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 Uma
revista para todo cristão
Ano 7 · Nº 41
Setembro - Outubro 2006 
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Um
olhar para a epístola aos Romanos como o percurso de fé
que vai do individual ao corporativo.
Para
a vida do corpo
Gonzalo
Sepúlveda
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«Pois
se pela transgressão de um só reinou a morte,
muito mais reinarão em vida por um só, Jesus Cristo,
os que recebem a abundância da graça e do dom da
justiça» (Rom. 5:17).
Partindo
desta palavra, esperamos, mediante a graça do Senhor,
fazer um breve recorrido pela mensagem do livro de Romanos,
o qual, considerado em forma geral, podemos tomar como se toda
a nossa história espiritual fosse nele contada.
Por
causa da transgressão de Adão, a morte reinou,
com muita eficácia, sobre todos os homens. À medida
que nosso corpo envelhece e enfraquece, sentimos muito de perto
a presença da morte. Além disso, tudo aquilo que
nos esmaga, deprime, desalenta e que nos separa do Senhor, não
é outra coisa que a morte, a herança da queda
de Adão que nos persegue com seus efeitos devastadores.
Se
nós provamos a eficácia da morte em todo o transcurso
de nossa vida, o que agora vem, quer dizer, o reinar com Cristo
em vida, tem que ser muitíssimo mais eficaz do que a
morte foi.
Quem
reinarão em vida? «...os que recebem...».
Se um cristão está sendo derrotado, é porque
de alguma forma não entrou nesta abundância do
Senhor. Por isto, vemos muitos sucumbir diante da menor prova
ou que vivem em uma permanente e vergonhosa fraqueza.
Apeles
e uma igreja normal
Vejamos
agora Romanos 16:10 «Saúdem a Apeles, aprovado
em Cristo». Que formosura, irmãos! Todos desejamos
ser homens e mulheres aprovados em Cristo. Apeles não
está no céu, ainda não compareceu diante
do tribunal de Cristo. Ele está na terra, é um
membro da igreja na cidade de Roma, e chegou a ser um irmão
aprovado em Cristo.
Será
possível, encontrar homens aprovados? Será possível,
além disso, achar nas Escrituras uma igreja funcionando
normalmente? Parece-nos que é em Romanos capítulo
16 onde podemos ver sua melhor descrição.
Note
você que neste capítulo ninguém é
nominado por seu cargo. Há irmãs que trabalham
e outras que trabalham muito no Senhor. Cada um parece ter uma
função e ser aprovado nessa função.
Há quem se caracteriza só por estar cheios do
amor do Senhor, e outros que ajudaram os apóstolos a
ponto de expor sua vida por eles. A maioria dos irmãos
abrem o seu lar: «Saúdem os da casa de Aristóbulo
... Saúdem os que estão com eles ... à
igreja que está em sua casa». As famílias
estão convertidas e a casa veio a ser um ambiente onde
a igreja se reune; os santos chegam ali com toda confiança
para ter comunhão uns com os outros. Que preciosa ver
a igreja, cheia da vida do Senhor!
A
versão Reina-Valera 1960 sub-titulou este capítulo
como «Saudações pessoais». Pasrece-nos
que é muito inadequado, pois se apenas fossem simples
saudações pessoais do apóstolo, não
o leríamos com muito interesse. Mas irmãos, aqui
temos uma riqueza imensa: vemos como a doutrina dos capítulos
anteriores do livro de Romanos se tornou em vida. É precioso
ver todos os irmãos cumprindo uma valiosa função
no corpo. Cada um parece ter encontrado seu lugar e todos trabalham
em harmonia e coordenação com o resto dos irmãos.
Este capítulo está cheio da vida de Cristo, da
vida prática que a igreja em Roma alcançou ao
experimentar naquele tempo histórico.
Quão
precioso é ver esta igreja onde cada membro parece estar
contente em sua função. Dirigentes não
se destacam, pastores, apóstolos, ou anciões;
não são mencionados por seus cargos. Parece
melhor uma igreja amadurecida, onde todos os membros cumprem
alegremente a sua função. Ninguém está
ocioso, observa-se uma igreja vigorosa em espírito; os
irmãos se ajudam, visitam-se; há orações
por aqui e por ali; uns cantam, outros adoram, todos se amam,
etc.
