Uma revista para todo cristão
Ano 9 · N° 54
Novembro - Dezembro 2008

Como todas as coisas criadas, os quatro seres viventes também expressam a Cristo.

Os quatro seres viventes

Rubén Chacón

Na carta do apóstolo Paulo aos Colossenses é feito uma solene declaração em relação a nosso Senhor Jesus Cristo: «Porque nele foram criadas todas as coisas, as que há nos céus e as que há na terra, visíveis e invisíveis; sejam tronos, sejam domínios, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por meio dele e para ele» (Col. 1: 16).

Neste texto são afirmadas importantes verdades. Em primeiro lugar, com a expressão «todas as coisas» Paulo se refere à totalidade da criação; a que existe nos céus e a que existe na terra, visível e invisível. Portanto, refere-se não só ao homem, os animais, as plantas e as flores, mas também aos anjos, arcanjos, querubins e serafins. Tudo foi criado em Cristo.

Em segundo lugar, a expressão «...nele foram criadas todas as coisas» significa que todas as coisas foram criadas pensando no bendito Filho de Deus. Com efeito, ele é a causa de todas as coisas «e sem ele, nada do que foi feito se fez» (Jo. 1: 3b). Em terceiro e último lugar, o texto declara que tudo foi criado «para ele». Em outras palavras, tudo foi criado para expressar a Cristo. A multiforme graça e a multiforme sabedoria de Cristo requeriam, para ser expressas, de inumeráveis criaturas, e criadas nas mais variadas e diversas formas, cores, propósitos, estilos, espécies e gêneros. Cada espécie de árvore e cada espécie de animal foram criadas para expressar um aspecto da beleza e a glória de Cristo.

Portanto, isto que se prega de toda a criação terrestre e visível, é também aplicável a todo mundo angelical, invisível. Os anjos com toda a sua diversidade de classes e tipos foram criados também para expressar a Cristo. Aspectos especiais e particulares de Cristo são manifestados através da magnificência da ordem angelical.

Entre os seres angelicais que mencionam as Escrituras aparecem aqueles denominados como «os quatro seres viventes» (Ez. 1: 5; Ap. 4: 6). Segundo o profeta Ezequiel, cada um destes quatro seres viventes tem quatro rostos: rosto de homem, de leão, de boi e de águia. Se estes seres angelicais foram criados –da mesma forma que o resto da criação– para expressar a Cristo, qual é então o seu significado espiritual? Que aspectos de Cristo nos querem revelar?

Notemos em primeiro lugar na reiteração do número quatro. São quatro seres e cada um com quatro rostos e quatro asas. Qual é o significado do número quatro nas Escrituras? Segundo o irmão Christian Chen, «o número três significa a perfeição divina com especial referência à Trindade. O número quatro deveria marcar então aquilo que se segue da revelação de Deus na Trindade, isto é, as suas obras criadas». Em outras palavras, o número quatro representa tudo o que foi criado. Diante disso, o número quatro aplicado ao terreno, significa a totalidade terrena. Por isso, as expressões bíblicas: «os quatro limites da terra» (Is. 11: 12), «os quatro ventos» (Ez. 37: 9), «a largura, o comprimento, a profundidade e a altura» (Ef. 3: 18).

Podemos também falar dos quatro pontos cardeais e das quatro estações do ano. Todas elas expressam a totalidade da realidade terrena. Portanto, o número quatro aplicados a terra significa a plenitude terrestre. Não é o número da plenitude divina, mas sim da plenitude no âmbito terrenal.

Mas o que tem haver isto com os quatro seres vivente e com o nosso Senhor Jesus Cristo? Muito, porque ainda que nosso Senhor seja eterno, não obstante, viveu uma etapa de sua existência que foi terrena. «E aquele Verbo foi feito carne, e habitou entre nós…» nos diz João em seu evangelho (1: 14). Portanto, os quatro seres viventes tipificam a plenitude terrena de nosso bendito Senhor Jesus Cristo. A plenitude que manifestou nosso Senhor durante a sua vida na terra está tipificada pelos quatro seres viventes. Por isso, não é casualidade que a vida terrena de Cristo esteja registrada em quatro evangelhos.

No entanto, como ele é antes de sua encarnação e é depois de sua existência na terra, foram necessários 66 livros para nos revelar toda a sua glória e beleza. Com efeito, os 66 livros da Bíblia nos revelam toda a plenitude de Cristo, a divina e a terrena. Mas, quatro desses 66 livros, os quatro evangelhos, concentram-se em nos mostrar a plenitude do Filho de Deus nos dias da sua carne.

E qual é essa plenitude de glória manifestada por nosso Senhor nos dias de sua vida terrenal? Aquela representada pelo rosto quádruplo dos quatro seres vivente. De acordo com o livro de Apocalipse, «o primeiro ser vivente era semelhante a um leão; o segundo era semelhante a um bezerro (ou boi); o terceiro tinha rosto como de homem; e o quarto era semelhante a uma águia voando» (4: 7).

Estas descrições e a ordem delas calçam perfeitamente com a ordem dos quatro evangelhos. Mateus com o leão, Marcos com o bezerro ou boi, Lucas com o rosto de homem e João com a águia voando. Por quê? Porque precisamente Mateus revela a Jesus Cristo como Rei, Marcos o revela como Servo, Lucas como homem e João como Deus. Em Mateus a realeza de Jesus está representada pelo leão; em Marcos o serviço de Jesus está tipificado pelo boi; em Lucas, a sua humanidade perfeita, pelo rosto de homem; e em João, a sua divindade, pela águia voando. Jesus Cristo nos dias de sua carne foi Rei, Servo, Homem e Deus. Esta foi a glória que nos manifestou durante a sua vida na terra.

Portanto, a particularidade de cada evangelho, embora todos eles tenham em comum o anúncio da boa notícia, consiste em que Jesus, o Cristo ou Messias, foi nos dias de sua carne Rei (Mateus), Servo (Marcos), Homem (Lucas) e Deus (João). O Cristo não só é o Filho de Deus, mas também Rei, Servo, Homem e Deus.