Uma revista para todo cristão
Ano 9 · Nº 53
Setembro - Outubro 2008

Reflexões sobre o propósito de Deus com a Igreja.

Edificando a Casa

Roujet Fuchs (Brasil)

Leituras: Ageu 8:1; Prov. 9:1; Hab. 2:13-14; Jer. 31:31-34; Ef. 3:14-19.

Permea a história da humanidade duas correntes, totalmente antagônicas entre si. A primeira, obviamente, é a linha do propósito eterno de Deus: Aquela mulher que, ao ser criada em Gênesis, se perdeu em Adão, e ao longo da história, o Senhor, misericordiosamente, preparou a sua recuperação.

É óbvio que Deus não estava recuperando a Adão. É interessante que possamos falar dessa linha histórica do propósito de Deus. Hoje temos um fato diante de nós: Uma mulher que está no deserto, grávida, pronta para dar a luz a um filho. E existe também, paralelamente a isto, uma serpente que começou lá no Éden, e que aparece outra vez em Apocalipse como um grande dragão.

Lá no mesmo início de Gênesis, o Senhor Deus falou que essa serpente se alimentaria do pó, e parece que realmente ao longo da história, ela tem se alimentado muito, porque agora já não temos mais uma serpente, mas um dragão, com sete cabeças e dez chifres. E os olhos da humanidade estão postos nesse dragão, porque ele chama muito a atenção.

Com o avanço da tecnologia, muitas coisas têm assombrado a humanidade, e a humanidade tem posto os seus olhos ali. Mas quem vai pôr os seus olhos em uma mulher que está com dores de parto, no deserto? O Senhor dos exércitos! Ali estão os olhos do Senhor. Segundo os textos sagrados que estamos lendo aqui, ele está acompanhando de perto, ao longo da história, todo o processo dessa mulher que está para dar a luz ao Filho de Deus.

Subindo para o monte

Vamos ao livro de Ageu, como o livro da restauração, um livro dirigido em especial àqueles que começaram a edificar. Estes, que começaram a edificar, é esta mulher que está no deserto para dar a luz ao filho varão.

Então irmãos, Ageu para nós é um livro especial, para o tempo em que estamos vivendo. Um livro que nos toca, nos sacode, e nos desperta. Porque aquele dragão continua avançando, de forma paralela - isso é claro. E nós sabemos que, quando nascer o filho desta mulher, o dragão se oporá a ele, e não só vai se opuser ao filho quando nascer. Ele já se opõe agora, para que o menino não nasça. Ele não quer a expressão de Cristo na igreja; não quer que os principados e potestades nos céus vejam a manifestação da glória de Deus em Seus filhos. Ah, estamos em guerra, irmãos! Existe um dragão contra nós, mas, a favor de nós, está o Senhor dos exércitos.

Neste livro da restauração começamos a ver a expressão "o Senhor dos exércitos", e a necessidade desta expressão; e não só da expressão, mas também da Pessoa que está por trás desta expressão.

Também vemos a questão da necessidade de prioridade, porque era exatamente essa dificuldade que os israelitas estavam tendo. Eles perderam o propósito, e começaram a envolver-se com as suas próprias coisas; e não só se envolveram com as suas coisas, como também começaram a recolher os frutos desse envolvimento. Então, aquele que ganhava um bom salário, recebia o seu salário em um saco furado.

Se pusermos a ênfase no lugar errado, podemos colher os mesmos frutos. Os mais jovens principalmente, que acreditam que a universidade vai lhes dar uma boa vida no futuro. Vou devagar aqui. Não sou contra a universidade; o assunto é que se você puser a ênfase no lugar errado, você, que é um ser que nasceu de novo, não serve para duas coisas; não serve para o sistema do mundo. Se você for para ele, ele vai te lançar fora dali. Você sabe do que estou falando.

Então construímos uma idéia de que se tivermos uma boa vida aqui, e se pudermos ir ao culto no domingo de manhã, e fizermos algum serviço ali, e darmos o dízimo. Tudo isso está bem. Mas nós não fomos criados para isso; fomos criados para a glória de Deus. Fomos criados para que Cristo seja tudo em todos.

Então, no versículo 8 do capítulo 1 de Ageu, encontramos uma expressão importante; para mim, uma das mais importantes quando se fala da edificação da casa de Deus. "Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me deleitarei, e serei glorificado, diz o Senhor".

