Leitura:
Deuteronômio 20:4-8.
Deuteronômio
capítulo 20 se refere a nossa batalha contra o nosso
inimigo. O versículo 1 nos diz que o nosso inimigo será
sempre mais poderoso, com cavalos, carros e um povo claramente
mais numeroso que nós. Mas ainda assim não devemos
temer-lhe, porque "o Senhor vai conosco, para lutar por
nós contra os nossos inimigos, para nos salvar"
(V. 4).
Palavras
consoladoras
Em
seguida nos dá quatro cenários onde as baixas
(mortes) poderiam ocorrer: 1) quem acabou de construir uma casa
nova, 2) quem acabou de plantar um vinhedo, 3) quem acabou de
comprometer-se em matrimônio, e 4) os que estão
assustados.
O
resultado possível dos quatro panoramas é igual:
"...não seja que ele morra na batalha". A solução
para os quatro casos também é a mesma: "Vá,
e torne para a sua casa" (vv. 5-7). Isto nos apresenta
um paradoxo muito interessante: por um lado, temos a promessa
do Senhor de ir conosco, para lutar por nós e nos salvar;
e por outro, a perspectiva das baixas no fragor da batalha é
muito real.
Quando
a Bíblia nos apresenta um paradoxo, há geralmente
algo muito interessante que espera para ser revelado.
A
promessa do Senhor de ir adiante, lutar e nos salvar representam
a Sua graça. A batalha não é nossa; é
do Senhor. Fazemos frente a um inimigo experiente, ardiloso
e formidável, que tem cavalos, carros e um povo mais
numeroso que nós. Este antigo inimigo, ardiloso e desumano
enganou e tem causado estragos à humanidade por séculos.
Mas no último campo de batalha, no Calvário, o
nosso Senhor Jesus foi adiante de nós para batalhar e
nos salvar. O inimigo foi derrotado de uma vez para sempre e
nós fomos salvos por Sua graça.
O
Senhor agora está fazendo um trabalho mais profundo e
mais refinado por Sua própria graça para produzir
o caráter do Seu Filho interiormente em nós, de
modo que, mediante a Sua graça, também nós
possamos agora fazer frente a um inimigo derrotado e obter diariamente
as nossas vitórias. Não é por nosso próprio
esforço, força ou capacidade, mas sim pela presença
poderosa do Espírito Santo em nós e através
do Seu trabalho subjetivo de levar à morte as obras da
carne (Rom. 8:13 b).
Assim
conseguimos obter estas vitórias diárias.
Em
outras palavras, se não cedermos ao Senhor nenhum terreno
para que faça o seu trabalho mais profundo e mais refinado
em nós, e se formos insensíveis aos seus tratamentos,
quer dizer se "dermos coices contra o aguilhão",
ali não haverá nenhum elemento de Cristo que seja
agregado em nós, e nós enfrentaremos à
perspectiva de certas baixas em nossas batalhas espirituais.
Contei
freqüentemente em um encontro que tive pouco depois de
ter nascido de novo, no Peru em 1968. Meus pais nos levaram
a visitar alguns amigos na Casa Grande, e ali conhecemos a Bert
Elliot (irmão de Jim Elliot) e sua esposa, Colleen, missionários
nas selvagens e primitivas selvas peruanas. Ali na sala de estar
da família de nossos amigos, eu vi os seus rostos. Nunca
tinha visto algo similar nem poderia explicá-lo, mas
me senti como vendo uma luz radiante emitir do rosto desse casal.
Neste mesmo dia, 39 anos mais tarde, aquela imagem segue vívida
em mim. O que foi aquilo que vi? - pergunto-me freqüentemente.
Com
o passar dos anos, depois de ter sofrido muitas baixas em minhas
batalhas espirituais com o inimigo, comecei lentamente a entender.
Certamente era o Cristo que tinha sido profundamente lavrado
e constituído em seu ser com muitos tratamentos, sofrimentos
e rompimento do vaso de alabastro, que chegou a impactar e tocar
as vidas de muitas pessoas. Totalmente desconhecido para mim,
até então um cristão renascido
o
que vi em seus rostos era Cristo!
Isto
nos leva aos quatro casos de pessoas que foram enviados para
casa do campo de batalha: 1) Aquele que construiu uma casa nova,
2) que plantou um vinhedo, 3) que se casou, e 4) o que era tímido
de coração.
Uma
característica comum parece operar nos quatro aspirantes
a soldados que foram enviados para casa - careceram de maturidade
e estabilidade no Senhor.
Para
estes quatro tipos de homens, o Espírito Santo destacou
quatro áreas importantes que os fizeram inúteis
nas mãos do Senhor: casa, vinhedo, esposa e medos.
Casa
Antes
que possamos entrar na batalha contra o formidável inimigo,
precisamos experimentar a Cristo como nossa "casa".
