Bakht
Singh nasceu em 6 de junho de 1903, de pais abastados, Jawahar
Mau Chabra e Lakshmi Bai, no setor norte de Punjab, que hoje
é parte do Paquistão. Era o mais velho entre seis
irmãos. Seus pais eram seguidores da religião
Sikh, dominante na região.
Ainda
pequeno foi educado em uma escola da Missão Presbiteriana,
Bakht cresceu odiando os cristãos, devido à idéia,
muito predominante nesse tempo, de que a religião cristã
era uma ferramenta a serviço da colonização
ocidental, e que perturbava as tradições e culturas
locais. Junto a outros adolescentes hindus, ele estava acostumado
a zombar dos pastores e mestres da Bíblia.
Por
cinco anos ele estudou em um internato. Os hindus e os muçulmanos
viviam em um lado, e os cristãos no outro. Durante todos
esses anos ele nunca visitou o lado cristão. Certa vez,
depois de aprovado em um exame, foi dada de presente uma Bíblia.
Bakht pegou e a rasgou. Conservou só a capa porque tinha
uma bela encadernação de couro. Ele estava acostumado
a passar muitas horas nos templos Sikh observando todos os ritos
religiosos.
Desde
jovem, Bakht tinha muitas ambições, como estudar
na Inglaterra, viajar ao redor do mundo, desfrutar da amizade
de todo tipo de pessoas, e permanecer fiel a sua religião.
Também aspirava poder vestir roupas elegantes e comer
comida da classe alta. A ambição de estudar na
Inglaterra era para demonstrar aos britânicos que ele
não era inferior a eles.
No
entanto, o seu pai se opunha a sua ida para a Inglaterra. Ofereceu-lhe
muito dinheiro tentando convencê-lo de que ficasse com
ele para que lhe ajudasse em seu negócio. Tinha estabelecido
uma nova fábrica de algodão e queria contar com
o seu filho mais velho. Mas Bakht queria ir para a Inglaterra.
Ao concluir seu exame final no colégio, Bakht se sentiu
muito triste porque não poderia cumprir o seu desejo.
Sendo
o filho mais amado por sua mãe, disse-lhe: "Te ajudarei
a ir para a Inglaterra, mas me prometa que não mudará
de religião". Ele respondeu a ela: "Realmente
crê que eu trocaria a minha religião?", assegurando-lhe
firmemente sua lealdade e fidelidade. Ela, então, persuadiu
o seu marido para que deixasse o seu filho ir. "Meu pai,
como um homem de negócios, pensava em termos de dinheiro,
minha mãe, sendo uma pessoa religiosa, pensava em termos
de religião" - diria depois Bakht Singh.
E
assim em 1926, depois de graduar-se na universidade estatal
em Lahore, foi como estudante estrangeiro para a Inglaterra
e se matriculou no King's College (Universidade do Rei), em
Londres, para estudar engenharia mecânica.
Os
primeiros meses na Inglaterra, Bakht permaneceu fiel a sua religião.
Manteve o seu cabelo comprido e sua barba, como correspondia
a um 'sikh'. Mas logo perdeu a fé, raspou-se, e se tornou
ateu e liberal. Nos dois anos seguintes adquiriu todos os piores
costumes do mundo ocidental: beber, fumar, vestir-se na moda,
visitar teatros, cinema e salões de baile. Também
viajou pela Europa, visitou museus, galerias de arte, fez-se
amigo da boa mesa, e fez amizade com pessoas de todas as classes
sociais. Tudo o que certa vez havia desejado, o obteve.
Mas
de repente começou a perguntar-se: "Sou mais feliz
que antes?". O estado do seu coração dizia-lhe
que estava muito pior, porque havia se tornado egoísta,
orgulhoso e ambicioso. Tinha aprendido a mentir cortesmente
a seus pais. Desencantado, comprovou que o mundo inteiro, seja
no oriente ou no ocidente, é "vaidade de vaidades".
Então
veio o grande dia da fé, em 11 de agosto de 1928, quando
teve o seu primeiro encontro com o Senhor Jesus Cristo. Viajava
de férias com um grupo de estudantes para o Canadá
em um transatlântico, quando teve oportunidade de participar
de um serviço cristão a bordo. Indiferente no
princípio, o seu orgulho nacional e religioso lhe fez
quase abandonar o serviço enquanto outros oravam; mas
logo, por cortesia, desistiu, e se ajoelhou como os outros.