"Subi ao monte". Esse é o coração do assunto, porque nós sabemos que este monte representa o nosso Senhor. É um caminho de ascensão, um caminho que a nossa carne não vai desejar. No entanto, não existe edificação se não houver monte. Se não houver caminho sacerdotal de entrada, não haverá caminho de Reino na sua volta.

Aquele sacerdote que entrava no Lugar santíssimo, o sumo sacerdote, estava na presença de Deus, e quando ele saía, já tinha edificado nele a vontade de Deus para o povo. Deus precisa nos ter em Sua presença. Para mim, é o caminho mais difícil para os cristãos; é o mais difícil para mim. É um caminho de ascensão, porque a nossa carne não quer esse caminho, porque a guerra da qual falávamos a vez passada se trava precisamente neste ponto.

O diabo não é o grande problema, nem sequer o mundo; somos nós mesmos. Porque Deus está em nosso espírito, mas a edificação da casa é quando ele sai do espírito e adentra a alma. Mas a alma não quer a Ele; ela quer as coisas do mundo; há uma relação estreita entre o que está dentro e o que está fora. O que está fora nos chama. Há esse tridente contra nós: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, a soberba da vida. Ali está estabelecido o campo de batalha, aquela linha a que me referia do dragão e da mulher na história.

Um não pode edificar com o material do outro. O que está em nossa carne é perverso, e não só o aspecto negativo; os aspectos positivos são os mais perigosos. E esse rico acervo que temos na carne, é o que quer edificar a casa de Deus. Mas aquelas correntes são antagônicas entre si. A mulher não pode dar nada ao dragão, e o dragão não pode dar nada à mulher. O que é próprio do dragão é próprio do dragão; o que é próprio da mulher é o que é próprio da Trindade.

Aí está o campo de batalha: nas emoções, na mente, na vontade. Esse príncipe do ar que passa por aí, e às vezes coloca algo em nossa cabeça, e por não estarmos no monte, pensamos que aquilo começou a ser gerado em nosso próprio entendimento. Mas aquilo foi uma semente do maligno, e começamos a desenvolver a partir dali, e em pouco tempo tem uma grande árvore, e criamos para nós um grande problema.

Só é possível conhecer ou discernir o falso, quando conhecemos o que é verdadeiro. Há muita gente que está embaraçado no meio da igreja, porque não está no processo de edificação. Irmãos, não imaginem que só porque você tem vida eterna no espírito, você já está sendo edificado em sua alma. Se você está utilizando material do velho homem, essa não é a edificação legítima de Deus; é uma edificação contra Deus. E em um dia determinado, com apenas um sopro da sua boca, tudo isso será desfeito.

Então, este é o momento de estar muito atento para ver com que tipo de material estamos nos envolvendo. Se estivermos na edificação da Casa, precisamos compreender que há uma extrema necessidade de estar aos pés do Senhor Jesus. E isso não pode ser só uma teologia; isso precisa ser um pouco vivido entre nós.

Você não vai precisar falar. As pessoas vão chegar, e vão ver. Porque aqueles que andam com o Senhor, aqueles que olham para ele têm expressado em sua face à Sua própria imagem, a imagem dele. A gente pode falar muito; podemos nos esconder detrás do nosso caráter, ou esconder o próprio caráter; mas o que você fala, o que eu falo, não pode edificar a ninguém, não pode dar vida a ninguém. Porque a vida está no Espírito; a vida não tem fonte na alma, a vida não tem fonte na carne. A fonte da vida é o nosso Senhor Jesus Cristo, que está em nosso espírito.

O momento em que estamos com ele é o momento em que podemos expressá-lo. Por isso fomos feitos à sua imagem e semelhança. Precisa ser projetada uma imagem, e essa imagem é a imagem do Filho. Por isso, ele nos deu uma semelhança, deu-nos um espírito, porque ele é Espírito. Ele não circula por nossas veias; ele não está em nossa vida biológica, em nossa carne. Ele está em nosso espírito.

A edificação da casa de Deus começa no monte; a edificação da casa de Deus começa no Espírito.