Temos que conhecer a disposição, o plano, as habitações,
o equipamento e a formosura de Cristo, se é que vamos
para a batalha. Antes de qualquer coisa, necessitamos uma visão
dele e do Seu propósito eterno (plano e disposição).
Precisamos morar confortavelmente em Cristo "que é
estar arraigados e fundamentados nele" e permitir-lhe o
"fazer morada (casa) em nossos corações"
(as habitações).
Precisamos
possuir uma boa medida das riquezas e do caráter de Cristo,
de modo a poder exibir adequadamente as riquezas de Cristo (o
equipamento). Finalmente, precisamos ser alargados, mediante
os seus tratamentos, em Cristo, e produzir abundância
de ervas e de especiarias da fragrância da sua ressurreição
em nosso caráter (formosura de Cristo). Quando todos
estes elementos se conjugam em nossa experiência, estamos
experimentando a Ele como nossa "casa" ou habitação".
Vinhedo
Em
seguida precisamos experimentar a Cristo como nosso "vinhedo
ou vinha". Tem que haver uma evidência de que a graça
encha de tal maneira as nossas vidas que permita nos ocupar
e trabalhar com Cristo, a fim de que o fruto possa produzir-se.
Paulo disse aos Coríntios, "eu sou o menor dos apóstolos
antes trabalhei mais do que todos eles, não eu, mas sim
a graça de Deus comigo" (1 Coríntios 15:9-10).
Uma
apropriada experiência da graça nos capacitará
sempre com a carga e a capacidade de Co-trabalhar com o Senhor;
e o ministério que resulta é o nosso "vinhedo".
Muitos santos preciosos desejam zelosamente servir ao Senhor
e serem úteis em suas mãos, mas o seu engano comum
é centrar-se no que ele pode ou deseja fazer para o Senhor
em vez de permitir que a graça faça um cultivo
mais profundo no terreno do seu coração.
A
maioria de nós tem corações cheios de pedras
que precisam ser tiradas ou removidas. Diariamente o nosso coração
é distraído pelo agito do mundo que tende a endurecer
os solos do nosso coração fazendo-o duro e denso.
Necessitamos que o Senhor remova as pedras e quebrante e remova
os chãos, de modo que as videiras possam criar raiz em
nossos corações.
Freqüentemente
o nosso coração é ressecado pela dureza
que nos rodeia; diariamente o pó do mundo, a rotina dos
nossos afazeres e tantos trabalhos que não temos nenhuma
umidade que deixe produzir vida. Necessitamos grandemente de
que a graça umedeça e regue a terra seca do nosso
coração.
Uma
vez que o Espírito Santo tenha cultivado e a graça
tenha irrigado o chão para uma tenra recepção
de Cristo e da sua palavra, as videiras em nós criarão
raízes, florescerão e darão fruto. Quando
experimentamos a Cristo como nosso "vinhedo" não
há necessidade de procurar os ministérios ou de
perguntar como podemos servi-lo. Nossa vinha será o nosso
ministério.
No
capítulo final de Cantar dos Cantares, a sulamita declara:
"Salomão teve uma vinha em Baal-Hamon, a qual arrendou
a guardas, cada um dos quais devia trazer mil moedas de prata
por seu fruto. A minha vinha, que é minha, está
diante de mim; as mil serão tuas, OH Salomão,
e duzentas para os que guardam o seu fruto" (Cantares 8:11-12).
Aqui
vemos a sulamita que foi profundamente tratada e que produziu
uma vinha cheia de Cristo, a qual veio a ser o seu ministério.
Não só satisfez a Deus, a quem lhe oferecem as
"mil peças de prata," mas também, tem
um excedente das riquezas de Cristo para compartilhar com outros
- as "duzentas peças".
Muitos
preciosos irmãos estão muito preocupados perguntando-se
qual será o seu 'ministério', mas eles esqueceram
o assunto mais importante - não tem deixado Cristo cultivá-los
e irrigá-los como a uma vinha. É perigoso envolver-se
em um ministério sem ser tratado como uma "vinha".
Maria,
quem quebrou o vaso de alabastro, não procurou um ministério.
A fragrância que emanou de seu vaso quebrado era o seu
ministério. E que poderoso ministério foi! Depois
de dois mil anos, essa fragrância persiste na casa até
hoje. Pode perceber o seu aroma?
Dorcas
não procurou um ministério. Ela fez as túnicas
e os vestidos para as viúvas. OH, mas que grande ministério
ela tinha. Quando ela morreu, os anciões tiveram que
enviá-la para que Pedro a trouxesse de volta! Isso demonstra
quantas saudades sentiam do seu 'ministério'! Olhe ao
redor. Vê pessoas ocultas, pouco conhecidas e sem fama,
sem 'glamour' como ela, nas igrejas de hoje?