Eles
alcançaram tal grau de maturidade que até podem
identificar rapidamente quem causa divisão e tal malvada
intenção pode ser facilmente julgada. Uma das
coisas que mais nos encoraja é que a esta igreja é
feita a promessa de que prontamente Satanás será
esmagado sob seus pés. Notemos que esta promessa está
no plural: «...sob seus pés» (16:20). Não
nos atrevamos a atacar sozinhos o inimigo, pois como indivíduos
somos muito vulneráveis; a promessa é para o corpo
em sua totalidade. Somente vivendo a vida corporativa, todos
os membros, em harmonia com o Espírito do Senhor, poderemos
avassalar as trevas e prevalecer contra elas. Satanás
não pode contra uma igreja que está bem edificada
e fortalecida no Senhor. Como deseja Deus ver esta classe de
igreja, e como nós desejamos ver o corpo funcionando
desta maneira!
Amados
irmãos, o Senhor está trabalhando na edificação
de sua casa. Ele disse: «Sobre esta rocha edificarei a
minha igreja». Também sabemos que ele «apresentará
a si mesmo uma igreja gloriosa». Nós sonhamos com
essa igreja gloriosa. Em algum momento de nossas vidas, essa
igreja entrou no fundo do coração. No Antigo Testamento,
nos dias de Ageu, nos diz que Deus despertou o espírito
de seus servos, então eles deixaram de ocupar-se somente
com as suas próprias casas adornadas e vieram edificar
a casa de Deus.
Que
o Senhor ilumine os nossos corações, pois a fé
que hoje temos não só é para a salvação
eterna individual, mas também viemos para ser pedras
vivas para a edificação da casa de Deus. Porque
o Senhor quer chegar a ter uma igreja gloriosa, e nós
temos que trabalhar na mesma direção em que o
Senhor está trabalhando. Temos que lutar como dizia Paulo:
«
trabalho, lutando segundo a eficácia dele,
a qual atua poderosamente em mim» (Col. 1:29). Ele clamava,
e muitas vezes chorava, até que Cristo fosse formado
nos crentes (Gál. 4:19), pois desejava que o Senhor obtivesse
aquela «virgem pura» como diz em 2 Corintios 11:2.
A
epístola aos Romanos é um dos livros mais ordenados
da Bíblia. Começa do mais básico e vai
se desenvolvendo até o mais sublime. Cada capítulo
é semelhante a um degrau de uma escada. Nós, como
crentes, poderíamos estar no terceiro degrau, ou no quinto,
o Senhor nos permita que logo cheguemos a estar no degrau (capítulo)
dezesseis de nossa experiência cristã.
Vamos
contrastar dois versículos: Romanos 16:10 e Romanos 1:29.
Enquanto em Romanos 16:10 aparece Apeles «aprovado em
Cristo», em Romanos 1:29 aparece o contraste mais absoluto:
«estando cheios de toda injustiça
».
Aqui estão os dois extremos da escada. Em algum momento,
Apeles esteve cheio de pecados e maldade. Foi um pecador como
qualquer um de nós. O que ocorreu com Apeles? O que descobriu
este irmão? Como chegou a ser aprovado no Senhor?
Irmãos,
Apeles nem sempre esteve aprovado. Aprovado é alguém
que primeiro conseguiu superar muitas provas. Quantas dificuldades
e conflitos terá enfrentado nosso irmão até
aparecer finalmente aprovado?
Se
olharmos o livro de Romanos sob a perspectiva de que é
necessário ir galgando etapa após etapa até
chegar à maturidade do capítulo 16, é muito
provável que possamos identificar em que degrau desta
escada nos encontramos hoje em nossa experiência cristã.
Estaremos só em Romanos 3, ou já avançamos
até Romanos 5? Já são partes de nossa experiência
as verdades de Romanos 6 e 7? Estaremos talvez em Romanos 8?
Entretanto, não importa que estejamos até no 3.
O importante é que estejamos! Mas, queira o Senhor que
prontamente estejamos ao menos no capítulo 5!
As
verdades de Romanos
Pensando
que a maioria dos leitores conhece este livro, desejamos dar
algumas chaves que sirvam de ajuda para avançar no ascendente
caminho do Senhor.
No
capítulo 1 aparece uma ampla descrição
do homem cansado, culpado o homem sem Deus e sem Cristo.
Assim estivemos todos em algum tempo, até que um dia
a graça de Deus se manifestou a nós e viemos a
conhecer o Senhor, seu evangelho, seu amor e sua salvação.
