Pontos
de referência no desenvolvimento do propósito de
Deus
Ao
longo da Palavra do Senhor, aparecem certos pontos chaves de
referência no desenvolvimento do propósito de Deus.
O primeiro é Adão e Eva. Aqui Deus revela coisas
fundamentais. Depois, no tempo de Abraão, de Isaque e
de Jacó, temos outro ponto importante: Deus diz ser o
Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
Nesses
tempos tinha Ninrode, tinha Hamurabi e outros personagens, mas
Deus disse ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
A intervenção de Deus nas vidas desses patriarcas
se constituiu em outro ponto importante de referência
na obra continuada de Deus. Depois veio Moisés, e Deus
começou a trabalhar com o povo de Israel, e deu a Lei.
Então apareceu um novo ponto de referência na obra
de Deus. Sempre temos que voltar para o ponto de Adão,
ao ponto dos patriarcas e também ao ponto da Lei.
Depois
apareceu outro importante ponto de referência na história
sagrada: Davi. Com ele, Deus abriu uma nova etapa no avanço
de sua obra. Os reis seguintes, Deus os media por Davi. Todos
estes pontos de referência vão desenvolvendo o
propósito de Deus. Desde o primeiro, já se projeta
o propósito.
Nos
estudos anteriores temos recordado superficialmente algumas
dessas coisas. Agora queríamos nos deter um pouco na
casa de Deus nos tempos de Davi e de Salomão. É
um novo ponto de referência, e em cada novo ponto de referência,
Deus acrescenta detalhes à revelação. Ele
fala da mesma coisa, mas acrescenta a revelação.
Todo
o Antigo Testamento é uma preparação para
o Novo. Lembremos que Deus diz que o que é relativo ao
mistério do Novo Testamento pode ser visto com a ajuda
das Escrituras dos profetas (Rom. 16:25-26). De maneira que
não só estamos lendo a história sagrada.
Deus está falando coisas espirituais; estas coisas são
figuras das coisas espirituais. Assim que devemos ler do véu
para dentro.
A
casa de Deus nos tempos de Davi e Salomão
Primeiro,
vamos abrir a palavra do Senhor no primeiro livro de Crônicas.
No capítulo 17 temos um momento chave na história
da revelação. Davi estava interessado em uma casa
para Deus, e imaginava que poderia ser de cedro. Mas Deus -
como também depois Salomão entendeu - não
habita em templos feitos por mãos humanas. Deus tem sim
no seu coração ter uma casa. Nesta passagem, ele
fala da "minha casa". Mas não seria Davi o
que a edificaria.
Já
em outra passagem, Deus lhe diz: "Tu tens derramado muito
sangue; tu não me edificará casa. Mas o seu filho,
ele me edificará casa". Então veio Salomão,
um dos filhos de Davi, e segundo os planos que recebeu de Davi,
seu pai, e que Davi recebeu de Deus, Salomão edificou
o templo, o famoso templo de Jerusalém.
Esta
história é contada duas vezes na Bíblia:
no livro dos Reis e no de Crônicas. Na primeira, a ênfase
está em Salomão e sua casa; mas, na segunda, a
ênfase está no Messias e a igreja. De maneira que
Salomão, como filho de Davi, edificando o templo material
para Deus, é figura do verdadeiro Filho de Davi, que
é o Senhor Jesus, o verdadeiro Rei da paz, o qual edificaria
casa para Deus. "Seu filho me edificará casa ...
e firmarei o seu trono eternamente".
É
claro que o trono de Salomão não foi eterno, porque
Salomão era só uma figura. O verdadeiro Filho
de Davi é o Senhor Jesus. Não que o outro fosse
falso; era apenas uma figura. Portanto, o Senhor Jesus tem uma
encomenda de Deus - edificar casa a seu Pai. Então, a
verdadeira casa de Deus, que o verdadeiro Filho de Davi edifica,
é a igreja, é o corpo de Cristo.
Assim,
como vimos a edificação da igreja no tabernáculo,
temos que ver também a edificação da igreja
no templo. "Porque vós sois o templo do Deus vivente"
(2ª Cor. 6:16). O Novo Testamento nos fala de sermos edificados
como um templo santo, para morada de Deus no espírito,
como a igreja, o corpo único de Cristo, a soma de todos
os filhos de Deus de hoje, de ontem e de sempre. Somos o templo
de Deus.
Olhemos,
então, no livro de Crônicas algumas palavras importantes.
Primeiro, olhemos um pouco no 22 e depois no 28.
"Depois
mandou Davi que se reunisse os estrangeiros que havia na terra
de Israel, e encarregou de entre eles pedreiros que lavrassem
pedras para edificar a casa de Deus" (1 Crônicas
22:2). Deus usa estrangeiros para lavrar, para tratar com as
pedras. "Deste modo preparou Davi muito ferro para os pregos
das portas, e para as junturas; e muito bronze sem pesá-lo,
e madeira de cedro sem contá-la" (22:3). Muita cruz;
muita disciplina, não é verdade?
