois de estar na presença do Senhor’.

Mas, quando descuidamos este lugar tão precioso e incomparável, a nossa pregação, a nossa saudação, o nosso olhar, tornar-se-á opaco, porque o nosso coração estará quase escurecido, pela falta da luz da presença do Senhor em nossas vidas. Assim, antes de tudo, é de suma importância ter comunhão com o Senhor; estar com ele, amá-lo, bendizê-lo, adorá-lo.

Que não seja só um testemunho cantado ou proclamado, mas que Jesus seja o nosso amado e o desejado dos nossos corações; antes, seja uma preciosa e bendita realidade. Que não seja só um cântico lindo que Jesus é digno de todo louvor, mas você mesmo seja aquele que está se entregando e adorando incondicionalmente ao Senhor.

Oh, Jesus, que precioso é, que bendito é! É o único que pode encher o nosso coração, é o único que satisfaz a nossa alma. Bendito seja o Senhor para sempre! És digno de que estejamos aos seus pés cada manhã. Desde o dia em que se rasgou o véu, então houve liberdade para entrar no Lugar Santíssimo, e ali permanecer, e ali estar.

Nestes dias, vimos algo na Escritura. Um irmão nos dizia que a Escritura não registra aqui que há liberdade para sair. Sim que há liberdade para entrar. De tal maneira que não temos opção. Nós entramos de uma vez e para sempre. E entramos ali, e permanecemos ali, e estamos ali. Não há liberdade para sair. Não se anda com libertinagem, dizendo: ‘vou sair e vou entrar’.

O véu rasgado chama a entrar, porque está aberto e não há obstáculo. Todo o caminho foi limpo. O véu se rasgou de cima para baixo. Agora, você e eu podemos entrar em qualquer hora. Pela manhã, ao meio dia, ou de noite. Bendito seja o Senhor, porque graças ao seu tremendo sacrifício, graças a sua morte no Calvário, graças à reconciliação que fez entre Deus e os homens, o véu do templo se rasgou, e nos dias de hoje temos liberdade para entrar. E por isso há o convite que nos diz: ‘Então, entra, te aproxime’. Sabe por quê? Porque já estás no Lugar Santíssimo. Já estás ali. Assim, o que tem que fazer é te aproximares mais, porque ali estás. Bendito seja o Senhor!

 

Trabalho no Lugar Santo

Agora vamos ver algo do Lugar Santo. Este, figurativamente falando, é o que melhor ilustra o trabalho da igreja como corpo de Cristo. Creio que todos nós conhecemos algo a respeito dos utensílios que havia no Lugar Santo. Havia uma mesa com os pães da proposição e havia um candelabro. Mas no centro desse lugar, diante do Lugar Santíssimo, estava o altar do incenso.

Estes três utensílios nos falam do trabalho da igreja, do trabalho dos crentes. Estar no Lugar Santíssimo com ele, fala-nos de intimidade, e estar no Lugar Santo, nos fala de uma atividade permanente; não um relaxamento, mas uma atividade.

 

1. Louvor e gratidão

Assim, irmãos, voltemos para Hebreus 9:2: «...na primeira parte, chamada o Lugar Santo, estavam o candelabro, a mesa e os pães da proposição». O que representa a mesa dos pães? Sobre aquela mesa havia doze pães. Estavam ali permanentemente.

Aquilo significava adoração, louvor, gratidão profunda. É outra forma de honrar ao Senhor. Em Provérbios 3:9-10 diz que também honremos ao Senhor com os nossos bens. Disto nos fala principalmente a mesa com os pães, da gratidão que temos que ter por todo o bem que o Senhor nos fez.

No Lugar Santo sempre há gratidão; sempre se entra pelas portas com ações de graças, sempre se louva ao Senhor, porque nos deu saúde, porque revelou a seu Filho. Sim, principalmente porque nos revelou todas as coisas concernentes ao seu Filho e ao seu propósito. Ali sempre há gratidão. A mesa dos pães nos fala principalmente desta gratidão que tinha o povo de Israel ao honrar ao Senhor com os seus bens; do reconhecimento que temos que ter por todo o bem recebido.