Quando nos apropriamos da graça, já nos localizamos
no capítulo 3 de Romanos, «justificados gratuitamente
por sua graça, mediante a redenção que
há em Cristo Jesus» (V. 24). O bendito sangue de
Jesus Cristo nos lavou de uma vez e para sempre. Bendito seja
seu santo nome!
É
precioso estar consolidados em Romanos 3. A posição
é muito vantajosa: podemos levantar todo louvor e adoração
a Deus nosso Pai e proclamar a viva voz que fomos lavados de
nossos pecados com o sangue do Cordeiro de Deus.
Sigamos
avançando. Em Romanos 4 nos encontramos desfrutando da
bem-aventurança de que nossas iniqüidades foram
perdoadas e que o Senhor já não nos culpa de pecado
(4:7-8). Em seguida chegamos a Romanos 5, «tendo paz para
com Deus» e com o amor de Cristo derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado, e nos gloriamos
na esperança que não envergonha.
Na
segunda metade do capítulo 5, já começamos
a conhecer algo de nossa herança adámica, mortal
e pecaminosa. Agora começamos a conhecer a nós
mesmos: que estamos associados com o transgressor Adão,
e que é necessário que sejamos transladados de
Adão para Cristo. E isto ocorreu desde o momento que
cremos no Senhor. É um grande descobrimento poder ver
que já não estamos em Adão mas sim «em
Cristo». Obrigado Senhor! Podemos seguir avançando.
Infelizmente,
muitos irmãos passam anos repetindo as mesmas verdades
básicas. Eles somente ficaram em Romanos 3; seu problema
segue sendo «os pecados», e devem recorrer continuamente
ao sangue para que volte a limpar-lhes; seus feitos pecaminosos
ainda os apanham e sua vida cristã está estancada.
Em
Romanos 5 descobrimos que há algo mais importante que
os pecados (plural). Agora começa a falar do pecado (singular).
Romanos 5:19 diz que fomos «constituídos pecadores»,
e isto necessita uma solução radical, que vai
além do sangue. Sendo precioso e valioso o sangue de
Cristo, necessitamos algo mais profundo, que não só
nos limpe dos fatos externos, mas também nos livre desta
«máquina produtora» de pecados que somos
nós mesmos.
Os
pecados são como as maçãs da macieira,
e nos damos conta que a macieira está poluída.
Necessita-se, em realidade, cortar a macieira e plantar ali
outra vida, que produza verdadeiros frutos. Isso exatamente
é o que ensina Romanos 6. Ali lemos: «Porque os
que morremos para o pecado
». Irmão, você
terá dado um grande passo se compreender a diferença
entre «o pecado» e «os pecados». Os
pecados foram (e sempre serão) lavados pelo sangue de
Cristo. Não aceitemos acusação alguma,
pois «...o sangue de Jesus Cristo seu Filho, nos limpa
de todo pecado» (1 João 1:7). Agora bem, Romanos
6 nos diz que morremos «para o pecado». Notemos
que o pecado não morre sou eu quem morro.
Mortos
para o pecado e para a lei
Me
permitam uma pausa. Muitas vezes entrei em conflito com a Palavra
de Deus, pois encontro que as verdades da Bíblia não
são realidade em minha vida; são verdades no texto,
mas não em minha experiência. Então surge
o clamor: «Senhor, me socorra para que isto seja verdade
em minha vida prática!». Muitas vezes esta experiência
se vive com angústia, com gemidos profundos, com oração
e até com jejuns, com consultas a outros irmãos
ou a escritos de servos de Deus que possam nos esclarecer verdades
fundamentais.
Quando
descobrimos nas Escrituras uma riqueza que não podemos
desprezar, devemos nos apropriar delas com diligência.
Do contrário, seríamos uns néscios. Se nos
é oferecido tudo para sermos vitoriosos em Cristo, por
que vamos seguir em torno somente de Romanos 3, se podemos chegar
a ser mais que vencedores como em Romanos 8? Mas, para chegar
a Romanos 8 necessitamos primeiro experimentar as verdades de
Romanos 6 e 7.
Olhemos
em forma paralela Romanos 6 e 7. Em Romanos 7:4 diz: «Assim
também vós, meus irmãos, morrestes para
a lei
» Alto!, em Romanos 6:2 diz que morremos para
o pecado, e aqui diz que morremos para a lei! Sigamos lendo:
«
mediante o corpo de Cristo, para que sejamos de
outro, daquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que demos
fruto para Deus». Como nós gostamos deste versículo!