Leiamos
em Colossenses 1:24, mas voltaremos para cá outra vez.
"Agora me regozijo no que padeço por vós...".
Não, não era que Paulo era masoquista; ele não
se regozijava por causa das dores, mas sim porque essas dores
serviam para outros. "...e cumpro na minha carne o que
falta das aflições de Cristo por seu corpo, que
é a igreja".
Não
entenda mal este verso; não diz que a Cristo faltam aflições,
mas sim a Paulo faltava participar das aflições
de Cristo um pouco mais. Cristo consumou a sua obra; mas nos
concedeu não somente crer nele, mas também sofrer
por ele.
"...da
qual fui feito ministro..." (Col. 1:25). Paulo era ministro
do corpo, ministro da igreja. Não era o funcionário
de alguma organização menor que o corpo; ele era
um membro vivo do corpo vivo de Cristo, ele funcionava no corpo
e para o corpo.
Então,
voltemos para Crônicas: "...muito bronze sem pesá-lo,
e madeira de cedro sem contá-la" (1 Cr. 22:3). Estas
coisas não se devem contar, porque os sidônios
e tírios haviam trazido para Davi abundância de
madeira de cedro. "E disse Davi: Salomão meu filho
é moço e de tenra idade, e a casa que se há
de edificar ao Senhor há de ser magnífica por
excelência - a igreja gloriosa - para renome e honra em
todas as terras; agora, pois, eu lhe prepararei o necessário"
(V. 5).
Aqui,
Davi está tipificando a Cristo em sua primeira vinda,
preparando o necessário, para que Cristo em sua segunda
vinda possa ser recebido pela igreja. Salomão é
o filho de Davi que mostra o trabalho de Cristo ascendido, edificando
a sua casa, para apresentar-se a si mesmo uma igreja, uma igreja
santa e gloriosa, sem mancha e sem ruga. Devemos deixar que
sejamos apresentados como uma igreja santa. Não estorvemos
a unidade da igreja.
Agora,
vamos ao capítulo 28 para ver algumas expressões
chaves ali. Disse Davi a Salomão: "Olhe, pois, agora,
que o Senhor te escolheu para que edifique casa para o santuário;
esforça-te, e faça-a. E Davi deu a Salomão
seu filho o plano do pórtico do templo e suas casas,
suas tesourarias, seus aposentos, suas câmaras e a casa
do propiciatório.
Deste
modo o plano de todas as coisas que tinha em mente para os átrios
da casa do Senhor, para todas as câmaras ao redor, para
as tesourarias da casa de Deus, e para as tesourarias das coisas
santificadas. Também para os grupos dos sacerdotes e
dos levita - ou seja, da casa passa para o sacerdócio
-, para toda - olhe esta expressão - a obra do ministério
da casa do Senhor" (vers. 10 a 13).
Essa
expressão não é só do Novo Testamento;
já está preparada no Antigo: Os obreiros edificando
o corpo de Cristo com todos os santos, que estão tipificados
no levantamento do templo de Deus e no erguimento do tabernáculo.
E essa expressão - a obra do ministério da casa
de Deus - que era o trabalho no tabernáculo e no templo,
é também hoje o trabalho de todos os santos, ajudados,
aperfeiçoados, pelos obreiros de Deus.
Então,
segue dizendo: "...e para todos os utensílios do
ministério da casa do Senhor". Tenhamos presente
o plano. Davi falou do plano da casa, do plano das tesourarias,
das câmaras; inclusive dos instrumentos.
Agora,
saltamos uns versos, e vamos ler o 19. "Todas estas coisas,
disse Davi, foram-me traçadas pela mão do Senhor,
que me fez entender todas as obras do desenho". Assim que
isto não foi somente uma ocorrência de Davi. Sim,
Davi queria fazer casa para Deus, e Deus lhe explicou: "Davi,
tu tens derramado muito sangue. Você não me edificará
casa, mas o seu filho, ele me edificará casa". E
então Deus revelou a Davi o desenho da casa, o plano
detalhado em todas as coisas. E Davi passou a Salomão
seu filho todo o plano, para que fizesse as coisas conforme
o desenho que ele tinha recebido de Deus. Da mesma forma Deus
está por trás deste desenho, assim como esteve
por trás do desenho do tabernáculo.
De
maneira que se o tabernáculo é figura do verdadeiro
tabernáculo, e o templo é figura do verdadeiro
templo, devemos pôr a nossa atenção no desenho
do templo, porque Deus está nos falando do mistério
de Cristo, a igreja, através do tabernáculo e
através do templo.
Deus
começa com algo singelo, com os traços mestres,
e em seguida vai adicionando detalhes. Assim é que Deus
atua. Em Gênesis 1:26, ele diz: "Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...".
E os fez homem e mulher. No segundo capítulo, torna a
falar da feitura do homem, mas acrescentando detalhes. É
como um desenhista que primeiro traça as linhas principais,
e depois, ao redor delas, põe os músculos, os
nervos, a pele.