Nesse momento sentiu que um poder divino o envolvia, lhe trazendo
um grande gozo. Tudo o que pôde fazer foi pronunciar reiteradamente
estas palavras: "Senhor Jesus, eu sei e eu creio que tu
és o Cristo Vivo". Nesse dia desapareceram os seus
preconceitos raciais e de classe.
"Até
ali, eu tinha sido um ateu, e em minha necedade havia dito freqüentemente
que não havia Deus. Desde esse dia, as palavras 'Cristo
Vivo' de algum modo chegaram a ser muito reais para mim. Esta
experiência me deixou com um desejo forte de saber mais
do Senhor Jesus vivo. Até então não tinha
absolutamente idéia alguma da vida ou do ensino do Senhor
Jesus Cristo", confessaria ele anos depois.
Logo
depois de uma estadia de três meses no Canadá,
retornou a Inglaterra. Uma vez ali, tentou assistir aos serviços
na igreja, mas foi desestimulado pelo ambiente gelado e indiferente
que imperava nas reuniões. Preferia ir aos templos quando
estavam vazios, porque ali sentia paz. Durante um ano não
contou a ninguém a sua experiência cristã.
O desejo de fumar e beber que tinha tido, foi-se sem que ninguém
o proibisse.
Em
1929 retornou ao Canadá, para terminar o seu curso de
Engenharia em Agricultura, na Universidade de Manitoba, Winnipeg.
John e Edith Hayward, cristãos devotos, favoreceram-no
e o convidaram a viver com eles. Eles estavam acostumados a
terminar cada jantar lendo a Bíblia. Quando um amigo
lhe deu de presente um Novo Testamento, ele se fechou em seu
quarto e ficou lendo até as 3 da manhã. O dia
seguinte amanheceu totalmente nevado, assim permaneceu todo
o dia na cama, só para ler.
O
segundo dia, enquanto lia o Evangelho de João, capítulo
três, chegou ao versículo 3, e se deteve na primeira
parte do verso. As palavras "Em verdade, em verdade te
digo" lhe fizeram se sentir culpado. "Justo quando
li estas palavras - conta ele - o meu coração
começou a pulsar mais forte. Eu senti que alguém
estava de pé ao meu lado dizendo uma vez e outra vez,
"Em verdade, em verdade te digo". Eu estava acostumado
a dizer, "a Bíblia pertence ao ocidente", mas
a voz dizia, "Em verdade, em verdade te digo". Eu
nunca me havia sentido tão envergonhado como me senti
então, porque todas as palavras blasfemas que eu tinha
proferido contra Cristo vinham diante de mim. Todos os meus
pecados dos dias do colégio e da universidade vieram
diante de mim. Pela primeira vez aprendi que eu era o maior
pecador, e descobri que o meu coração era mau
e sujo.
Os
meus pequenos zelos contra os meus amigos, meus inimigos, minha
maldade, estavam todos claros diante de mim. Meus pais pensavam
que eu era um bom jovem, meus amigos me consideravam um bom
amigo, e o mundo me considerava um membro decente da sociedade,
mas só eu conhecia o meu real estado. Lágrimas
rolaram por minha face e eu estava dizendo, " OH! Senhor
me perdoe. Verdadeiramente eu sou um grande pecador". Por
um tempo senti que não havia esperança para mim,
um grande pecador. Enquanto eu chorava novamente, a Voz disse,
"Este é o meu corpo moído por ti, este é
o meu sangue derramado para a remissão dos seus pecados".
Então soube que só o sangue de Jesus podia me
lavar dos meus pecados. Não sabia como, mas sabia que
só o sangue de Jesus podia me salvar. Não podia
explicar o fato, mas gozo e paz vieram a minha alma; eu tive
a segurança de que todos os meus pecados foram apagados".
Pouco
depois, Bakht conseguiu a sua própria Bíblia e
começou a lê-la, desde Gênesis a Apocalipse,
com grande desfrute. Estava acostumado a ler até 14 horas
seguidas. Em pouco mais de dois meses terminou a Bíblia
completa, e várias vezes o Novo Testamento. Logo começou
a lê-la novamente, por segunda e terceira vez. Nos próximos
dois anos deixou de ler toda espécie de revistas, periódicos
e novelas, para dedicar-se só à leitura da Bíblia.