Pois todos desejamos ser frutíferos, ninguém deseja
ser estéril; portanto, ponhamos atenção
a estas palavras: o pecado e a lei não morrerão,
nós morremos para o pecado e para a lei!
O
que é o pecado? Basicamente, é tudo aquilo que
não devemos fazer. Do mesmo modo, a lei representa tudo
aquilo que deveríamos fazer para agradar a Deus (pois
a lei é justa, santa e boa, 7:12). Deus não nos
requer coisas injustas.
Entretanto,
nos damos conta que nossa natureza é absolutamente impotente
para ambas as coisas (você tem descoberto isto?). Não
podemos evitar o mal e tampouco podemos fazer o bem que desejamos.
À medida que avançamos em nossa experiência
cristã, maior será nossa consciência da
incapacidade «da carne», quer dizer, de nossas próprias
forças para agradar a Deus. Tornam-se inúteis
os esforços piedosos do homem religioso em sua tentativa
por agradar a um Deus santo.
Entretanto,
irmãos, a Escritura diz que já morremos para o
pecado e para a lei! (Imagino Apeles passando por esta estreiteza
que representa Romanos 6 e 7. Ele não passou de Romanos
3 ao 16 de uma vez. Me imagino rogando: «Senhor, me revele
esta palavra! Porque se for possível morrer para o pecado
e para a lei, eu quero que isso se cumpra cabalmente em minha
vida»). Quando não temos suficiente luz espiritual,
imaginamos que isto é um longo e doloroso processo. Entretanto,
aquilo já ocorreu! De tal maneira que se um irmão
está tratando de morrer para o pecado ou para a lei,
está errado. Ainda não entendeu a obra de Deus
em Cristo Jesus para conosco, e está ainda fora do poder
do evangelho, ou só o entendeu parcialmente, «porque
no evangelho a justiça de Deus se revela por fé
e para fé», e os que reinam em vida são
os que recebem a abundância da graça.
Irmão,
deixe-me dizer-lo desta maneira: Você e eu necessitávamos
do sangue de Cristo (com Romanos 3 estamos já muito claros);
mas, além disso, precisávamos morrer e precisávamos
ressuscitar. Necessitávamos um sangue que nos limpasse
de nossos feitos pecaminosos e necessitávamos de uma
morte que terminasse com nós mesmos, e além disso
necessitávamos de uma ressurreição que
nos levantasse dentre os mortos. Isto parece uma loucura, mas
a palavra nos diz que fomos «sepultados junto com Cristo
... a fim de que como Cristo ressuscitou dentre os mortos pela
glória do Pai, assim também nós andemos em
nova vida.
Pergunto:
Cristo Morreu? Cristo Ressuscitou? Nossa resposta é um
terminante: Sim! Agora, cremos no que está escrito? É
obvio que sim, cremos! Então, nós também
morremos e ressuscitou com Cristo! Convido-o, irmão amado,
que da mesma maneira como você creu que o sangue de Cristo
lavou todos os seus pecados, creia também que a morte
de Cristo é inclusiva: incluiu a você também,
e de igual forma sua ressurreição também
nos inclui.
Concluímos,
então, que nós crentes morremos com Cristo e ressuscitamos
com ele! Irmãos, isto não é algo para saltar
de alegria? Não é esta a ampla provisão
de Deus para todos nós? Você e eu precisávamos
morrer e ressuscitar, e a menos que tenhamos visto estas coisas
porque isto terá que vê-lo espiritualmente
nosso entendimento deve ser iluminado, e para isto veio
o Espírito Santo, enviado do céu, para nos dar
a conhecer esta linguagem e esta experiência celestial.
Para
os homens, esta linguagem é loucura; mas para nós,
Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. De tal maneira,
irmão, que em Cristo você acabou, você já
não vive! Você escutou alguém falar disto
alguma vez? Sim, pois era a experiência do apóstolo
Paulo: «Com Cristo estou juntamente crucificado, e já
não vivo eu, mas Cristo vive em mim» (Gál.
2:20). Paulo não estava louco (embora alguns incrédulos
quiseram apelidá-lo de tal). Ele entendeu as coisas
de tal maneira que soube que sem esforço algum, sua vida
terminou com Cristo e de uma vez recomeçou com Cristo.
Irmão,
isto não se pode compreender tudo de uma só vez
em uma só mensagem. Nossa capacidade de compreensão
das coisas mais profundas de Deus deve ir num aumento constante.