A Sabedoria lavrou as suas colunas

Vamos para Provérbios capítulo 9. Nós sabemos que o capítulo 8 de Provérbios, em sua segunda parte, a partir do verso 22, fala da sabedoria. Sabemos que essa não é uma sabedoria terrena; é a sabedoria de Deus. É a sabedoria personificada. Aqui é uma pessoa -o nosso próprio Senhor. E ao iniciar o capítulo 9, começa dizendo: "A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas". A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas. Há sete colunas principais que aparecem em Provérbios, e estão totalmente ligadas com este assunto da edificação da Casa.

Se estamos envolvidos na edificação da Casa, necessitamos dessas sete colunas principais. Porque se você levantar uma parede lateral, e não existem duas colunas, uma de cada lado, essa parede, com um pouco de vento, pode cair. E o interessante é que as sete colunas neste livro sempre aparecem em relação com a sabedoria. E nós sabemos que a Sabedoria é uma pessoa.

Me acompanhem, por favor, no versículo 10: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria". O temor do Senhor é uma coluna. Isso está relacionado com a sabedoria. Não é que um sábio tem temor. O assunto é que a Sabedoria, essa Pessoa, lavra nessa casa o temor do Senhor. Por isso o capítulo 9, no início, diz que a sabedoria já edificou a sua casa e já lavrou as suas sete colunas.

No Brasil, e creio que aqui também, quando os construtores civis fazem uma coluna, utilizam uma espécie de caixa de madeira, que tem ferros por dentro em sua estrutura, e depois colocam o concreto. Depois tiram essa fôrma, e aí a coluna fica pronta. Ah, irmãos, quantos de nós queremos fazer a mesma coisa na casa de Deus. Na casa de Deus o assunto da coluna é muito mais sério.

O assunto na casa de Deus não é questão de fôrma. Muitas pessoas querem pôr uma fôrma, algum modelo, alguma maneira, na carne. Muitas pessoas, por não terem visão, querem fazer da casa de Deus uma caixa de sapatos. No entanto, os textos que temos aqui nos mostram que Deus lavra colunas. A Sabedoria já edificou a sua casa, e já lavrou as suas sete colunas. Ah, por isso é que o processo é doloroso!

Nós pensamos que o temor de Deus é sentar-se, cruzar as pernas e inclinar a cabeça. Não, isso não é assunto de moldes; é assunto de lavrar. E tampouco é assunto de homens lavrando.

A Casa não é edificada para a Casa

Vamos a Habacuque, por favor. Estamos falando daquela relação que é altamente necessária para a edificação da casa: Subir ao monte. Habacuque 2:14: "Porque a terra será cheia do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar". No que consiste a edificação da Casa? Sermos cheios Dele. Ah, por isso a necessidade de subir ao monte. Porque ele é a fonte. Não é uma questão de falar a respeito dele, não é questão de falar sobre as doutrinas a respeito dele - é uma questão de estar com ele, de viver com ele, em união com ele.

Aquela escada de Bet-el, pela que o nosso Senhor desceu e chegou até nós, quando estávamos mortos em nossos pecados… Ele fez aquele trabalho tremendo por nós, e agora nos levou juntamente com ele. E nos fez subir aquela escada, e nos assentou em lugares celestiais. Nós não temos necessidade de sair dali; a igreja não precisa sair dali. O problema da igreja é que sai dali. O enfoque, o ponto fundamental de tudo o que estamos vivendo na terra, parece que não vamos ter outra experiência; todas as experiências estão ligadas a este mesmo ponto. Todas as nossas derrotas, e inclusive as vitórias, tudo está relacionado com esse ponto.

Qual é o ponto? Estar com Ele. Você toma um irmão que já tem certa idade, que já tem cabelos brancos, e lhe pergunta: 'Irmão, qual é o assunto de Deus ao longo da história de sua vida, qual foi a sua experiência?'. (Eu já tive essa experiência com irmãos mais velhos). E sabe o que eles respondem? 'Jesus é muito bom, irmão'. Eles não trazem teologias complexas. Quando nos aproximamos deles, nós pensamos assim: 'Ah, agora eu vou sugá-lo'.

Aquele caminho do irmão mais velho, tudo o que ele ganhou de Cristo, ganhou no caminho. A gente quer cortar esse caminho, encontrarmos com ele já lá frente, passar rápido, e pôr a perna adiante do outro para que não passe, porque se ele nos transmitir essas informações, vamos ser tão espirituais como ele. O assunto é que não queremos todo o caminho, e tudo o que se aprende, aprende-se no caminho.

