Uma revista para todo cristão
Ano 8 · Nº 45
Maio - Junho 2007

Sião representa o testemunho de Deus sobre a terra.

O monte de Sião

Rodrigo Abarca

Leitura: Apocalipse 14:1-5, Isaías 34:8.

O Cristo de Deus

O livro de Apocalipse foi escrito em um tempo de muito conflito para a igreja, aproximadamente no ano 90 ou 95 depois de Cristo, porque, entre outras coisas, o Império Romano começou uma série de perseguições que foram durar duzentos anos, com o fim de destruir e, se fosse possível aniquilar a igreja e tirá-la da face da terra. Naquele tempo, o imperador Domiciano decretou que a religião que devia oficialmente unir a todos os seus súditos seria a adoração a sua pessoa. E para isso, todos os súditos do império deveriam apresentar-se uma vez por ano diante da imagem, o ídolo, do imperador, e queimar incenso em sua honra, declarando com os seus lábios: 'César é o Kirios', o Senhor, um título que a Escritura só reserva para o Senhor Jesus Cristo. Por essa razão, os irmãos não podiam ir perante o ídolo do imperador e declarar que César era o Kirios, pois já tinham um Deus e Kirios: Jesus Cristo.

Então, veio sobre a igreja um tempo de imenso sofrimento. Duzentos anos de perseguições. Milhares e ainda milhões de irmãos renderam as suas vidas à espada, as feras, as fogueiras, e às cruzes romanas por causa do seu testemunho: o fato de que Jesus Cristo é o Senhor.

Portanto, o testemunho de que Jesus Cristo é o Senhor tem uma importância fundamental na história da igreja. Quando lemos Apocalipse 14 em relação com o que falamos, vemos que nos diz: "Depois olhei, e eis que o Cordeiro estava em pé sobre o monte de Sião". O apóstolo João, ao longo do Apocalipse, refere-se constantemente ao Senhor Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus. Na cena celestial de Apocalipse cinco, quando o Senhor Jesus Cristo é apresentado como o Cordeiro que foi imolado, quem avança para tomar o livro que está nas mãos do Pai e receber dele todo poder, autoridade e domínio, e ser declarado Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Ali, na mão direita do Pai, havia um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. Esse livro representa a vontade de Deus. Nele estão contidos os propósitos eternos de Deus com respeito ao homem, ao universo, e todas as coisas. O capítulo quatro de Apocalipse acaba dizendo que pela vontade de Deus foram criadas todas as coisas que existem. Mas todas as coisas criadas estão em um compasso de espera. Porque algo ocorreu no desenrolar da história e no desenvolvimento dos planos de Deus, que estorvou até o momento o cumprimento da vontade eterna de Deus. E por isso, o livro está selado.

Ninguém pôde abrir o livro. Satanás se rebelou, e uma terceira parte dos anjos lhe seguiu em sua rebelião, e essa rebelião desceu para a terra. O homem foi apanhado nessa mesma rebelião. A humanidade se uniu a Satanás, e então a terra se converteu em um território hostil para Deus. Por isso, a oração que o Senhor Jesus ensinou diz: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino". No céu, o reino de Deus não é um problema. Há um trono que governa tudo. Mas, amados irmãos, esse trono governa na terra? As nações desta terra, os reis desta terra, os homens desta terra, obedecem ao Rei e ao trono que está nos céus? Por isso, a oração do Senhor é: "Venha o teu reino. Faça-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra".

O lugar onde se trava a batalha e se decide o destino eterno das gerações, não é o céu, mas sim a terra. E é na terra onde a rebelião se instalou, Satanás construiu o seu império de trevas, e a rebelião contra Deus cresceu. Mas Deus não pode ser vencido; e o seu propósito eterno não pode ser estorvado para sempre. Por isso, irmãos amados, no capítulo cinco de Apocalipse vemos o Cordeiro apresentar-se diante de Deus, e avançar e tomar o livro das mãos do Pai, para abri-lo e desatar os seus selos. Desde esse momento em diante, ele toma a história em suas mãos, para levá-la adiante até a consumação de tudo. Agora, nada mais pode impedir que o propósito eterno de Deus se cumpra porque o Cordeiro de Deus tem aberto o livro! E por isso, mais adiante, ele está de pé sobre o monte do Sião.