O seu conhecimento e a sua fé foram crescendo rapidamente.
Um
dia, ao chegar a Hebreus 13:8, leu: "Jesus Cristo é
o mesmo ontem, e hoje, e pelos séculos". Por muitos
anos, ele tinha sofrido de fluxo nasal, sem que os vários
médicos consultados pudessem lhe ajudar de verdade. A
isso se adicionaram problemas com a vista. Então orou:
"Curará o meu nariz e me dará boa vista?".
Pela manhã, quando despertou, descobriu com muita alegria
que tinha sido curado. Depois, não só ele foi
curado, mas também muitos mais foram curados pela oração.
Em
4 de fevereiro de 1932, Bakht Singh foi batizado em Vancouver,
Canadá. Depois do batismo, ia de um lugar a outro dando
o seu testemunho. Dois meses depois, ele foi confrontado pelo
Senhor a respeito do seu futuro, e decidiu deixar de lado as
suas ambições terrestres, para consagrar-se por
inteiro ao Senhor.
No
entanto, ele sentiu que o Senhor lhe estreitava o caminho. "Terá
que viver por fé. Você não deve pedir nada
a ninguém, nem sequer aos seus amigos ou relacionamentos.
Não deve pedir nem sequer um copo de café. Você
não irá fazer nenhum plano". A isto, o principiante
servo de Deus replicou: "Senhor, por um lado você
quer que eu renuncie a todos os meus direitos de propriedade
e de ter um lar, e me diz que viva simplesmente por fé.
Quem vai prover as minhas necessidades?". Então,
sentiu que o Senhor lhe dizia: "Esse não é
problema seu".
Posteriormente,
ele sintetizou assim as condições de sua chamada:
1.
Não te insira em nenhuma organização -
serve a todos por igual
2. Não faça o seu próprio plano. Permita-me
te guiar e te levar em cada passo do caminho.
3. Não torne conhecida as suas necessidades a nenhum
ser humano. Só peça a mim e eu te proverei as
suas necessidades.
Durante
um ano, Bakht Singh permaneceu na América como pregador,
porque já tinha deixado de lado a sua carreira de Engenheiro.
Em 19 de outubro de 1932 escreveu aos seus pais relatando-lhes
a sua conversão. Cinco meses depois - em 6 de abril de
1933 - ele retornou a Bombay, depois de sete anos de ausência.
Tinha 30 anos de idade.
A
volta
Em
Bombay se reuniu com os seus pais. "Nós somos os
únicos que sabemos que és um cristão",
disseram-lhe. "Por favor, guarda-o em segredo e pode ler
a sua Bíblia e ir à igreja quando quiser".
"Posso viver sem respirar?", respondeu Singh. "Eu
dei a minha vida inteira a Cristo que morreu por mim. Não
posso segui-lo em segredo". "Se não puder guardar
segredo, então não poderá vir para casa",
responderam os seus pais, e o deixaram ali.
No
entanto, os seus pais ficaram tristes. O seu pai foi a conotados
mestres hindus para perguntar-lhes como podia conseguir paz.
Eles lhe disseram que era uma coisa difícil de obter.
Então um domingo passou em frente a um templo. O serviço
estava a ponto de começar. Entrou sem nenhuma intenção
particular, e ocupou um assento na parte de trás. No
momento que começou o serviço, ele viu uma grande
luz que lhe fez exclamar: "OH Senhor, você é
o meu Salvador também". Então se entregou
ao Senhor e uma grande paz inundou a sua alma. Depois disso
o seu pai lhe apoiou decididamente em seu ministério
entre os hindus. O resto da família chegou também
paulatinamente à fé.
Singh
começou como um ardente pregador itinerante ao longo
da Índia, e alcançou a muitos com o evangelho.
Depois de servir por alguns anos, Deus trouxe um avivamento
poderoso através dele a Martinpur (agora parte do Paquistão)
e outros lugares em Punjab. "O papel de Singh no avivamento
de 1937 que envolveu a igreja em Martinpur inaugurou um dos
movimentos mais notáveis na história da igreja
no subcontinente indiano", declarou Jonathan Bonk no Dicionário
Biográfico de Missões Cristãs, publicado
por Simon & Schuster Macmillan, em 1998. "Os anos iniciais
do seu ministério foram marcados por poderosos milagres
e maravilhas, incluindo curas físicas e grandes avivamentos".