"Porque a terra será cheia do conhecimento da glória do Senhor…". Não é que Deus esteja em um lugar e sua glória esteja em outro lugar. Onde ele está, está a sua glória. O assunto é que nós não vemos essa glória. Ah, irmãos!

Ele diz que a terra será cheia do conhecimento da sua glória. Eu lhes confio, irmão, que ele está utilizando este vaso chamado igreja para encher de si mesmo, e a partir desse vaso, possa transbordar dele, a fim de que todos as de fora possam ser alcançados. Não imaginem que a edificação da casa de Deus é uma coisa voltada para a própria Casa. A edificação não tem como centro a própria Casa.

Nós somos muito domésticos. Eu, por exemplo, sou muito doméstico. Tenho sofrido um pouco aqui na Colômbia. Tenho dormido pouco. Mas, por que será isso? Tenho sentido falta do feijão. Mas, sabe o que é isso, irmão? Uma figura maravilhosa. Deus quer nos tirar do doméstico. A gente quer ficar só com um castelo santo, quer a igreja edificada para nós mesmos. Ah, porque se os irmãos forem edificados, eles serão tão maravilhosos. Vai acabar os irmãos problemáticos entre nós, será uma maravilha para nós.

Deus não está edificando uma Casa para a própria Casa. Deus quer dar um testemunho aos principados e potestades no céu, de quem ele é. A Casa é edificada porque a cidade precisa ser alcançada. Este também é um dos pontos da necessidade da edificação da Casa no tempo em que estamos vivendo.

"Porque a terra será cheia do conhecimento da glória do Senhor…". Porque se essa Casa tem que ser cheia, a fim de que a terra também seja cheia, o Senhor precisa nos mostrar um caminho. Eu tenho entendido, juntamente com outros irmãos, que não haverá edificação da Casa, se não houver subida ao monte, não haverá reconhecimento da glória se estamos afastados do monte. Ele se manifesta ali; o seu nome está ali, a sua glória está ali. Nós necessitamos também estar ali.

Do espírito para a alma

Jeremias 31:31-34. "Eis que vêm dias, diz Senhor, nos quais farei um novo pacto com a casa do Israel e com a casa de Judá... Este é o pacto que farei com a casa do Israel depois daqueles dias, diz Senhor: Porei a minha lei em sua mente, e a escreverei em seu coração; e eu serei para eles por Deus, e eles me serão por povo. E não ensinará mais ninguém a seu próximo, nem ninguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz Senhor…".

Viu a relação do que vimos em Habacuque, e o que agora vimos no versículo 34? Ele diz que ninguém mais dirá a seu irmão que deve conhecer o Senhor. E por quê? "…porque todos me conhecerão…". Essa é uma profecia que tem cumprimento no Novo Testamento. Todos o conhecerão. A Casa será cheia da sua glória.

Mas no verso 33 nos dá o caminho, o entendimento de como é que Deus está fazendo isso. Isso não é só algo que Jeremias profetizou e que em um determinado tempo específico do Novo Testamento vai se cumprir. Não, existe um processo desde a profecia até o seu cumprimento. Então, qual é o assunto? Para que sejamos cheios do conhecimento da sua glória, para se cumpra esta profecia, o verso 33 é o verso chave.

Diz a minha versão em português da Bíblia: "Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração". Nós sabemos que o interior é onde está o nosso espírito, e sabemos que a lei de Deus é aquilo que é próprio de Deus. Às vezes temos a idéia errada de que a lei de Deus é uma série de exigências que ele nos faz. É verdade, também tem esse aspecto. Mas, sabe por que Deus exige ela no Antigo Testamento? Porque aquilo que ele pede ao homem é o que é próprio Dele. Quando diz ao homem: "Não matarás", é porque Ele não é homicida.

Então, a lei de Deus, que está dentro de Deus e que faz parte da natureza de Deus, torna-se agora como uma lei para o homem que é a sua criatura. Mas, o homem caiu, e agora tem uma carne terrível, e agora não consegue… Por isso vai ver em Romanos capítulo 7 a crise que Paulo está vivendo. Por que ele está vivendo aquela crise? Porque é um homem que tem conhecimento da lei de Deus, mas ele também começou a aprender que a lei de Deus que estava fora não pode ser cumprida apenas pela lei do conhecimento.