Isto está enunciado para que você se aprofunde.
Agora o assunto fica em suas mãos. Se você se conformar
com a experiência de salvação de Romanos
3, você é igualmente um filho de Deus e não
irá para a condenação; mas temo que sua
recompensa não será a mesma se você subir
ao próximo degrau e procurar que se faça vida
em você a verdade de que morremos e ressuscitamos com
Cristo.
Alguns
se complicam com Romanos 7, mas o que está ocorrendo
de verdade ali, é que o homem espiritual, o homem que
deseja viver a vida do Espírito, está-se descobrindo
a si mesmo. Seu problema não é só um assunto
de certos «feitos» que o complicam em sua carreira
cristã. Ele está descobrindo que possui tão
somente as «boas intenções»: «O
querer o bem está em mim, mas não o fazê-lo
... não faço o bem que quero, mas sim o mal que
não quero, isso faço (7: 18-19). E começa
a luta do bem e do mal, e estas coisas do «bem
e do mal», leva-nos de volta a Gênesis (a famosa
árvore da qual Adão comeu).
Então,
nosso problema vem de muito atrás, de Adão, mas
nossa realidade atual não é de Adão, pois
estamos em Cristo, e em Cristo morremos. De maneira que agora
necessitamos que outra pessoa viva em nós: «Cristo
em nós, a esperança de glória» (Col.
1:27).
A
glória de Romanos 8
Como
vamos cumprir as demandas de Deus? A vida poderosa de Cristo
está agora dentro de mim; é a vida de ressurreição...,
e com isto chegamos a Romanos 8:2: «Porque a lei do espírito
de vida em Cristo Jesus, livrou-me da lei do pecado e da morte».
Bem-aventurado
o crente que chega a este ponto. Tem descoberto que existem
duas leis, e que ambas estão presentes em sua vida. Tal
como em Paulo ou em Pedro, em todos nós estão
operando ambas as leis. Até nas pessoas que possamos
considerar mais refinadas está operando a lei do pecado
e da morte. Entretanto, aquela lei foi vencida pela outra lei,
a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus. (É
difícil muitas vezes que pessoas boas, morais, de sãs
costumes, compreendam o evangelho. Freqüentemente, eles
parecem não ter do que arrepender-se).
Peço-te,
irmão meu, ou jovem crente, que não descanse até
que esta letra se translade do livro para o seu coração
e se faça vida em ti, em sua experiência diária.
Porque o mundo inteiro jáz no maligno, o pecado nos assedia,
e as tentações estão aumentando à
medida que o mundo avança. Hoje temos o pecado a um «click»
de distância (linguagem computacional). Portanto, é
necessário que nós os crentes desta geração
sejamos achados de tal maneira estabelecidos em Cristo, sendo
aprovados e avançando em cada um desses degraus até
sermos aprovados em Cristo.
Porque
estou unido a Cristo, porque morri com Cristo, porque o Espírito
de Cristo está dentro de mim, então, crendo isto,
posso viver na abundância dessa graça. Não
me derrubará qualquer tentação, não
me arrastará qualquer murmuração, porque
há uma lei dentro de mim; não porque sejamos melhores
que os outros, mas sim porque recebemos a abundância da
graça e nos apropriamos dela.
Avançando
em Romanos 8 nos encontramos com o Espírito Santo dando
testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus
(8:16), e, ocupados nas coisas do Espírito já
não militamos com os pobres recursos da carne. Esta é
uma vida maravilhosa, pois já não estamos sozinhos,
tratando de agradar a Deus com as nossas próprias forças.
Agora,
o Espírito do Deus vivo derramado no dia de Pentecostes
pela obra consumada de Cristo, habita no coração
do crente e dá testemunho ao nosso espírito de
que não somos forasteiros, mas sim concidadãos
dos santos e membros da família de Deus; que não
somos das trevas, mas sim da luz; que não somos mais
meros indivíduos, mas sim membros do corpo de Cristo,
e mantemos uma comunhão viva com o Deus vivo!
Finalmente
Romanos 8 nos ensinará que somos mais que vencedores
por meio daquele que nos amou. Podemos imaginar Apeles avançando
em Cristo, superando etapa atrás de etapa? Depois de
ter sido um homem cheio de pecados, encheu-se da palavra, valorou
o sangue de Cristo, valorou a justificação, valorou
seu trasporte de Adão para Cristo, viu-se morto em Cristo,
viu-se ressuscitado em Cristo, começou a viver pela lei
do Espírito de vida, e chegou a ser um homem mais do
que vencedor frente às tribulações da vida...