Do
mesmo modo, por exemplo, a Daniel, permitiu-lhe interpretar
o sonho de Nabucodonosor, onde aparece a história da
humanidade de forma ampla; mas em seguida, nas seguintes profecias
fala do mesmo, mas acrescentando cada vez mais detalhes. Quando
chega à última visão de Daniel, abrange
três capítulos, e o que havia dito no sonho de
Nabucodonosor e na visão dos capítulos 7, 8 e
9, agora está cheia de detalhes.
Deus começa com a idéia principal: "Lhe edificarei
uma mulher". Em seguida aparece Bet-el, a pedra, a unção,
a libação; em seguida o tabernáculo, e
depois o templo. Deus está falando durante toda a Bíblia
da mesma coisa, porque toda a Bíblia fala do mistério
de Cristo e a igreja. O mistério de Cristo é a
chave de toda a Bíblia.
Então,
vejamos agora no livro de Reis a edificação do
templo por Salomão. Mas não leremos somente arquitetura
ou engenharia civil, mas sim o mistério de Cristo, porque
o verdadeiro Filho de Davi está edificando o verdadeiro
templo que é o corpo de Cristo. Ele é o arquiteto,
e os ministros de Deus são também como peritos
arquitetos que têm que interpretar o plano para a edificação.
Paulo dizia: "...eu como perito arquiteto pus o fundamento..."
(1ª Cor. 3:10).
Esse
é o trabalho do ministério do corpo de Cristo
- interpretar os planos do arquiteto.
A
edificação do templo
No
capítulo 6 encontramos uma passagem que a Sociedade Bíblica
titulou "Salomão edifica o templo". Ou seja,
este é uma figura do Senhor Jesus edificando o corpo
de Cristo. Vocês se lembram daquela passagem em Efésios
onde fala da altura, a largura, a profundidade, o comprimento
de Cristo? Bom, vamos começar ler algo a respeito disso
aqui. Salomão edifica o templo - o filho de Davi edifica
a casa de Deus.
Vamos
revisar do verso 1 ao 14. O Espírito Santo pode falar
a você coisas que eu não vou dizer aqui. Você,
depois, complementará, elaborará e enriquecerá
isso.
Fixemo-nos
em algo: Do verso 1, já aparece um mistério. "No
ano quatrocentos e oitenta depois que os filhos de Israel saíram
do Egito...". Quando você faz uma cronologia absoluta
da Bíblia, seguindo os anos que aparecem nela, notará
que entre a saída do Egito e a edificação
do templo por Salomão há muito mais do que quatrocentos
e oitenta anos. Mas, se a toda essa quantidade de anos você
lhe subtrai os anos em que eles estiveram sob governos alheios
- por exemplo, quando estiveram debaixo dos midianitas ou outros
gentios - ao subtrair esses anos perdidos, obterá exatamente
quatrocentos e oitenta anos.
Isto
quer dizer que, para Deus, os anos perdidos não contam.
Nós temos uma conta no céu. Paulo falava aos filipenses
de que o que eles tinham feito estava registrado nos céus:
"...busco fruto que abunde em sua conta" (Flp. 4:17).
Alguns de vocês têm conta nos bancos, mas todos
vocês têm conta nos céus, e essa conta está
sendo engrossada. Mas o tempo perdido, o que ocupamos em outras
coisas, quando não andamos no Senhor e no que é
seu, não se conta. Não importa se os anos reais
foram como seiscentos e trinta e tantos; para Deus, só
foram quatrocentos e oitenta, porque enquanto eles estavam sob
outros 'senhores', Deus não quer nem contar.
O
tempo que tem significado para Deus é este: quatrocentos
e oitenta anos. E torna outra vez a aparecer o 48 por 10. Ontem
estudávamos o 48, que era o número da casa. Agora,
aqui aparece no tempo por 10 = 480. Muitas coisas que no tabernáculo
são 1, no templo são 10. No tabernáculo
é um castiçal; no templo são dez. Quer
dizer que Deus quer a multiplicação do castiçal
por toda a terra. No tabernáculo eram 48, no templo,
480.
E
diz: "...depois que os filhos de Israel saíram do
Egito, o quarto ano do princípio do reino de Salomão
sobre Israel...". O quarto ano. Note que primeiro é
a cabeça; primeiro é Deus. Primeiro é o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Também, quando
foram cruzar o Jordão, depois de três dias, ou
seja, no quarto dia. Isso quer dizer que, depois da cabeça,
é o quarto. Depois dos três anos, em que se caracterizou
quem é Salomão, porque ele é a cabeça
de Israel, então chegou a hora de edificar. Primeiro,
a cabeça, em seguida o corpo.
"...no
mês de Zif...", que é o segundo mês.
Também o tabernáculo se edificou no segundo mês.
O primeiro ano começou com o mês da páscoa.
Tudo começa com a páscoa, tudo começa com
o Senhor Jesus, sua morte por nós, sua ressurreição
e sua ascensão. Então vem o Espírito, e
começa a igreja. Não pode começar a casa
no primeiro ano e no primeiro mês. No segundo mês
começou a edificar a casa do Senhor.
A
casa que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta
côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.