Mas neste versículo estamos vendo que o Senhor está dizendo que poria a lei não só no lado de fora, mas a colocaria dentro de nós. Ele deve habitar com tudo aquilo que ele é, em nós, dentro de nós. Não podemos perder isso de vista. Nós sabemos que ele não está fazendo uma casa com uma cruzinha em cima. Mas você sabe, você tem visto, você tem contato com ele desde o espírito. Você tem conhecimento de que ele está em seu interior. E não somente um conhecimento intelectual, mas um conhecimento experimental.

Todos nós queremos edificar a casa de Deus; mas muitas vezes não sabemos onde começa esse processo. Toda a riqueza dele, irmãos, está em nosso espírito. O Senhor falou e disse: 'Eu sei o que vou fazer: Vou colocar a minha lei dentro deles. Já não vou fazer exigências do exterior. Eu mesmo vou me colocar dentro deles'.

Ele diz: "…a escreverei em seu coração". Ah, vamos desculpar os irmãos psicólogos. Reconhecemos que a psicologia cristã tem o seu lugar. Mas o assunto é a partir do espírito. O homem não pode falar de si mesmo a partir de si mesmo. Somente em uma atitude espiritual, em contato íntimo com Ele, com essa lei, com nosso próprio Deus no nosso interior. É que o nosso coração e toda a nossa alma começa a ser ganha. Essa é a edificação da casa de Deus.

"…a escreverei em seu coração". É interessante que ele coloca a lei no espírito. Ele não só escreve; ele coloca. Mas no coração, ele escreve; porque o coração está falando da nossa alma. A salvação é somente por graça, mediante a fé. E ele nos dá o seu Espírito. Mas, em relação à alma, ele precisa escrever. E aí está o campo de batalha, aí é onde se estabelece a guerra. Já não é só uma questão intelectual, não é uma questão filosófica, não é uma questão de uma boa palavra. É uma questão de um caminho estreito, que só individualmente, cada um de nós, podemos conhecer.

Impressiona-me que toda vez que você vê a cruz na Bíblia, está sempre acompanhada do Espírito. Às vezes nós queremos que os irmãos tenham uma cruz primeiro. Porque isso nasceu na gente; a gente quer fazer força até para receber a cruz, e para nos negar a nós mesmos. Não; isso não é assim. Nós vamos necessitar da ajuda dele. Isso é um atentado contra a vida, a vida antiga.

O homem não nasceu com a capacidade de negar-se a si mesmo; o que nasceu com o homem é impor a sua maneira. Já viu que o problema da igreja também é este? Há pessoas que são de uma maneira e quer impor a sua maneira. Elas não conseguem receber as outras maneiras. Há irmãos entre nós que são muito tranqüilos, e outros que são mais ativos. Mas em ambas as vidas, o Senhor tem lugar.

Nós temos que entender que este é um assunto de mutualidade. Não é assunto de nós exercitarmos as nossas maneiras e fazer que outros se submetam as nossas maneiras. O Senhor é um Corpo formado por muitos membros. E Cristo habita em todos os seus filhos. E cada um tem uma porção especial de Cristo para oferecer. Guarda-te do complexo de inferioridade. 'Ah, porque como eu não sou igual a Fulano…'.

Você é membro do corpo de Cristo. Não aceite essas sugestões do diabo, porque se você as aceitar, pode estar enterrando o seu talento, e Alguém vai te pedir conta por isso um dia. Todos somos iguais. Amém! Somos um em Cristo Jesus! Bendito seja o nome do Senhor! Não há lugar para individualismo. O tempo de Moisés passou, o de Isaías passou, o de Jeremias passou. Eles eram servos de Deus, mas muito focados individualmente.

No entanto, o propósito de Deus da eternidade, foi o de ter uma Casa edificada com o seu nome, e essa casa é o corpo de Cristo, e nós somos os seus membros, cada um em particular.

Uma das questões mais importantes no processo de edificação é que cada um de nós temos responsabilidades nesse processo. A Casa é edificada na medida em que você, individualmente, é edificado.

É como este vaso, que não pode derramar água para fora, porque tem pouca água. É uma figura parecida com a questão dos Coríntios. Paulo diz: "Com leite vos criei; não pude dar-lhes alimento sólido, porque não o suportariam".