Um Rei segundo Deus

O monte de Sião é um assunto muito importante nas Escrituras. Representa o coração e o centro dos pensamentos de Deus com respeito ao homem e a terra. Se desejarmos entender a Escritura neste assunto, devemos procurar a primeira menção do monte de Sião e a última menção do mesmo. Então teremos o quadro completo.

Já temos lido a última menção em Apocalipse 14. Portanto, vamos ler agora a primeira menção do monte de Sião:
"Vieram, pois, todos os anciões de Israel ao rei em Hebrom, e o rei Davi fez pacto com eles em Hebrom diante do Senhor; e ungiram a Davi por rei sobre Israel. Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta anos. Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo Israel e Judá" (2 Sam. 5:3-5).

O que temos aqui é o começo do reinado de Davi. Vocês sabem que a Escritura nos diz que Davi foi um rei conforme o coração de Deus. Ele não foi o primeiro rei de Israel; o primeiro rei foi Saul. Mas Saul não era um rei conforme o coração de Deus; mas sim conforme o coração do povo. A grande diferencia entre Davi e Saul é que o último começou a reinar imediatamente depois de ser ungido pelo profeta Samuel. Diferentemente de Saul, Davi, passou por um tempo de provações muito longas antes de ser rei. Doze anos de provações e sofrimento; doze anos de perseguições, vivendo como um proscrito, açoitado daqui para lá pelo mesmo rei Saul.

Davi passou por um tempo muito longo de formação para ser rei. E esse tempo, esse caminho que percorreu Davi para ser rei, é o caminho da cruz. No entanto, porque Davi passou pelo caminho da cruz, pôde logo ser um rei conforme o coração de Deus. Não porque no princípio Davi fora melhor que Saul. No começo, se tivéssemos colocado Saul e Davi juntos para correr a carreira, os dois teriam partido em idênticas condições, porque nenhum homem é melhor do que outro. Somos todos caídos; nosso coração é perverso. Somos todos como Saul, e Davi também o era. Mas Deus o levou através do caminho da cruz, nesses doze anos de sofrimento, quando parecia que a palavra de Deus nunca ia se cumprir em sua vida. A vida natural de Davi foi quebrada e sua força natural foi desfeita. Assim chegou ao fim dos seus próprios recursos, e então, nesse ponto, converteu-se em um rei segundo o coração de Deus.

Vocês se lembram como era Saul? Iracundo, agressivo e violento. Mas Davi se converteu em um homem manso e humilde, e assim chegou a ser rei de Israel. Por isso Davi é um tipo do Senhor Jesus Cristo. É obvio que Davi não foi um homem perfeito. Cometeu pecados. Mas quanto a seu coração para com Deus, ele é um tipo do Senhor Jesus Cristo. Um rei manso e humilde. Você alguma vez ouviu uma contradição maior entre ser rei neste mundo, e ser ao mesmo tempo manso e humilde? São duas coisas que parecem estar no extremo oposto uma da outra. Ser rei, de acordo a este mundo, significa ser forte, violento, seguro, certeiro, e exercer autoridade com poder.

Você crê que, quando as pessoas vão votar em um homem determinado para ser presidente da sua nação, votam no homem mais manso e humilde? Certamente que não! Mas, irmãos amados, o homem que Deus escolheu para ser rei era o mais manso e humilde de Israel. Que contradição! Mas esse era o rei segundo o coração de Deus, porque era um tipo do Senhor Jesus Cristo. E, o que disse o Senhor Jesus Cristo de si mesmo? "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração".