É como um retângulo, mas elevado, não plano.
Esta é a casa de Deus. A igreja tem que ser cheia das
medidas de Cristo. A Bíblia nos fala das medidas de Cristo.
E esta é a casa de Deus. Deus está nos revelando
algo com essas medidas.
Em
primeiro lugar, fala-nos do comprido: sessenta côvados.
Aqui voltamos a ver a inclusividade do coração
de Deus. Sessenta vem de seis por dez. Já sabemos que
o número 6 é o número do homem. E o 10,
o número da generalidade. Deus quer uma casa que tenha
sessenta côvados de comprimento, ou seja, que incorpore
toda classe de seres humanos. O mesmo se vê no tabernáculo:
Deus quer uma casa com pessoas de toda tribo, língua,
nação, e classe social. Nenhuma igreja poderá
ser edificada para o Senhor com exclusões.
Deus
não exclui raças, não exclui classes sociais,
nem analfabetos, nem eruditos. Paulo diz que o Senhor escolheu
o vil, o menosprezado, o que não é. "Pois
olhem, irmãos, a vossa vocação, que não
são muitos sábios segundo a carne, nem muitos
poderosos, nem muitos nobres..." (1ª Cor. 1:26). Sim,
pode haver algum, mas a maioria não é nobre. É
normal existirem sangue azul e sangue vermelho na casa de Deus.
Não
podemos diminuir a casa, não podemos fazer igrejas de
brancos onde não entram os negros, ou de negros, onde
não entram os brancos. Não podemos fazer igrejas
de ricos. Há pessoas que gostam de ir aos bairros dos
ricos, porque lá andam de braços dados com o prefeito,
com fulano e com cicrano, e não querem andar de braços
dados com os do bairro mais pobre.
A
igreja abrange a todos os que o Senhor chama, a todos os que
ele gerou. Essa é a medida de Deus; não podemos
ter outra medida. Cada irmão tem que sentir-se cômodo
na igreja, não importa que seja pobre, não importa
que seja analfabeto, não importa a sua raça, a
sua classe. O Senhor o escolheu, e esse é o comprimento
da casa de Deus.
A
largura da casa
Agora,
a casa de Deus também tem largura. Mas é curioso
que a largura é apenas um terço do comprido. É
um retângulo. O comprido são sessenta; a largura,
somente vinte, a terça parte. Neste ponto, discutem os
calvinistas e os arminianos: Os calvinistas dizem que a expiação
é limitada, ou seja, que o Senhor só morreu por
alguns. E os universalistas dizem que morreu por todos. Aqui
vemos este retângulo. Depois, haverá outro retângulo
menor. Mas este primeiro retângulo nos ajuda a entender
essa complicação.
Vamos
ao livro de Zacarias, olhar ali uma expressão importante.
Zacarias 13:8-9 diz: "E acontecerá em toda a terra,
diz o Senhor, que as duas terceiras partes serão cortadas
nela, e se perderão; mas a terceira ficará nela.
E colocarei no fogo à terceira parte, e os fundirei como
se funde a prata, e os provarei como se prova o ouro. Ele -
ou seja, este um terço do povo - invocará o meu
nome, e eu lhe ouvirei, e direi: É meu povo; e ele dirá:
O Senhor é meu Deus".
Notemos
que o Senhor diz claramente nessa profecia que dois terços
se perderão; mas um terço passará pelo
fogo, e ficará sendo o povo de Deus. Agora, o apóstolo
João diz muito claramente: "Cristo ... é
a propiciação pelos nossos pecados; e não
somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo"
(1ª João 2:2). Ou seja, o sacrifício de Cristo
tem a capacidade de salvar toda pessoa humana que possa existir.
Se alguém não se salvar, não é porque
o Senhor não quer, mas porque eles não querem,
porque eles resistem, porque eles não recebem. Por isso
se perdem.
Deus
"...quer que todos os homens sejam salvos" (1ª
Tim. 2:4). Deus não quer que ninguém pereça.
Deus quer que todos venham ao arrependimento. Mas se Deus quer
que todos se salvem, por que nem todos se salvam? Não
é porque Deus não queira; é porque o homem
não quer. A luz veio ao mundo, mas "os homens amaram
mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más"
(João 3:19), e esta é a condenação.
De
maneira que a casa de Deus tem forma de retângulo. Deus
quer pessoas de toda tribo, língua, nação,
sexo, e classe social; no entanto, nem todos serão salvos,
somente aqueles que crêem. Então, a população
mundial se reduz a um terço. Acaso não foi um
terço que se rebelou? Deus tinha muitos anjos, mas a
terça parte foi com Satanás. Então, Deus
reservou esse outro terço para a sua glória, para
a sua casa.
Deus
quer que todos sejam salvos. A expiação é
universal, a intenção de Deus é sincera;
ele quer a salvação de todos, mas na prática,
é limitada, porque serão para os que crêem,
os que estão em Cristo, e em Cristo são escolhidos.