Quer dizer, às vezes nós temos um propósito muito grande para mostrar aos irmãos o propósito de Deus. Mas a nossa estatura é pequena; então, torna-se incompatível com o propósito que ouvimos. Por isso Paulo está dizendo que quando ele era menino, vestia-se como menino, e quando chegou a ser grande trocou as suas roupas. O propósito seria como as roupas. Às vezes temos roupas maiores que nós. Nós crescemos pouco, mas o propósito que ouvimos no acampamento é muito grande, e não é compatível, e não vai ser prático.

O modelo está aqui. Se você quiser que a água transborde, se você quer viver uma vida madura dentro de um propósito grande do coração de Deus, o vaso tem que ser cheio. Se a igreja não crescer, individualmente primeiro -porque você não terá o coletivo sem indivíduos; o coletivo é o conjunto dos indivíduos- então precisamos crescer individualmente, e à medida que vamos crescendo, quando chegamos à borda, então começa a derramar.

Quando você tem vida, não só no espírito, mas também vida formada na alma, a igreja começa a receber edificação também. Então, o propósito de Deus é edificar a você primeiro, para que você possa trabalhar na obra do seu ministério.

Nós achamos assim: 'Bom, somos a igreja, o corpo de Cristo. Somos muitos membros'. E lemos Efésios capítulo 4, e ali diz que temos que fazer assim, dar trabalho aos irmãos, e cada um faz uma coisa. E assim a igreja está sendo edificada. Mas, com que tipo de material é essa edificação? Você acha que para fazer alguma coisa na casa de Deus, e se isso começar em sua própria alma ou em minha alma, você acha que isso pode realmente ser chamado edificação da casa de Deus? Edificação na casa de Deus é quando este vaso transborda. A sua função aparece, para a glória de Deus, quando você é transborda a Ele.

O assunto é o espírito, irmãos; o assunto é interior. Não fique olhando só a palha, olhando só o que está fora. Não fique no estereótipo, não fique na superfície. Eu necessito, você necessita, uma comunhão íntima e profunda com Ele, para que possamos ver este assunto por dentro. Este é um assunto misterioso, é um assunto enigmático. Esse assunto não está lá na esquina. Ele não está em qualquer lugar, ele não está em movimento. Não está em você sentir-se espiritualmente adequado ou se for muito extravagante em sua maneira de ser. Isso não é vida. Vida é Cristo, irmãos, em nosso espírito, querendo ganhar o nosso coração, querendo invadir a nossa alma, a fim de que toda a terra seja cheia do conhecimento de Deus.

Fortalecidos no homem interior

Este capítulo que acabamos de ler tem uma íntima relação com Efésios capítulo 3:14-19. Vamos ler. "Por esta causa dobro os meus joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, de quem toma o nome toda família nos céus e na terra, para que lhes dê, conforme às riquezas de sua glória, o serem fortalecidos com poder no homem interior por seu Espírito; para que Cristo habite pela fé em vossos corações, a fim de que, arraigados e fundados em amor, sejais plenamente capazes de compreender com todos os santos qual seja a largura, o comprimento, a profundidade e a altura, e de conhecer o amor de Cristo, que excede a todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus".

Existe uma relação entre a visão de Jacó e Efésios capítulo 3. Jacó viu a Casa. Jacó teve uma visão maravilhosa, a visão da casa de Deus, do mistério de Cristo, e Paulo, no Novo Testamento, parece ter a mesma visão. O que me chama a atenção é que há dois componentes importantes na visão de Jacó, e que um está relacionado com o outro. Se no Novo Testamento nós não conseguimos fazer essa relação, não se cumpre o verso 19 do capítulo 3 de Efésios, que diz: "…conhecer o amor de Cristo, que excede a todo conhecimento, para que sejais cheios…". A Casa não é suficiente para Deus, casa cheia sim.