Em
1937, Singh foi um dos oradores na Convenção de
Sialkot, que era organizado pela Igreja presbiteriana e outras
denominações. Falou de Lucas 24:5 "Porque
procuram entre os mortos ao que vive?". A sua pregação
eletrizou os participantes e organizadores igualmente. Nas palavras
de J. Edwin Orr, Historiador britânico da Igreja, "Bakht
Singh é um evangelista indiano equivalente aos maiores
evangelistas ocidentais, tão hábil como Finney
e tão direto como Moody. Ele foi um mestre da Bíblia
de primeira classe da ordem de um Campbell Morgan ou Graham
Scroggie".
Logo
Bakht Singh se tornou um nome familiar entre os cristãos
protestantes ao longo da Índia. As notícias de
sua vida extraordinária e ministério se espalharam
pelo mundo através das revistas missionárias e
boletins. Ele foi um dos mais procurados entre os evangelistas
jovens na Índia nesse momento. Só em um mês
recebeu mais de 400 convites de toda a Índia. Em 1938,
ele foi a Madras e depois a Kerala e outras partes do Sul da
Índia. Milhares de pessoas se voltaram para Cristo. Segundo
Dave Hunt, autor e escritor, "A chegada de Bakht Singh
tornou as igrejas de Madras ao reverso... As multidões
se reuniram ao ar livre, em torno de 12.000 em uma ocasião
para ouvir este homem de Deus. Muitos tremendamente doentes
foram curados quando Bakht Singh orou por eles, inclusive surdos
e mudos começaram a ouvir e falar".
Início
da obra
Sempre
que a igreja - o Corpo de Cristo - passa através de um
declive espiritual, o Senhor, que é a Cabeça da
igreja, levanta os seus vasos escolhidos para trazer vitalidade
ao Corpo. No entanto, o ministério de Singh não
fluiu pelas vias habituais. Singh compreendeu que o novo vinho
requeria novos odres. Depois de uma noite de oração,
junto a alguns dos seus co-obreiros, no cume de um monte em
1941, teve a visão de começar a contextualizar
o padrão das assembléias locais nos princípios
do Novo Testamento.
O
Senhor o levou e os seus co-obreiros a estabelecer uma igreja
local para cumprir os quatro propósitos da Igreja sobre
a base de Atos 2:42. Estes princípios podem ser aplicados
em qualquer país, em qualquer cultura sem comprometer
a Palavra de Deus revelada. Os quatro propósitos da Igreja
são:
1)
Mostrar a plenitude de Cristo (Efésios 1:22-23).
2)
Perseverar na unidade de Cristo - a unidade de todos os crentes
(Efésios 2:14-19).
3)
Perseverar em Sua sabedoria (Efésios 3:9-11)
4)
Mostrar a Sua glória (Efésios 3:21 e Atos 2:42).
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão
uns com outros, no partir do pão e nas orações".
A
primeira igreja se estabeleceu em Madras, Tamil Nadu, em 12
de julho de 1941, e foi chamada "Jehovah Shammah".
Na década de '50 surgiram outras em Madras e Hyderabad
no Sul, e em Ahmadabad e Kalimpong no Norte. Singh sustentou
a sua primeira 'Santa Convocação', apoiada em
Levítico 23, em Madras em 1941. Mas a assembléia
em Hyderabad sempre foi a maior, atraindo a 25.000 participantes.
Comiam e dormiam em barracas, e se reuniam sob uma grande palhoça
para longas horas de oração, louvor e reuniões
de instrução que começavam na alvorada
e acabavam tarde da noite. Não se recrutavam trabalhadores
para as reuniões. O cuidado e alimentação
dos convidados era dirigida por voluntários. Os gastos
para as reuniões eram pagos por ofertas voluntárias.
Não se pedia dinheiro de fora.
Desde
Madras a Hyderabad
Bakht
Singh cria firmemente na eficácia dos obreiros nativos
para fazer a obra de Deus na Índia. Por anos, o país
tinha dependido das missões estrangeiras, por isso, parte
da visão de Singh incluía a preparação
de obreiros. Em meados dos anos '50 o Senhor proporcionou os
meios para abrigar o ministério da igreja extra local.