Por
isso vemos um retângulo aqui. Embora o comprimento seja
sessenta côvados, a largura é somente vinte, a
terça parte. Se analisarmos a humanidade, hoje em dia,
um terço pelo menos diz ser cristão, e outros
dois terços dizem ser ou muçulmanos, ou budistas,
ou hinduistas, ou animistas, ou qualquer outro 'ismo' diferente
ao cristianismo.
Uma
igreja madura
Voltemos
para 1 Reis 6. "...e trinta côvados de altura"
(V. 2). Vocês sabem o que quer dizer o número 30?
Na Bíblia, é o número da maioridade. Hoje
em dia, na Colômbia, os moços que têm dezoito
anos, votam. Aos dezoito anos, são considerados maiores
de idade. Claro que ainda não se mantêm, ainda
não sustenta a sua esposa nem os seus filhos.
A
Bíblia considerava que a maioridade era aos trinta, não
aos dezoito. Por isso o Senhor Jesus esperou até os trinta.
Também os levita, aos vinte e cinco anos começavam
a aproximar-se do tabernáculo, mas apenas aos trinta
exerciam em plena atividade.
E
o que Deus quer quando diz que a sua casa tenha trinta côvados
de altura? Quer dizer que a igreja está destinada à
estatura da plenitude de Cristo. Deus não quer uma igreja
de meninos; ele quer uma igreja madura. Como Cristo iria se
casar com uma menina? Tem que casar-se com uma igreja madura.
Deus
quer uma igreja madura. A igreja deve evangelizar, deve lembrar-se
dos homens; mas, depois de salvá-los, tem que discipulá-los,
alimentá-los, instruí-los, ensiná-los,
reuní-los como igreja, apresentá-los ao Senhor
como igreja.
Deus
quer que venham à epignosis, ao pleno conhecimento da
verdade. Ou seja, cresçam a uma posição
em que possam compreender todo o conselho de Deus, a totalidade
da Palavra, a palavra de Deus cumprida.
Trinta
côvados - a estatura da plenitude de Cristo. Uma igreja
de salvos e maduros. Uma igreja de salvos discipulados, conduzidos
à plenitude. Essas são as medidas que Deus disse:
sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta
de altura.
Os
vencedores
Agora
vamos ver a outra parte do retângulo. Verso 3: "E
o pórtico diante do templo da casa...". Quando diz
a casa, abrange o átrio, o lugar santo e o santíssimo.
O templo da casa, o santuário, é o santo e o santíssimo.
A casa em geral inclui o átrio. O pórtico do templo
da casa não é o pórtico de fora, não
é para que os perdidos se salvem, mas sim os salvos vençam.
É outro retângulo.
Deus
quer que todos se salvem, mas só se salvam os que crêem.
E quer que todos os que crêem sejam vencedores, mas somente
será a metade. Eram dez virgens esperando o marido, as
dez tinham azeite na lâmpada, mas só a metade tinha
azeite na vasilha além da lâmpada.
Então
diz aqui: "E o pórtico diante do templo da casa
tinha vinte côvados de comprimento ao largo da casa...".
Ou seja, antes era sessenta de comprimento e vinte de largura.
O vinte são os realmente crentes. Agora, este outro pórtico
é outro retângulo de vinte côvados, o mesmo
que tem ao largo da casa. Ou seja, abrange a todos os crentes.
"...ao
largo diante da casa era de dez côvados", ou seja,
a metade. Podem notar? O Senhor morreu por todos, mas só
se salvam um terço. Agora, Deus quer que todos os salvos
sejam vencedores, mas somente a metade é prudente.
Os
outros são salvos, esperam o marido, têm azeite
na lâmpada, e a lâmpada do Senhor é o espírito
do homem. Se tiverem azeite na lâmpada, o seu espírito
é regenerado, mas não têm azeite também
na vasilha, não permitiram que a vida do Senhor passe
para as suas almas - pensem conforme Cristo, tenham o sentir
de Cristo, e a vontade renovada, e sigam a Cristo.
Muitas
virgens salvas são insensatas; só a metade é
prudente, e fez que passasse o azeite da lâmpada para
a vasilha, do espírito para a alma. Por isso aparece
outro retângulo aqui. Vinte de largura, como o da casa
- são os salvos. Mas só dez de comprimento - a
metade.
A
necessidade de revelação
"E
fez à casa janelas largas por dentro e estreita por fora"
(V. 4). Aqui vemos o mesmo princípio das peles de texugos
no tabernáculo. Por fora, via-se como um grande ratão;
por dentro estava a glória. Os de fora não viam.
A Bíblia diz: "...aquele que não nascer de
novo, não pode ver o reino de Deus" (João
3:3). O homem natural não percebe as coisas que são
do Espírito de Deus, e não pode entendê-las,
mas o espiritual discerne todas as coisas.
Por
isso diz aqui que a casa tinha janelas largas por dentro e estreita
por fora. Ou seja, quem está dentro pode ver tudo o que
passa fora; mas o que está fora não pode ver bem
o que há dentro.
Assim
é a casa de Deus. As coisas de Deus só se podem
ver por revelação de Deus, de dentro para fora.