Quando você olha para o trono do universo, sob o qual se submetem todos os tronos, domínios, principados e potestades e todos os reis que houve e virão, encontra um Cordeiro. Pois, "...como cordeiro foi levado para o matadouro; e como ovelha diante dos seus tosquiadores, emudeceu, e não abriu a sua boca". Ele não só era um cordeiro em um sentido sacrificial; também tinha o caráter de um cordeiro manso e humilde. A profecia de Zacarias 9:9 diz: "Alegra-te muito, filha de Sião; dá vozes de júbilo, filha de Jerusalém; eis aqui o seu rei virá a ti, justo e salvador, humilde, e cavalgando sobre um jumento, sobre um jumentinho filho de jumenta". Você viu uma cena mais paradoxal? Assim é o Rei segundo o coração de Deus. Assim é o Senhor Jesus Cristo, e Davi era um tipo dele como Rei. Todos os seus anos de sofrimento formaram em Davi o caráter de Cristo, o verdadeiro Rei segundo Deus.

No entanto, enquanto estava aprendendo a ser um rei segundo Deus, não sabia que estava na escola do Senhor Jesus Cristo. Nesses anos, quando vivia naquele permanente sofrimento, sempre açoitado, quantas vezes perguntou se era verdade que Deus, algum dia, faria dele um rei; se essa era a forma em que um rei tinha que ser preparado! Mas, nesses tempos, ele aprendeu a conhecer o coração do verdadeiro Rei. Aprendeu a participar dos padecimentos de Cristo, e escreveu aquele salmo maravilhoso: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que está tão longe da minha salvação, e das palavras do meu clamor? Deus meu, clamo de dia, e não respondes...". O mesmo que esteve na boca do Senhor Jesus Cristo o dia em que ele morreu na cruz. Mas foi Davi quem escreveu esse Salmo no tempo que percorria o caminho da cruz.

O conflito de Sião

Portanto, quando Davi chegou a ser rei com a mansidão e a humildade do Cordeiro de Deus, qual foi o primeiro ato do seu reinado?

"Então partiu o rei com os seus homens para Jerusalém contra os jebuseos que moravam naquela terra; os quais falaram com Davi, dizendo: Tu não entrarás aqui, pois até os cegos e os coxos te repelirão (querendo dizer: Davi não pode entrar aqui). Mas Davi tomou a fortaleza de Sião, a qual é a cidade de Davi" (2 Sam. 5:6-7).

Aqui, irmãos amados, menciona-se pela primeira vez na Escritura o monte de Sião. E é mencionado em relação com o primeiro ato do reinado de Davi. Quando ele subiu contra a fortaleza de Sião. Mas, por que nesse momento? Quando Israel entrou na terra prometida, quatrocentos e cinqüenta anos antes, na época de Josué, e derrotou a todos os cananeos que habitavam na terra, somente uma cidade não pôde ser tomada: Jerusalém, onde estava a fortaleza de Sião. É um dado estranho, não é verdade? Eles foram com Josué à frente; quiseram tomar a cidade, mas não puderam, porque ali estava a fortaleza de Sião. Depois passaram quatrocentos anos durante os quais a cidade de Jerusalém continuou nas mãos dos jebuseos.

O que representa tudo isso? Por que o primeiro ato do reinado de Davi foi ir e tomar a fortaleza de Sião? De um ponto de vista estratégico não era algo muito importante. Havia outras cidades maiores e importantes que já estavam em poder dos israelitas. A própria cidade de Hebrom, onde ele foi coroado rei, era muito maior que Sião.

Mas, por que tinha que ser Sião? Porque Davi era um profeta. Quando ele cantava e compunha salmos, ele também atuava como um profeta. Então, ele entendia os pensamentos de Deus com respeito ao rei e ao reino. E esta era a inauguração do reino de Deus no antigo pacto com Israel. É a primeira vez que o reino de Deus se apresenta na terra. Então, vejamos o que diz o rei Davi no Salmo dois:

"Por que se amotinam as nações, e os povos pensam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ligaduras, e lancemos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus rirá; o Senhor zombará deles" (Sal. 2:1-4).

Agora, irmãos, o que disse o Senhor? "Levem o meu jugo sobre vós, e aprendam de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave, e a minha carga é leve". Ele é como os reis da terra, que impõem pesados jugos, e atam pesadas cordas sobre os seus súditos? Não. "O meu jugo é suave, a minha carga é leve. Levem o meu jugo...".