Ele chamou o novo lugar 'Hebrom', em Hyderabad. Ali eram ensinados
os novos obreiros nas Escrituras diariamente, participavam dos
afazeres domésticos e pregavam e davam testemunho na
rua. Eles ficavam até que tivessem aprendido o que precisavam
saber, e então saíam para fazer a obra de Deus,
voltando quando quisessem.
O
trabalho do Senhor cresceu e se multiplicou. Dos anos de 1950
a 1970 as igrejas locais estabelecidas por Bakht Singh e seus
co-obreiros eram as igrejas locais com mais rápido crescimento
na Índia. Estas duas igrejas cresceram qualitativas e
quantitativamente tentando mostrar como se cumpriam os quatro
propósitos da igreja.
Certa
vez que Singh estava ministrando em Filadélfia, USA,
perguntaram-lhe sobre o papel dos missionários americanos
na evangelização do seu país, ele disse
sucintamente: "Eles já não são necessários
na Índia". Bob Finley, Presidente do Christian Aid
Mission, diz ter sido testemunha de como em Hebrom se preparavam
mais de cem missionários para o serviço, enquanto
que outros cem começavam a fazer as suas primeiras provisões
no campo.
Com
a sua habitual franqueza, Bakht Singh estava acostumado a dizer
aos ocidentais: "Vocês sentem compaixão por
nós na Índia devido a nossa pobreza material.
Nós os que conhecemos o Senhor na Índia sentimos
aflição por vocês na América por
causa de sua pobreza espiritual, e oramos para que Deus lhes
dê o ouro refinado no fogo que Ele prometeu a aqueles
que conhecem o poder da Sua ressurreição...
"Em
nossas igrejas nós passamos quatro, cinco ou seis horas
em oração e louvor, e freqüentemente nossa
gente serve ao Senhor em oração toda a noite;
mas na América depois de vocês estarem uma hora
na igreja, começam a olhar os seus relógios. Oramos
para que Deus possa abrir os seus olhos para o verdadeiro significado
da adoração. Para atrair às pessoas para
as reuniões, vocês têm uma grande dependência
dos pôsteres, da publicidade, da promoção
e dos recursos humanos; na Índia não temos nada
mais do que o próprio Senhor e provamos que Ele é
suficiente. Antes de uma reunião cristã na Índia
nós nunca anunciamos quem irá pregar.
"Quando
as pessoas vêm, devem buscar ao Senhor e não a
um ser humano ou para ouvir alguém em especial e favorita
que os fale. Nós tivemos 12.000 pessoas reunidas só
para adorar ao Senhor e ter comunhão juntos. Estamos
orando para que as pessoas na América também possam
vir à igreja com fome de Deus e não meramente
fome para ver alguma forma de entretenimento ou ouvir coros
ou a voz de algum homem".
O
ministério no ultramar
No
ano 1946, Bakht Singh deixou a Índia para desenvolver
o seu ministério na Europa, no Reino Unido, EUA e Canadá.
O Senhor o usou poderosamente em cada lugar, particularmente
na Conferência Missionária de Estudantes do Inter
Varsity (agora conhecido como Convenção Urbana)
em Toronto, Canadá, onde ele era um dos principais oradores.
Entre os que assistiram à conferência estava Jim
Elliott, que foi martirizado no Equador no ano de 1956 junto
com outros quatro missionários americanos. Nos anos 50,
Bakht Singh ministrou na Austrália, várias partes
da Ásia, África e nos Estados Unidos da América.
Em todos os lugares que foi, o Senhor o usou para estender a
Sua fragrância. Ele era de fato uma brisa de ar fresco
no meio das igrejas mornas, e dos cristãos que tinham
uma forma de piedade, mas que negavam a eficácia dela.
Na
Austrália, através do seu ministério, o
Senhor inquietou a alguns crentes para reunir-se se apoiando
em Atos 2:42. Há várias assembléias, particularmente
na área de Sidney que ainda se reúnem ali como
resultado do ministério de Bakht Singh nos anos 50 e
60.