Então, Jacó tem a visão da Casa, de Bet-el, e também teve a visão da escada. E depois, o que ele fez? Fez um negócio lá, centrou-se na sua alma. Isso, depois de ter visto a casa de Deus, depois de ter declarado que aquela era a porta do céu. Ele mesmo viu que havia uma relação entre o céu e a terra. Os anjos subiam e descendiam, e o Senhor estava na cabeceira daquela escada. Ele viu tudo isso. Isso chama a sua atenção? Porque nós vimos muitas coisas também…

O assunto é o seguinte. Se não houver relação entre a Casa e a escada, vamos ter a Casa -e de fato, já temos a Casa, porque isso é algo que Ele consumou na cruz-. No entanto, o assunto é: Como será que essa Casa será cheia? Essa Casa só pode ser cheia à partir do fruto do nosso relacionamento com ele.

Então, o que Paulo está dizendo aqui no capítulo 3 é que primeiro precisamos "ser fortalecidos no homem interior … segundo as riquezas da sua glória". Não, não são com modelos externos; não são com doutrinas e coisas superficiais. São "segundo as riquezas da sua glória", que seremos cheios no homem interior. E à medida que o interior é cheio, então, pela fé, começa a ser atingido o nosso coração e toda a nossa alma.

E à medida que vamos entrando com as nossas raízes nessa terra chamada Cristo, com raízes fortes, diz o verso seguinte: "…sejais plenamente capazes de compreender com todos os santos…". Se Deus não trabalhar na nossa alma desde o espírito, nos vamos ficar alegres apenas nas reuniões alegres, vamos dar abraços só quando entoarmos aqueles cânticos que convidam a isso. Mas quando sairmos daquela porta para fora, e se aquele irmão pisou no meu dedinho, acabou-se a comunhão.

Deus não está enganado em relação à edificação de sua Casa. E quando lhe dá uma causa para Paulo, pelo Espírito Santo, ele sabia o que estava fazendo. Paulo sabia o que estava falando. Se não formos fortalecidos no homem interior, vamos ter uma linda visão, a visão da casa de Deus, assim como Jacó teve. Mas depois, ele se foi por seu próprio caminho.

Esse caminho pode ser dentro da própria igreja. Não estou dizendo que nos vamos desviar do caminho; mas é possível que se perca o livro dentro da própria casa. Vamos ter cuidado, irmãos. A minha oração nesta hora é que o Senhor nos dê olhos abertos não somente para ver a Casa.

Não é suficiente ter visão da igreja; precisamos subir a escada do relacionamento com Deus. Ele está no topo da escada. Tal como no Antigo Testamento que tinha que subir ao monte e ficar lá, como disse Deus a Moisés, assim no Novo Testamento, precisamos subir a escada de relacionamento com Deus.

Estamos falando da igreja; não estamos falando de um indivíduo. Se estivéssemos falando de um indivíduo, tudo estaria resolvido. Temos muitos irmãos espirituais entre nós; mas o desafio não é esse. O desafio é todos crescermos juntos. Não importa se houver só uma pessoa espiritual entre nós, ou se há quinze espirituais.

Às vezes nos enfocamos nos espirituais. Fixamos os nossos olhos neles, observamos como eles andam, como sentam, como cruzam as pernas, se usam barba ou se não usam, se são magros, se são gordos. Essa é nossa formatação. No entanto, Deus não está preocupado com isso. Nada, nada. Se usarem barba ou não, se forem gordos ou fracos, se forem altos ou baixos, se tem olhos azuis. Não. Deus está interessado em um Corpo edificado para a glória do seu nome. Bendito seja o nome do Senhor!

Que o Senhor nos dê visão para ver que ele quer um Corpo edificado para o seu nome, porque essa foi a expressão do Pai: "Um rei quis -o Rei é ele, o querer é o propósito eterno dele- de fazer bodas ao seu filho". As bodas somos nós com ele, com o Filho. Não somos uma viúva de marido vivo. Somos a igreja de Cristo, um vaso para conter a sua plenitude.

Deus não será glorificado, irmãos, se você e eu não nos levantarmos por graça de Deus, e arregaçarmos as mangas, pela fé, não por nossa própria força. Não queremos estar com as bochechas vermelhas de fazer força, queremos avançar pela fé nele, no Senhor dos exércitos. Ele está conosco; ele é o maior interessado neste assunto. Ele não vai se separar de sua linha de eternidade a eternidade em seu processo conosco.

Não vamos deixar passar o nosso tempo, irmãos. Vamos estar aí, na edificação da casa de Deus. Deus lhes abençoe, irmãos.

Síntese de uma mensagem ministrada no Retiro de Sasaima (Colômbia), em Julho de 2008.