E, o que diz aqui o Salmo 2? "...os reis da terra, e os príncipes conspiram juntos contra o Senhor e contra o seu ungido". Agora, você se recorda quem eram chamados "Ungido do Senhor" no Antigo Testamento? Os reis. Porque a palavra ungido em hebreu é Messias. Então, quando você lê no Antigo Testamento: "Eis aqui o ungido do Senhor", em hebreu é : "Eis aqui o Messias do Senhor". Depois, no ano 200 A.C., o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, a uma versão que se chamou a Septuaginta. Quando você lê na Septuaginta aquela passagem, encontra que o grego diz, "eis aqui o Cristo do Senhor". Então, no hebreu diz: "contra o Senhor e contra o seu Messias", e em grego: "...contra o Senhor e contra o seu Cristo". E assim é citado nos Atos dos apóstolos. O Cristo é, portanto, aquele a quem Deus ungiu para ser rei.

Os homens têm os seus reis, as nações têm os seus reis. Mas, atenção, diz o Salmo dois, Deus tem um Rei! Ouçam governantes das nações, vocês são reis, mas Deus tem o seu próprio Rei! E ele deu todo domínio, toda autoridade e todo poder ao seu Rei. Compreende agora a natureza do conflito que é apresentado no Salmo dois? Estão os reis da terra por um lado, cada um governando por seu coração humano. Mas Deus tem o seu Rei para governar segundo o Seu coração e exercer autoridade com o caráter da Sua autoridade.

E então, o que ocorre? O que dizem os reis? "Rompamos as suas ligaduras, e lancemos de nós as suas cordas". 'Não queremos que ele reine; não queremos que ele governe'. Aqui está o ponto central do conflito: "Mas eu tenho posto o meu rei sobre Sião, o meu santo monte" (Sal. 2:6). Sião é o lugar que Deus escolheu para colocar o seu Rei. "Formosa província, o gozo de toda a terra, é o monte Sião, aos lados do norte, a cidade do grande Rei" (Sal. 48:2). "Porque o Senhor escolheu a Sião; Desejou-a para a sua habitação" (Sal. 132:13). Sião representa o coração do pensamento e o propósito divino para esta terra. Por isso, enquanto Sião estiver nas mãos dos seus inimigos, ele não pode reinar, não pode ter um rei que represente a sua autoridade, os seus interesses, os seus propósitos e a sua vontade sobre a terra. Por isso era necessário que, logo que Davi fosse rei, subisse e tomasse a fortaleza de Sião.

O testemunho de Deus sobre a terra está em Sião. Mas isto, é obvio, tem um sentido espiritual. No Antigo Testamento, era algo literal. Porque Davi subiu contra a fortaleza de Sião, tomou a fortaleza de Sião, e então começou a reinar. E aí temos o Salmo dois: "Eu pus o meu rei sobre Sião, o meu santo monte". Quando Davi subiu para tomar a fortaleza de Sião e lançou fora os jebuseos, estabeleceu ali a cidade de Davi, e a partir dali, do topo do monte de Sião para baixo, começou a edificar a cidade de Jerusalém. Esse foi o começo de Jerusalém na história de Israel.

Então, irmãos amados, a captura da fortaleza de Sião nos fala espiritualmente do momento em que o Senhor Jesus Cristo subiu por cima de todos os céus e todos os poderes, os principados, as potestades, e todos os reinos deste mundo foram postos debaixo dos seus pés. Até que finalmente se assentou no trono do universo, e dali, como Rei do universo, como cabeça de todas as coisas, começou a edificar a sua igreja sobre a terra.

Então, a igreja é a expressão deste fato: Que Deus é o seu Rei sentado em seu trono, e que esse Rei tem que reinar para sempre. Que a igreja esteja sobre a terra significa que o Senhor está assentado em seu trono nos céus. Esse é o testemunho da igreja; isto é o que a igreja representa sobre a terra: que Cristo está no trono. Se ele não tivesse morrido, não tivesse ressuscitado, e não tivesse subido acima de todos os céus, então não haveria igreja sobre a terra. O homem ainda estaria sob o poder de Satanás. Mas, porque ele subiu acima de todos os céus, porque ele tomou o livro das mãos do Pai, então, o homem foi redimido para Deus, e Cristo tem uma igreja que o representa sobre a terra. Isto é o monte de Sião.