Em
1969-70, Bob Finley convidou a Bakht Singh para falar no Instituto
das Missões Indígenas em Washington, DC. O propósito
principal do Instituto era dar aos estudantes internacionais
e escolares cristãos que retornavam, a visão da
igreja do Novo Testamento apoiada nos princípios do Novo
Testamento já praticados por Bakht Singh. Durante esses
anos ele viajou também extensamente por várias
partes dos Estados Unidos e Canadá ministrando em igrejas
de diferentes denominações.
Em
1974, depois da sua visita ao Congresso de Evangelização
Mundial em Lausanne, Suíça, Bakht Singh visitou
várias partes da Europa, o Reino Unido, e os Estados
Unidos. Durante essa visita ele encorajou a realização
de Assembléias Santas em Nova Iorque, e em Sarcelles,
França. O Senhor usou estas Assembléias Santas
para edificar os crentes de várias partes da Europa,
o Leste Meridional e outros lugares.
Dias
finais
Singh
contraiu o mal de Parkinson e esteve totalmente prostrado durante
os seus últimos dez anos. Um casal na Índia se
dedicou a cuidar dele todo o tempo.
Segundo
o testemunho dos seus biógrafos, quando se aproximava
o tempo da sua partida, ocorreram uma série de atos naturais
significativos, "que o fizeram recordar que ele era um
homem enviado de Deus para a edificação do Seu
corpo e para a Sua glória eterna". Por exemplo,
apenas umas horas antes dele dormir em Cristo, no domingo 17
de setembro às 6:05 da manhã, houve um terremoto
em e ao redor de Hyderabad, junto com contínuos e incomuns
trovões e relâmpagos. No dia 22, na hora do seu
sepultamento, o sol brilhava esplendorosamente, e um arco íris
rodeou o sol durante um breve tempo. Quando o arco íris
desapareceu, um anel brilhante que se parecia com uma "coroa"
aparecia ao redor do sol. Então, de repente, bandos de
pombas voaram por cima de Hebrom no momento em que o cortejo
fúnebre entrou no cemitério.
As
pessoas vieram de toda a Índia e de outros países
para prestar a sua última homenagem e tributo ao seu
pai espiritual. Uma multidão de cristãos de todas
as denominações, idiomas, tribos e raças
se reuniram, louvando a Deus por cada lembrança deixada
por este homem de Deus. As notícias de sua partida se
estenderam como fogo e mais de 600.000 vieram para homenageá-lo
entre o dia 17 e 22 de setembro. Segundo Davi Burder, membro
do Christian Aid em Deli, 250.000 pessoas assistiram aos seus
funerais, as quais, sustentando as suas Bíblias no alto,
seguiram o carro que levava os restos mortais ao cemitério
geral. Um policial comentou: "Esta é a primeira
vez que vi tão grande e pacífico cortejo até
agora em todos os meus anos de serviço".
O
segredo da sua vida espiritual
O
Senhor usou a Bakht Singh como Seu vaso escolhido para enriquecer
e reforçar a vida espiritual de muitos cristãos
ao redor do mundo. Ele ministrou a Cristo e a visão da
Igreja. Poucos ficaram à margem do impacto de sua vida
e ministério: indivíduos, denominações,
sociedades missionárias, clérigos, laicos e não
cristãos. Da Cachemira a Kerala, muitos foram desafiados
e transformados por suas mensagens apoiadas na Bíblia
e ungidos pelo Espírito; e em qualquer lugar que ele
tenha ido, centenas foram ouvir-lhe falar e compartilhar a Palavra
de salvação.
A
vida e ministério de Bakht Singh foram comparados freqüentemente
com Hudson Taylor e outros grandes cristãos; participou
de jornadas espirituais com Billy Graham, Francis Schaeffer
e Martin Lloyd-Jones, para nomear alguns.
Muitos lhe perguntaram sobre o segredo da sua vida espiritual.
Eis aqui algumas das chaves:
1)
Sua total dependência do Deus vivo.
2)
Ele aceitava a Bíblia como a Palavra de Deus e animava
que cada crente tivesse a sua própria Bíblia e
vivesse em obediência total à Palavra revelada
de Deus. Sua visão da Palavra de Deus e sua memória
fotográfica das Escrituras eram legendárias. Bob
Finley dizia: "Eu nunca vi um homem com um conhecimento
e entendimento maior da Bíblia que Bakht Singh. Todos
os nossos pregadores ocidentais e mestres parecem ser meninos
diante deste grande homem de Deus".
