A
semente da mulher
A
cena da desobediência no jardim do Éden é
dolorosa. Ainda nos dói quando a lemos. A tentação
e a queda. Adão e Eva envergonhados, tremendo diante
da presença de Deus; a serpente, triunfante; a criação
de Deus, confundida.
Deus
sai ao encontro dos protagonistas de tão trágicos
acontecimentos. Suas palavras são fortes; sua sentença,
irrevogável.
Mas
das palavras ditas à serpente existem algumas que têm
especial importância, porque é um aviso encoberto
de um fato que ocorrerá uns quatro mil anos depois: "E
porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a sua semente e
a semente dela" (Gên. 3:15).
Não
nos referiremos aqui à inimizade entre ambas as sementes,
mas sim ao acontecimento de que tudo isso, e o que segue, está
se referindo à semente da mulher. Não à
semente de Adão e Eva, mas sim à semente da mulher.
A
mesma mulher que foi objeto do engano; e que provocou o maior
descalabro teria que ser o instrumento por meio do qual Deus
teria que trazer o remédio.
Quando
o anjo aparece a Maria, a donzela de Nazaré, naquela
inesquecível cena, lhe diz: "O Espírito Santo
virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá
com a sua sombra; por isso também o Santo Ser que há
de nascer, será chamado Filho de Deus" (Luc. 1:35).
O
anjo fala com Maria sobre o nascimento de Jesus. Não
comunica a homem algum, mas sim a esta mulher. É porque
chegou o tempo daquela antiga profecia se cumprir. Era o tempo
de nascer a semente da mulher.
Como
sabemos, Jesus não nasceu pela vontade do homem, mas
sim de Deus. Isto todo cristão sabe, e nisso se alegra.
No entanto, o admirável e nem sempre conhecido, é
que Deus o anunciou no jardim, naquelas palavras ditas à
serpente. A serpente entendeu? A mulher soube?
Certamente
que não.
Esta
é, então, a primeira chave deixada por Deus nas
Escrituras a respeito do seu mistério eterno, e é
o anúncio da vindicação daquela frágil
criatura que caiu tão vergonhosamente.