Note
que a sulamita em Cantar dos Cantares diz: "A minha vinha,
que é minha, está diante de mim". O que a
separou de todas as demais é que ela tinha 'a sua própria
vinha'; o restante deles era simplesmente "encarregados"
(guardas) do vinhedo. Também, a sua vinha estava "diante
dela". Quer dizer, em qualquer ambiente onde o Senhor nos
coloque, tem o potencial de converter-se em nossa vinha.
A
vinha de Dorcas era algo que estava diante ela -costurando roupas
para as viúvas necessitadas-, não pregando em
algum púlpito - com o devido respeito aos pregadores.
Em vez de perguntar qual seja o nosso ministério, faríamos
bem em nos perguntar a nós mesmos se possuímos
uma vinha. Então, olhemos ao redor para ver o que é
que temos diante de nós.
Não
penso em fazer alguma coisa em minha velhice, embora o tempo
seja na verdade um elemento crítico; hoje estou muito
contente onde o Senhor me colocou. Por sua graça, ele
está cultivando e irrigando a sua vinha em mim. Removendo
as pedras e umedecendo a terra -e meus olhos atentos ao Lavrador-
o ministério que resulte não será nada
do que deva me gabar. É tudo dele. Tudo dele.
Amor
Então
o que acontece com o apaixonado? A intimidade vem à mente.
Nota a necessidade de desenvolver intimidade com o Senhor? A
única e mais prejudicial enfermidade que murcha a vida
e que é como uma praga na maioria dos cristãos
é a falta de intimidade com o Senhor. Muitos cristãos
exibem os seus dons, as suas obras, o seu zelo, mas têm
muito pouca experiência no quarto secreto.
Pode-se
dizer, alguns cristãos não têm a menor idéia
sobre experiências no quarto secreto. Tome o exemplo de
qualquer caráter santo na Bíblia; não encontrará
nem um só que não tenha tido experiências
íntimas com o Senhor. Tome qualquer caráter santo
na história cristã; não há nenhum
que não tenha tido doces experiências íntimas
com o Senhor. Não é nosso conhecimento, dons,
ou zelo o que nos faz soldados: é nosso conhecimento
de primeira mão e experiência íntima que
nos permitem (ou nos capacitam para) fazer frente ao inimigo
no campo de batalha.
O
coração covarde
Agora
vamos a aquele que está assustado. O medo provém
de uma constituição interna frágil. Enfim,
este último suposto soldado é o resultado dos
três anteriores, quer dizer, carência de experimentar
a Cristo como a casa, carência de experimentar a Cristo
como a vinha, e carência de experimentar a Cristo na intimidade.
Finalmente,
a solução aos quatro tipos de soldados desqualificados
é a mesma: "Volte para a sua casa". Quando
não experimentamos a Cristo como nossa "casa",
nossa "vinha," ou nosso "amor" seremos limitados
pelo medo e incapazes de lutar contra o inimigo. A única
solução é voltar para a nossa "casa".
Quase não é necessário dizê-lo, precisamos
entrar individualmente na realidade espiritual de Cristo em
todas estas três áreas deixando-o tratar profundamente
em nós e lançar mão da graça que
ele provê em cada caso. O tratamento do Senhor é
uma questão muito pessoal e individual. Mas tem que haver
um ambiente corporativo para balançar e para regular
nossas experiências individuais.
Notem
que o Senhor não disse: "Volte para a sua nova casa",
"a sua vinha", ou "a sua noiva". Ele disse:
"Volte para a sua casa".
A
riqueza da Casa de Deus
A
casa é um tipo da igreja; é o ambiente corporativo
que balança nossas experiências individuais. Ninguém,
nem os 'gigantes espirituais', podem conhecer o Senhor, ver
o Senhor, ouvir o Senhor sozinhos, por si mesmos. Sem o corpo
-a casa- que nos regule e equilibre, nossa experiência
espiritual estará condenada à decepção,
ao engano e à inutilidade, não importa quão
dotados sejamos.
É
na "casa" onde aprendemos a nos sujeitar uns aos outros.
É na "casa" onde se adquire a Sua humildade.
É na "casa" onde se prova a nossa capacidade
para a batalha. É na "casa" onde seremos equipados
para a guerra contra o inimigo.
Muitos
santos se lançaram no campo de batalha sem estar corretamente
preparados. Alguns partiram para o campo de batalha, mas nunca
tornaram completamente à Casa.
Com
toda a honestidade, nenhum de nós está qualificado
para ir ao campo de batalha. E o Senhor, em sua graça,
enviou a "casa", não a qualquer casa, para
nos consolidar. Que o Senhor nos conceda um grande desejo por
Sua Casa.
É
nesta Casa onde finalmente aprendemos a possuir, em uma medida
mais completa, com todos os santos, a realidade da "casa",
do "vinhedo" e da "noiva". Ajuda-nos Senhor!
Traduzido
de www.thecloseddoor.com. Usado com permissão do autor.