O Senhor tem nos abençoado este ano? Algum dia te faltou o pão na mesa? Tem calçado os seus pés e te deu roupas para o seu corpo? Tiveste um leito onde recostar a sua cabeça para dormir? As tribos de Israel o tinham muito claro em seus corações. É por isso que cada dia o pão estava ali. Esse pão, sem palavras, dá uma mensagem para o céu. Eles diziam: ‘Estamos muito agradecidos, Senhor, por tudo o que tu nos abençoaste. De sua mão o recebemos, e o mesmo que tu nos deste também o entregamos a ti’.

Crônicas 29:14 diz: «Porque quem sou eu, e quem é meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Pois tudo é teu, e do recebido de tua mão te damos». E também em 1ª Coríntios 4:7 diz um pouco parecido: «Porque quem te distingue? Ou o que tens que não tenha recebido? E se o recebestes, por que te glorias como se não o tivesse recebido?». A verdade das coisas, irmãos, é que no Lugar Santo, a igreja sempre terá que ter um coração com uma devoção, com uma alegria, com uma ação de graças, por tudo o que recebemos da sua própria mão. Bendito seja o Senhor!

 

2. Testemunho para o mundo

E também estava o candelabro, que nos fala principalmente dos cristãos em  movimento, no serviço da igreja, no mundo, na casa, no lugar de trabalho, com a sociedade, com os cristãos, com seus familiares, com seus parentes próximos e longínquos. Eles têm um testemunho de luz que dar às nações, às cidades, aos povos.

O candelabro nos fala de luz. A Israel lhe foi dito que fosse luz para as nações. E também o Senhor nos tem dito: «Vós sois a luz do mundo». É o bom testemunho, esse estilo de vida, essa maneira de caminhar, de comportar-se, de falar, de nos honrarmos uns aos outros, de nos amar, de nos considerar, de nos respeitar, de nos abençoar, de nos estimular ao amor e às boas obras. Isso de considerar o irmão sempre maior do que nós; esta é a forma de dar um bom testemunho. É esse estilo de vida que o próprio Senhor nos ensinou; aquilo que os próprios apóstolos nos dizem que imitemos. Oh, que seja assim, no nome do Senhor!

No Lugar Santo a igreja sempre tem que estar ministrando louvor, adoração, gratidão ao Senhor. E em segundo lugar, caminhando, dando um bom testemunho e louvando ao Senhor não só com o seu testemunho, mas também com o seu estilo de vida. Mas um traz o outro. Para que ardesse o candelabro tinha que haver fogo e tinha que haver azeite. Mas, se não tivermos comunhão com o Senhor, como o candelabro se acenderá? Como se acenderá a lâmpada se não tiver azeite?

Podemos ser um candelabro e podemos ser uma lâmpada caminhando, mas pode ser que não tenhamos azeite nem tenhamos fogo. Podemos ficar com um testemunho aprendido. Quero lhes dizer que todos nós corremos o risco de ficar com o conhecimento e com um testemunho aprendido, porque aprendemos e ouvimos alguma vez dizer algo. Mas o testemunho sempre tem que estar acompanhado dessa seiva, desse azeite, desse fogo do Espírito. Tal como o apóstolo nos ensina e exorta para que sejamos «fervorosos no espírito», para cantar, para adorar, para bendizer.

Fervorosos no espírito não significam gritos nem saltos. Podemos ser fervorosos no espírito até guardando silêncio, mas, por dentro, estarmos acesos pelo Senhor. Que o Senhor conceda a toda a igreja ser vigorosa, firme, estável, que sustente o testemunho com fidelidade, que procure o Senhor, que o ame, que se entregue diante dele todos os dias.