Recordem que lemos no começo aquela passagem de Isaías 34:8 onde nos fala do pleito de Sião. Porque Deus tem um Rei, e porque esse Rei está sentado no trono de Deus, o qual lhe foi dada toda autoridade, desde esse momento em diante, começa a luta, a batalha, a controvérsia de Sião. No Antigo Testamento, enquanto o monte de Sião esteve nas mãos dos jebuseos, Jerusalém não teve nenhuma importância nos acontecimentos da história antiga. Mas, no momento em que Davi se sentou para reinar e a arca de Deus foi trazida para o monte de Sião, começou o que o Antigo Testamento chama em Isaías o pleito de Sião.

Quando você continua lendo, vai encontrar que, desde esse momento em diante, em sucessivas e constantes ondas, um e outro império vai se levantar na história do mundo, e vai vir contra Jerusalém e contra Sião, para tentar destruí-la. É estranho, não é verdade? Os assírios, os egípcios, os babilônios, os medos persas, os gregos, os romanos; um após o outro, todos contra Jerusalém, tratando de arrebatar a Sião das mãos do Deus de Israel e do povo de Israel. Porque, amados irmãos, a controvérsia de Sião é a controvérsia pelo governo e o domínio da terra.

Vocês sabem que Satanás entrou no mundo, e usurpou o reino de Deus; ele arrebatou o reino de Deus das mãos do homem. Por isso, em Apocalipse capítulo 12, aparece um dragão escarlate. No princípio, era só uma serpente, mas com o passar dos séculos, converteu-se em um dragão, porque cresceu. Na medida que o homem cresceu e construiu civilizações, impérios e nações, ele cresceu junto com o homem sobre a terra. Então, aparece como um grande dragão escarlate que tem sete cabeças e dez chifres, e que tem o domínio sobre todos os reis deste mundo.

É precisamente este dragão quem sente ameaçado o seu domínio sobre o mundo, quando vê aparecer um rei sobre o monte de Sião. Então sabe que o seu domínio sobre o mundo está em perigo mortal. Porque se Deus tem um rei sobre Sião, é Deus quem governa sobre a terra. A questão aqui é quem governa: Satanás ou Deus. Se Deus tiver um rei sobre Sião, quer dizer, um rei que expressa o seu testemunho, e um povo submetido a esse rei, então, o domínio de Satanás neste mundo chegará rapidamente ao seu fim. Se o reino de Deus vem para a terra, Satanás tem que sair da terra.

Acabou o seu tempo nesta terra. Este é um princípio divinamente estabelecido. Por isso, o diabo não suporta que haja um rei em Sião. Uma e outra vez levantou no passado poderosos impérios e os precipitou contra a pequena nação de Israel para -se fosse possível- aniquilar o testemunho de Deus, apagar a Sião da terra. Neste ponto, você descobre o que a Escritura chama o pleito de Sião; a luta, a batalha pelo reino, pelo domínio, e o governo desta terra.

Um reino estabelecido no coração

Mas, irmãos amados, não é simplesmente o governo sobre a terra; é o governo sobre o próprio homem. Quem vai governar, quem vai ganhar para si o coração do homem? Essa é a questão central. A quem dará o seu coração? A quem darei o meu coração? A quem dará o homem, finalmente, o seu coração? Este é o pleito de Sião.

Davi era um rei conforme o coração de Deus. Um coração que era sensível a Deus, um coração que se inclinava diante de Deus. Você já viu uma cena mais estranha do que aquela onde o rei Davi é confrontado por um profeta? Natã lhe diz: "Você é esse homem que pecou" Você sabe o que teria feito qualquer rei deste mundo diante de uma ameaça como esta? Teria mandado matar o profeta, e teria apagado do registro da história os seus maus atos, como faziam todos os reis da antigüidade. Mas não foi assim com Davi, porque ele tinha um coração quebrantado para Deus. E embora tivesse pecado, quando veio o profeta reconheceu: "Sim, pequei contra Deus". E se humilhou de todo o coração.