Membros
de um corpo
Mas
isto não termina em Romanos 8. Embora seja mais que vencedor,
ainda é um indivíduo. Mas em Romanos 12 se introduz
um novo conceito. E ao dizer um novo conceito, digo-o a propósito,
para que você enumere em seu coração todos
os conceitos já introduzidos.
Em
Romanos 12 aparece outro conceito: Somos membros de um corpo.
Você nunca será aprovado sozinho, como indivíduo,
nunca. Você necessita do corpo, necessitamos de outros
membros do corpo. Para viver a realidade do corpo de Cristo,
é imprescindível uma profunda renovação
em nosso entendimento, todo alto conceito de nós mesmos,
nosso individualismo, deve ser demolido. Quão conscientes
estamos de que somos membros uns dos outros? (Rom.12: 3-5) O
que você faz, seja bom ou seja mau afetará (para
bem ou para mal) a toda a igreja.
Em
Romanos 12:11 diz: «No que requer diligência, não
sejais preguiçosos; sede fervorosos no espírito,
servindo ao Senhor». Como nós gostamos disto! Mas,
em troca, é motivo de muita tristeza encontrar-se com
cristãos apagados, com uma oração rotineira.
Mas, que distinto é quando alguém está
fervoroso no espírito, e se derrama em amor!: «...alegrai-vos
na esperança; pacientes na tribulação;
constantes na oração...».
Assim
chegamos a Romanos 14:1: «Recebam ao fraco na fé,
mas não para contender sobre opiniões».
Ah, Apeles já está mais maduro! Em Romanos capítulo
3 ou 4, certamente, ele diria: «Eu penso isto, eu penso
outra coisa». Agora não. Apeles já morreu.
Já não discute sobre pontos doutrinários.
Se um irmão pensar diferente, ama-o, recebe-o; não
contende sobre opiniões, em troca dirá: «Simplesmente,
irmão, se você guardar o dia, para o Senhor o guarda;
se não comer carne, para o Senhor não come. Mas,
amemos ao Senhor; isso não é essencial; bendigamos
ao Rei». Se, mediante a graça de nosso Deus, alcançamos
este degrau em nossa experiência em Cristo, o Senhor terá
ganho muito conosco.
Até
há mais. Romanos 15:1: «Assim, os que somos fortes
devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar
a nós mesmos». Eu quero estar em uma igreja assim
irmãos, onde há fortes e há fracos, que
convivem; se suportam, se amam! Versículo 5: «Mas
o Deus de paciência e de consolação lhes
dê entre vós um mesmo sentir segundo Cristo Jesus,
para que unânimes, a uma voz, glorifiquem a Deus e Pai
de nosso Senhor Jesus Cristo». Reparou que Deus tudo
dá, que Deus não vende a vida?
Já
estamos concluindo. Romanos 15:13: «E o Deus de esperança
os encha de todo gozo e paz em crença, para que abundem
em esperança pelo poder do Espírito Santo».
Enchamos-nos de esperança; é possível amadurecer
em Cristo. Enchamos-nos de gozo e de paz em crença. Creiamos
que é possível que experimentemos isto de morrer
e ressuscitar em Cristo; creiamos que é possível
chegar a ser aprovados em Cristo, e que a gloriosa realidade
do capítulo 16 do livro de Romanos a possamos viver também
nós, em nossos dias.
Irmão,
se você não passou pela morte e a ressurreição,
como vai viver a vida do corpo? Se a vida de ressurreição
não é uma realidade em você, como vai se
entender com os irmãos? Por ser tão distintos
uns dos outros, todos precisamos morrer e ressuscitar. Quando
todos ressuscitamos, congregamo-nos em um e chegamos a ter um
mesmo sentir, a mente de Cristo, a mesma vida, a vida de Cristo.
Deus
está trabalhando persistentemente, ele obterá
o que quer: um corpo, não somente indivíduos espetaculares,
um corpo onde todos os membros funcionam harmonicamente, sem
hierarquias asfixiantes, um corpo onde na verdade, Jesus Cristo,
Sua Cabeça, preside mediante o glorioso Espírito
Santo que enche poderosamente a cada um de seus membros.
Que
assim seja.
(Síntese
de uma mensagem ministrada na Colômbia, em julho de 2006).
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