Uma revista para todo cristão
Ano 8 · Nº 44
Março - Abril 2007

Coisas velhas e coisas novas

 

A semente da mulher

A cena da desobediência no jardim do Éden é dolorosa. Ainda nos dói quando a lemos. A tentação e a queda. Adão e Eva envergonhados, tremendo diante da presença de Deus; a serpente, triunfante; a criação de Deus, confundida.

Deus sai ao encontro dos protagonistas de tão trágicos acontecimentos. Suas palavras são fortes; sua sentença, irrevogável.

Mas das palavras ditas à serpente existem algumas que têm especial importância, porque é um aviso encoberto de um fato que ocorrerá uns quatro mil anos depois: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a sua semente e a semente dela" (Gên. 3:15).

Não nos referiremos aqui à inimizade entre ambas as sementes, mas sim ao acontecimento de que tudo isso, e o que segue, está se referindo à semente da mulher. Não à semente de Adão e Eva, mas sim à semente da mulher.

A mesma mulher que foi objeto do engano; e que provocou o maior descalabro teria que ser o instrumento por meio do qual Deus teria que trazer o remédio.

Quando o anjo aparece a Maria, a donzela de Nazaré, naquela inesquecível cena, lhe diz: "O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo Ser que há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Luc. 1:35).

O anjo fala com Maria sobre o nascimento de Jesus. Não comunica a homem algum, mas sim a esta mulher. É porque chegou o tempo daquela antiga profecia se cumprir. Era o tempo de nascer a semente da mulher.

Como sabemos, Jesus não nasceu pela vontade do homem, mas sim de Deus. Isto todo cristão sabe, e nisso se alegra. No entanto, o admirável e nem sempre conhecido, é que Deus o anunciou no jardim, naquelas palavras ditas à serpente. A serpente entendeu? A mulher soube?

Certamente que não.

Esta é, então, a primeira chave deixada por Deus nas Escrituras a respeito do seu mistério eterno, e é o anúncio da vindicação daquela frágil criatura que caiu tão vergonhosamente.

 

O canto de Zacarias
Lucas 1:63-79

Zacarias esteve mudo durante nove meses. Não é um homem ignorante, não é um homem qualquer. Ele pertence à família dos sacerdotes de Israel. Além disso: apareceu-lhe um anjo, e lhe falou. Mas faz nove meses que Zacarias não fala.

O anjo tinha lhe dito que a sua mulher (já muito idosa!) ia ter um filho. Um filho? (Ela não é uma idosa?) Um filho! E que será um profeta. Zacarias emudece de puro espanto, de estupefação... de incredulidade! Então o anjo o deixa mudo.

Zacarias agora está falando por gestos, escrevendo em tabuletas. Todos estão consternados, o que aconteceu? Zacarias teve uma visão no santuário! Algo grandioso vai ocorrer!

Passam os nove meses, e Zacarias não diz nenhuma palavra. Nasce o menino. "Como se chamará?" - perguntam-lhe. Ele anota em uma tabuleta: "João é o seu nome".

Então ocorre um milagre: Zacarias fala. Sua boca se abre e um jorro de louvor começa a fluir por ela. Espanto! Seguem ocorrendo coisas estranhas nesta família.

Em seguida ocorre um segundo milagre. Zacarias fala não do seu filho que está ali, à vista de todos, atraindo todas os olhares.

Zacarias, cheio do Espírito Santo, bendiz a Deus e começa a falar de outra pessoa. Fala de Alguém que ainda não nasceu, mas que fará uma obra prodigiosa. Por Ele seriam salvos dos seus inimigos e do temor para servir a Deus. O louvor flui torrencialmente não para João, seu filho, mas sim para o Santo Ser que haveria de nascer depois de três meses!

Em seguida, Zacarias fala do seu filho, de João, o profeta precursor. Ele preparará o seu caminho. Isso é tudo. Embora não seja pouco.

Dois milagres. O primeiro deles dá lugar ao segundo, ao maior: O testemunho a respeito de Jesus Cristo. O primeiro que Zacarias falou, logo depois de sua mudez, não foram palavras para receber a seu filho, mas sim para anunciar o seu Senhor.