Durante a visita de Bakht Singh a Inglaterra em 1965, Martin
Lloyd-Jones, o afamado expositor e mestre da Bíblia e
Keith Samuel, um dos oradores da Convenção de
Keswick se reuniram com Bakht Singh. Eles passaram várias
horas fazendo-lhe perguntas da Palavra de Deus. As respostas
de Bakht Singh desafiaram e surpreenderam a estes homens. Então
Martin Lloyd-Jones lhe perguntou como ele tinha entrado em tal
visão e conhecimento da Palavra de Deus. Bakht Singh
respondeu que simplesmente lendo e meditando na Palavra de Deus
sobre os seus joelhos. A maior parte de sua vida, até
que ficou doente, ele leu a Bíblia de joelhos e meditou
nela durante horas. O Espírito Santo de Deus lhe revelou
coisas maravilhosas da Sua Palavra.
3)
Procurou e fez a vontade de Deus custe o que custasse.
4)
Tinha uma paixão por Deus e compaixão pelas almas.
5)
Descobriu e praticou a adoração bíblica
e animou a todos os santos homens e mulheres a adorar o Senhor
em espírito e em verdade.
6)
Estimulou a comunhão entre os santos introduzindo a 'festa
de amor'.
7)
Uma das suas maiores contribuições foram as Santas
Convocações anuais. A primeira assembléia
foi realizada no Jehovah Shammah, Madras, em dezembro de 1941,
que durou 19 dias. Norman Grubb, que era o Diretor Internacional
da Cruzada de Evangelização Mundial, dizia isto
sobre a sua visita à Santa Convocação em
Hyderabad: "os ocidentais, a parte mais chamativa de toda
a obra com Bakht Singh são as Assembléias Santas
sustentadas anualmente em Hyderabad... O irmão Bakht
Singh convoca estas assembléias anualmente onde se amarfanham
juntas vários milhares de pessoas em quartos fechados
e todos alimentados pelo Senhor durante uma semana sem solicitar
nada aos homens ... Eis aqui um indiano provando a Deus".
8)
A indigenização dos princípios do Novo
Testamento nas igrejas locais. Depois de visitar Hyderabad nos
anos 50, Norman Grubb anotou em seu livro Uma vez Pego, não
há Escape: "Nestas igrejas com fundamentos neotestamentários
vi a melhor réplica da igreja primitiva e um modelo para
o nascimento e crescimento de igrejas jovens em todos os países
da missão".
9)
A vida de fé. Bakht Singh era um homem de fé.
Ele confiou no Senhor para todas as suas necessidades ao longo
de sua vida. O Senhor honrou a sua fé e não só
proveu as suas necessidades e para o ministério, mas
também o usou poderosamente para desafiar o povo de Deus
sobre a importância de confiar em Deus para as suas necessidades.
10)
As marchas evangelísticas testificando de Cristo. Durante
as suas campanhas de evangelismo, em qualquer lugar que ele
ia, fez marchas evangelísticas pelas cidades chamando
as pessoas para Cristo. A maior de todas foi a que seguiu o
seu esquife para o cemitério onde centenas de milhares
marcharam cantando e louvando a Deus. Embora tenha morrido,
o seu trabalho e ministério o seguem.
11)
A vida de oração. Bakht Singh era um homem de
oração. Ele ocupou horas sobre os seus joelhos
em comunhão com o Senhor procurando a mente do Senhor
com respeito a Sua vontade sobre o trabalho e ministério.
Por conseguinte, o Senhor também o honrou e o abençoou
além de qualquer compreensão humana. Esta é
uma das razões do por que o Senhor o usou tão
poderosamente para a edificação do Seu Corpo e
para a extensão do Seu reino glorioso na Índia
e no estrangeiro.
Embora
ele já esteja morto, ainda fala. A obra que o Senhor
começou através do Seu servo e os seus primeiros
colaboradores, como o irmão Fred Flack, Raymond Golsworthy,
John Carter, o irmão Dorairaj, o irmão Rajamani
e alguns outros, não só pôde continuar,
mas também se multiplicará até o dia do
nosso Senhor Jesus Cristo.
Que
esta visão e ensino a respeito de igrejas locais apoiadas
no modelo do Novo Testamento possam levantar-se por todo o mundo
para a edificação do Seu Corpo e para a Sua glória.