Se houver algo que escasseia no meio de nós, e se tivermos que esperar que este seja um ano frutífero, é procurar o Senhor e estar em comunhão com ele. Refiro-me principalmente à oração. Às vezes, as reuniões que se fazem para outras coisas são muito concorridas. Mas, quando você convida à igreja para orar, vêm muito poucos irmãos. Isto tem que nos falar muito nestes dias. O Senhor vai nos falar muito disto, e creio que é a necessidade do tempo presente nas igrejas.

 

3. Oração

No Lugar Santo também estava o altar do incenso, muito próximo do Lugar Santíssimo e relacionado com este, por causa do que se faz ou se ministra ali. O altar do incenso nos fala, pelo menos, de três aspectos: a oração, o louvor e a intercessão. Desta forma, as três funções estão ali bem detalhadas.

Vamos falar com respeito à oração. O que é a oração? Oração não é aprender de cor o Pai nosso de Mateus, e repeti-lo. Não é aprender uma doutrina a respeito da oração e repeti-la como uma devocional. Não é proclamar muitas coisas. A oração tem que ser fluída, e tem que ser o Espírito Santo quem toma o controle das suas palavras. A oração é uma conversação com Deus; é um falar com ele. E também é ouvir.

A oração é uma comunicação. É algo muito precioso, lindo e nobre. Deus está presente. Deus está escutando o que você vai dizer. Possivelmente, você vai falar três palavras, e será suficiente, e o Senhor se agradará disso. Quantos testemunhos há que você certamente tem lido em que a oração mais curta tem feito grandes milagres! Houve ocasiões em que bastou uma só expressão, para que o Senhor produzisse tremendos prodígios e milagres em uma oração.

«Te louvo, Oh Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas dos sábios e dos entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado» (Mat. 11:25-26). Podem notar? O Senhor nos ensinou a orar. E a Escritura também nos ensina como temos que fazê-la. É para conversar com o Senhor, ter comunicação e comunhão com ele, e estar de acordo com ele. Comunhão, no sentido de ter em comum as coisas com Deus.

E quanto ao louvor, ali é muito mais que cantar. É melhor que uma oração, um clamor cantado, um louvor proclamado, que nasce do espírito do homem, que se une ao Espírito de Deus e leva a adoração até o terceiro céu. E quando alcançamos o topo do louvor e da adoração, o Senhor Jesus Cristo é glorificado e se agrada com o louvor.

Não se trata de ir incluindo cânticos lindos relacionados ou não com o céu, ou com o Amado, ou com a dignidade do Senhor. Trata-se de que cheguemos a agradar o seu coração, a tocar o seu coração, a estar com ele, a ter um testemunho interior de que, com este cântico, estou agradando e glorificando o nome do Senhor. Temos muitos cânticos que elevar, mas às vezes pode ser que entoemos um só várias vezes, até encher o coração do Senhor. Oh, temos muito que aprender! Graças ao Senhor por tudo o que já nos ensinou!

O terceiro aspecto é a intercessão, o clamor que nasce do coração de alguém que ama aos homens, que ama as almas perdidas. É aquela oração com súplica, com pranto, que traz os homens não convertidos diante de Deus. É a voz daquele crente que fica entre Deus e os homens, para lhe dizer: ‘Tenha misericórdia deste pecador! Tenha misericórdia da minha mãe, do meu pai, dos meus parentes! Tenha misericórdia dos meus vizinhos; olha como estão se perdendo! Senhor, que não passe este ano sem que meu pai, minha mãe, e meus filhos se convertam!

Não é um clamor frio; é um clamor fervoroso, aceso com o fogo do altar, com o azeite da lâmpada, para orar, interceder, principalmente pelos homens perdidos. Esta é a função da intercessão pelos que não conhecem o Senhor.

É muito importante estar no Lugar Santíssimo; é muito importante estar no Lugar Santo. Mas, sabe? Há algo que nós não estamos acostumados a fazer. É interceder com gemidos inexprimíveis, para que o Senhor leve a cabo o seu propósito, principalmente com os homens extraviados. Que pelo testemunho de vida dos irmãos, pela conduta, pelo estilo de vida, e também pela proclamação do evangelho, e pelas orações dos irmãos, o Senhor permita que muitos se convertam.