E ainda mais, quando o seu reino foi ameaçado, e o seu filho Absalão se levantou contra ele, ao sair de Jerusalém lhe saiu ao encontro um homem da família de Saul, que começou a acusá-lo de ser um homem mau e sanguinário. Davi não havia tocado nem sequer num fio de cabelo da cabeça de Saul, mas aquele homem o estava acusando de ter matado a Saul e a Jônatas. E veio Abisai e lhe disse: "Não quer o senhor, meu rei, que vá e mate a esse cão morto, porque quem é esse para levantar a sua voz contra o ungido do Senhor?". Não obstante, Davi respondeu: "Deixa-o, possivelmente o próprio Senhor lhe tenha dito que me amaldiçoe. O Senhor me pôs por rei sobre Israel, e hoje saio. Se o Senhor quiser, eu voltarei; mas se ele não quer, não voltarei". Pois, era um rei com o coração de Deus.

O Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro descendente de Davi. Mas também é a raiz de Davi. Tudo o que Davi foi diante de Deus, na verdade veio do Senhor Jesus Cristo, porque ele é a raiz de Davi. O caráter de Davi não era mais que a expressão do caráter de Cristo.

Por isso João nos diz, "Depois olhei, e eis que o Cordeiro estava em pé sobre o monte de Sião". O Senhor Jesus Cristo é o Rei segundo Deus. É o Cordeiro de Deus que está sentado no trono. E agora está em pé sobre o monte de Sião. Mas, observe bem: Não está sozinho. Não somente ele tem que subir o caminho da cruz, e não somente ele tem que subir para reinar; mas com ele, nos diz, há cento e quarenta e quatro mil. Vamos pensar por agora, sem entrar em detalhes, que é um número simbólico, que representa a igreja do Senhor Jesus Cristo.

O desejo do coração de Deus é que toda a igreja se sente no trono do Senhor Jesus Cristo, tal como ele venceu e se sentou no trono de seu Pai. Esse é o propósito de Deus, que a igreja represente e expresse o reino e a autoridade do Senhor Jesus Cristo. Mas esse reino e essa autoridade são inseparáveis do caráter do Senhor Jesus Cristo. Por isso é o Cordeiro quem está de pé no monte de Sião. É o seu caráter que deve governar tudo. Não é simplesmente autoridade; é a autoridade com um caráter específico: o caráter do Cordeiro.

O que tem que governar o universo pelos séculos dos séculos é o caráter humilde e manso do Cordeiro de Deus. Mas, além disso, a igreja também tem sido chamada para governar com ele, e para isso tem que ser conformada de coração o caráter do Cordeiro. Qual foi o caminho do Senhor Jesus Cristo para o reino? O caminho da cruz. Qual é o caminho da igreja para governar com Cristo? O mesmo caminho. Não podemos chegar a reinar com ele se não percorrermos o caminho da cruz até o final. Isto significa o verdadeiro seguir a Cristo.

Então, irmãos amados, o Cordeiro de Deus, o Nosso Senhor Jesus Cristo, subiu para sentar-se sobre o trono do universo e reinar para sempre. Agora, também a igreja tem sido chamada a seguir o caminho do Cordeiro por qualquer lugar que ele vá. Por onde vai o Cordeiro, irmãos amados? Qual é o caminho do Cordeiro? O caminho da cruz e dali até a glória. Por isso nos fala dos vencedores como aqueles que "seguem o Cordeiro por qualquer lugar que vá". Pois eles, seguindo a Cristo da cruz até a glória, permitem que por seu intermédio o reino dos céus desça para a terra.

Deus está esperando estes homens e mulheres. Para isso temos que procurar primeiro o coração do Rei; só então poderemos expressar a autoridade do Rei e o seu reino poderá vir para esta terra. Este é o significado mais profundo de Sião e o seu testemunho na terra.