Mas o homem natural, fora, não pode. Entender as coisas
de Deus não é questão de capacidade. Os
que estão dentro têm discernimento; os que estão
fora não podem ver nem entrar.
Os
diáconos, bispos e obreiros
"Edificou
também junto ao muro da casa aposentos ao redor, contra
as paredes da casa ao redor do templo e do lugar santíssimo;
e fez câmaras laterais ao redor. O aposento de baixo era
de cinco côvados de largura, o do meio de seis côvados
de largura, e o terceiro de sete côvados de largura; porque
por fora tinha feito pilastras de reforço para a casa
ao redor, para não embutir as vigas nas paredes da casa"
(vers. 5-6).
Deus
não quer deixar à casa abandonada a si mesma;
ele a rodeia de câmaras laterais. É o mesmo princípio
que vimos no tabernáculo. Estavam todas as tábuas
ao redor, mas o Senhor quis pôr cinco barras, para que
essas barras protegessem e mantivessem as tábuas retas;
a casa foi reforçada e guardada, nenhuma tábua
se soltou, e fora mantida em seu lugar.
Assim
também, o Senhor mostrou a Davi e a Salomão que
ele quer que a sua casa esteja rodeada por câmaras. Nessas
câmaras se guardavam os tesouros; ali os sacerdotes se
vestiam e se despiam, saíam de um estado comum e vestiam
as vestimentas sacerdotais. Também na casa de Deus temos
o diaconato, o bispado e o apostolado.
Deus
quer que a casa esteja resguardada, protegida, pelos diáconos,
que têm que servir às necessidades dos santos,
e pelos anciões. São necessários os presbíteros,
que são os próprios bispos. Na Bíblia,
bispos, pastores, presbíteros, intercambiam-se.
Quando
Paulo escreve a Tito começa lhe falando de que o tinha
deixado em Creta para que corrigisse o que estava deficiente
e estabelecesse presbíteros em cada igreja local. E em
seguida diz: "Porque é necessário que o bispo...".
Ele vem falando dos anciões. Primeiro começa a
falar de como deve ser o caráter de cada um deles, mas
agora já não lhe chama ancião, mas sim
bispo, "...que for irrepreensível, marido de uma
só mulher...".
Bispos
e anciões, na Bíblia, é a mesma coisa.
Na igreja dos filipenses, estavam os santos com os bispos e
diáconos. Desta maneira é a casa de Deus. No entanto,
a igreja e os anciões não estão isolados.
A igreja local não está isolada. Ela é
parte da igreja universal, está em comunhão com
outras igrejas, e a obra do Senhor está nas mãos
dos obreiros, que trabalham a um nível mais universal
que local.
Os
anciões cuidam da igreja em sua localidade, mas os obreiros
edificam o corpo de Cristo universalmente. Portanto, Deus quer
que os anciões tenham comunhão com os apóstolos.
Por isso dizem os apóstolos: "...isso lhes anunciamos,
para que também vós tenhais comunhão conosco"-
Esse 'nós' é a equipe dos obreiros, os apóstolos-
e nossa comunhão - porque eles não estão
isolados, têm uma comunhão- verdadeiramente é
com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1ª João
1:3). Por isso existe a comunhão apostólica, ou
seja, a comunhão dos apóstolos entre si, e das
igrejas com os apóstolos, e dos apóstolos com
as igrejas.
Então,
diz Paulo a Timóteo: "Contra um ancião, não
admita acusação, a não ser com duas ou
três testemunhas. Aos que persistem em pecar, repreende-os
diante de todos, para que os outros também temam"
(1ª Tim. 5:19-20). Ou seja, que os obreiros fazem uma auditoria
dos anciões que eles estabeleceram da parte de Deus.
Deus os estabeleceu, mas usou a eles para fazê-lo, de
maneira que os anciões estão sob a supervisão
dos obreiros que os estabeleceram. Eles governam na igreja,
mas na obra governam os obreiros. Os obreiros fundam uma igreja
e estabelecem os anciões; mas, se os anciões se
comportarem mal, então não se pode admitir acusação
sem testemunhas contra um ancião.
Os
obreiros não podem se meter na jurisdição
de outros, onde outros trabalharam. Isso cabe aos que trabalharam
ali, os que evangelizaram, os que discipularam, os que edificaram.
Os que instruíram à igreja, os que ensinaram,
corrigem as coisas que faltam, nomeiam os anciões. Eles
é que são apropriados para ouvir os problemas
que às vezes causam os anciões.
Então,
em cima da segunda câmara, há uma terceira. A primeira
câmara, que é o diaconato, tem cinco côvados
de largura; mas a de cima é um pouco mais larga, tem
mais responsabilidade, abrange mais, porque na igreja, os anciões
governam os diáconos, e não os diáconos
aos anciões. Então, sobre a segunda câmara,
de seis côvados, Deus colocou uma terceira câmara
de sete côvados. Portanto, os diáconos, os anciões,
os obreiros, cuidam da igreja; rodeiam-na como as barras no
tabernáculo.