 

Evangelização no átrio

E também está o lugar do átrio. Ali havia dois utensílios: o altar do holocausto e a pia ou fonte de bronze. Isto nos fala de uma atividade que a igreja tem fora dos âmbitos da igreja; fala-nos principalmente da redenção e da salvação dos homens.

O altar de bronze está intimamente relacionado com o perdão e a remissão dos pecados dos homens. O altar está presente. Hebreus nos diz que temos um altar. Graças ao Senhor. O altar era um móvel que tinha chifres em suas quatro pontas, indicando os quatro pontos da terra, e está relacionado também com a encomenda do Senhor expressa em Mateus capítulo 28, quando diz: «Ide, e façais discípulos de todas as nações...». Está relacionado com a pregação da Palavra, trazendo os homens ao Senhor, lhes dizendo: ‘Há um altar que está presente, ali está o sangue derramado, o sacrifício de Cristo. Pode ser salvo, pode se aproximar do Senhor’.

Isso é o que a igreja tem que fazer hoje: proclamar, pregar o evangelho. Não só chamar de um púlpito em uma campanha evangelística; mas, neste tempo, temos que pregar em forma corporativa, com palavras, com a conduta e com tudo o que o Senhor nos permita fazer.

O sangue de Cristo está vigente. O livro de Hebreus corrobora com isto, quando diz. «Temos um altar». E não só o sangue está vigente para trazer almas e ganhá-las, para serem introduzidas no Lugar Santo e o Santíssimo, mas também para cada um de nós. «meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e se alguém tiver pecado, temos um advogado...». Ali está o sangue, para nos perdoar uma e outra vez.

 

Os chifres do altar

Quero terminar com 1 Reis 1:50-51. «Mas Adonias, tremendo da presença de Salomão, levantou-se e se foi, e se agarrou aos chifres do altar. E fizeram Salomão saber, dizendo: Eis que Adonias tem medo do rei Salomão, pois se agarrou aos chifres do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará a espada a seu servo».

Agora, queria me dirigir a todos os que são fracos, os que somos fracos e caímos; aqueles que às vezes prometemos e não cumprimos, aqueles que rapidamente se inclinam do perfeito para o imperfeito, devido a aquelas quedas que, durante este último tempo pudemos ter vivido. É aqui, neste ambiente que o Senhor preparou que queremos que nenhum irmão se sinta longe do Senhor, do Lugar Santíssimo, do Lugar Santo.

Queria falar com os irmãos que têm se cansado, a aqueles jovens que são frágeis, que tropeçam e caem. Quero lhes dizer, com todo o amor do Senhor, que temos um altar que está vigente. Poderia ser que você levasse esse nome de Adonias, e hoje pudesse aceitar o convite do Senhor a agarrar-se aos chifres do altar. Se sobre a tua mente vem uma acusação e lhe diz: ‘Tu não és digno, és pecador, e vai ser castigado’, os chifres do altar –Cristo– esperam por você.

Adonias correu, porque ele sabia o que significava agarrar-se aos chifres do altar. Porque ele dizia: ‘Se me agarrar aqui e Salomão me ver, embora tenha uma espada, não poderá me fazer mal’. Tu, como irmão, conhece a vigência do sangue de Jesus. Está vigente para os fracos, que somos nós; está vigente para os cristãos que caem, que se debilitam e equivocam o caminho; mas também, como já dissemos, está vigente para os homens não convertidos, aos quais o Senhor nos encomendou que preguemos o evangelho.

O Senhor ainda não veio. Ainda há graça, há misericórdia e perdão. O sangue de Cristo ainda cobre, perdoa e tira os pecados. Glórias ao Senhor! Amém.

Síntese de uma mensagem compartilhada no Rucacura 2010.