O
diaconato está no primeiro lugar abaixo, mas há
uma escada em forma de caracol que sobe do primeiro piso, dando
voltas e voltas. A escada não é direta. Passa
por uma prova, passa outra vez por aqui, um pouco mais alto,
e quando foi aprovado, pode passar para o segundo lugar, ao
segundo piso, e do segundo pode passar para o terceiro.
Por
exemplo, o irmão José, na igreja em Jerusalém,
era um homem que servia, que ajudava e consolava os irmãos.
E os apóstolos trocaram o nome dele por Barnabé,
que quer dizer 'filho da consolação'. O irmão
Barnabé começou a ser uma pessoa de confiança
na igreja, e quando houve uma necessidade, então o enviaram
para ver como estavam as coisas lá em Antioquia.
Quando
ele chegou a Antioquia, não era apóstolo, mas
sim um colaborador dos apóstolos. E ele chegou e viu
ali a graça de Deus. Ele não viu os problemas.
E como era um homem bom, animou-os para que continuassem. Era
alguém de confiança. Chegou a ser profeta e mestre,
até que ficou em Antioquia, e chamou a outro jovem, outro
irmão, que tinha sido problemático. Era Saulo.
Mas
Saulo também subiu a escada, e chegou a ser profeta e
mestre, como outros irmãos. Em Antioquia havia profetas
e mestres, mas não havia apóstolos. Mas, em determinado
momento, o Espírito Santo dirigiu a outros irmãos:
"apartem-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que
os chamei" (At. 13:2), e aí subiram a escada até
o terceiro piso, até a câmara de sete côvados
de largura. Foi ampliada a responsabilidade.
Do
capítulo 14, fala-se dos apóstolos Barnabé
e Paulo. Mas não começaram por cima; começaram
dentro da casa de Deus. Há irmãos que se caracterizam
porque estão sempre servindo. "Então, vamos
pô-los a prova - diz Paulo - para ver se podem ser diáconos".
Ou seja, que já atuam como diáconos, sem serem.
Quando passarem na prova, serão diáconos em atividade.
Agora passam a servir a casa, rodeando a casa, primeiramente
nos assuntos materiais, administrativos. Não se metem
com doutrinas, claro, mas têm que guardar o mistério
da fé e outras coisas.
E
entre esses irmãos, temos, por exemplo, a Estevão,
que era diácono. Ele chegou a ser um homem de Deus, que
não servia somente à igreja, mas também
muito mais. Estevão ensinava, testificava, e foi o primeiro
mártir da igreja. E também Felipe, que chegou
a ser evangelista, ou seja, passando do primeiro piso para o
segundo, não como hierarquia, mas sim como serviço,
porque a responsabilidade na casa de Deus é para encarregar-se
de maiores problemas.
Cada
vez que sobe, a responsabilidade é maior, os problemas
são mais difíceis, assuntos que ninguém
quer tocar. Mas são necessárias todas essas câmaras
laterais ao redor da casa, para cuidá-la. E essa escada
é em caracol, ou seja, que a pessoa passa e passa pelo
mesmo lugar, mas cada vez um pouco mais. Não tem acontecido
assim com você? A escada na casa de Deus é em caracol,
repetindo e repetindo, para ir avançando.
Sem
acumular peso para a casa
Seguimos
em 1 Reis 6: "...por fora, havia pilastras de reforço
ao redor da casa, para não embutir as vigas nas paredes
da casa" (V. 6). Olhem o cuidado do Senhor. Deus não
quer que essas câmaras - esses diáconos, anciões
e obreiros - não pesem sobre as paredes da casa. As vigas
não é para pôr em cima da parede, mas sim
nestas pilastras de reforço que eram feitas, para que
não pesem demasiadamente.
Vamos
ver essas pilastras de reforço em 1ª Pedro 5:1-3:
"Rogo aos anciões que estão entre vós,
eu também ancião com eles - porque tinha subido
do segundo para o terceiro piso -, e testemunha dos padecimentos
de Cristo, que sou também participante da glória
que será revelada: Apascentem o rebanho de Deus que está
entre vós, cuidando dele, não por força,
mas sim voluntariamente; não por ganho desonesto, mas
sim de boa vontade; não como tendo senhorio sobre os
que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo
ao rebanho".
"...não
por força...". Se for por força, pressionará
demasiadamente. Os santos sentem que as pessoas estão
fazendo as coisas por obrigação. 'Ai, porque acontece
isto comigo. Por que você não prega, eu estou muito
cansado?'. Se for por força, faz pressão sobre
as paredes da casa, faz pressão sobre os santos. Onde
está a pilastra de reforço, essa coluninha que
terá que ser posta? Aí diz: "...voluntariamente...".
A primeira pilastra é voluntariedade. Não por
força, mas sim voluntariamente.
Segundo
"Não". "...não por ganho desonesto,
mas sim de boa vontade...". Hoje em dia é tão
comum exaurir as ovelhas, é tão comum que uma
pessoa comece a pregar sobre o dízimo e a prosperidade
somente para encher os seus bolsos, fazendo dos santos uma mercadoria,
como os fariseus que como pretexto faziam largas orações,
mas tinham o olho na casa da viúva. 'Ah este irmão
é rico, este pode ofertar bastante. Irmão, venha,
sente-se aqui na tribuna'. Mas Tiago diz: 'Irmão, não
façam acepção de pessoas na igreja'.
"...não
por ganho desonesto...". Essa viga não pode ser
posta na parede, terá que pôr uma coluna, uma saliente
aqui: "...de boa vontade...", voluntariedade.
Mas
são três pisos. E o outro é: "...não
como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado,
mas sim servindo de exemplo ao rebanho". Então aí
você vê que as paredes da casa não estão
suportando muito peso. Não há um senhorio exagerado,
não estão exaurindo os santos, não estão
fazendo as coisas por profissão, mas sim por amor, voluntariamente,
de boa vontade, sendo exemplos para o rebanho. As câmaras
laterais eram para guardar a casa em vez de sobrecarregá-la.
Preparados
nas pedreiras
Verso
7: "E quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras
que traziam já acabadas, de tal maneira que quando a
edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem
qualquer outro instrumento de ferro". Assim como o ouro
significa a natureza divina; a prata, a redenção;
o bronze, a disciplina de Deus, o ferro significa a autoridade.
(Apoc. 2:26-27). No entanto, quando se edificava a casa, as
pedras já vinham preparadas. As pedras eram preparadas
nas pedreiras.
Há
irmãos que estão nas pedreiras, sendo preparados.
Alguns estão sofrendo marteladas. Lá sim se ouve
a martelada. Essas pedreiras têm pessoas registradas como
pessoas jurídicas, têm placas com nomes e tudo,
e são filhos de Deus. São as pedras de Deus, e
eles devem ser um só templo para Deus.
Claro,
as pedras são tiradas das pedreiras. Graças a
Deus que há pedreiras, e as pessoas estão sendo
salvas. Mas, o que vamos fazer com as pedras se for um montão
de pedras na frente do terreno de cada um. Deus não pode
viver aí. Como ele vai viver se pusermos um montão
de pedras para cá e outro montão lá. Cada
pedra tem que ser tratada e preparada na pedreira. E quando
o Senhor traz, pode ser encaixado com os seus irmãos,
porque se não encaixar, volta para a pedreira, para receber
martelo, para receber cinzel.
E
quando já estiver preparado, então já pode
ter comunhão com os seus irmãos, agora não
é necessário que ouçam machadadas nem marteladas,
como diz o verso 7: "...e quando se edificou a casa, fabricaram-na
de pedras que traziam já acabadas". Quando se encontram
uns irmãos com outros, parece que era como já
se conhecessem, como estando falando as mesmas coisas, a mesma
linguagem. Estamos no mesmo Espírito.
Mas
se você se encontra com alguém, e ele diz: 'Eh,
irmão, mas as irmãs aí usam a saia até
aqui...'. Ou: 'Não puseram gravata para pregar'. Bom,
que passem outros meses na pedreira, até que não
mais se incomode que os irmãos não usem gravata.
"...acabadas, de tal maneira...". Ou seja, de tal
maneira já estavam acabadas, "...que quando as edificavam,
nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem nenhum outro
instrumento de ferro". Era tudo tão suave, tão
agradável.
"Lavrou,
pois, a casa - Lavrou, isso é à custa de golpes,
não? - e a terminou; e a cobriu com artesanatos de cedro".
Coberta de cedro; a cruz de cedro a cobria. Depois punha ouro,
e no ouro punham palmeiras. De todas as maneiras, as pedras
não eram vistas. Cada irmão por trás da
cruz, negando-se a si mesmo, não fazendo as coisas por
si mesmo. Caso contrário, retorna para a pedreira.
"Edificou
deste modo o aposento ao redor de toda a casa, da altura de
cinco côvados - Graça. Cinco côvados, tudo
é graça - o qual se apoiava na casa com madeiras
de cedro". Mas, como se apoiava na casa? Naquelas pilastras
de reforço, naquelas colunas.
O
objetivo é a Presença
No
verso 11, diz: "E veio a palavra do Senhor a Salomão
dizendo: Com relação a esta casa que tu edificas,
se andares nos meus estatutos e executares os meus decretos,
e guardar todos os meus mandamentos andando neles, eu cumprirei
contigo a minha palavra que falei com Davi seu pai; e habitarei
nela...".
O
objetivo da casa é a presença. O que caracterizou
os grandes avivamentos é a presença do Senhor.
Edifica-se o tabernáculo para que a nuvem o encha; edifica-se
a casa para que a nuvem a encha. Deus quer um lugar na terra
para poder manifestar a sua presença. A terra está
cheia da sua glória, mas não lhe conhecem. Ele
quer que seja cheia do conhecimento da sua glória. E
a glória de Deus quer encher a igreja. Para isso se edifica
a casa: para a glória, para a presença.
"...e
não deixarei o meu povo de Israel. Assim Salomão
edificou a casa e a terminou".
(Síntese
de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).